Harry deslizou pela entrada da Mansão Black como uma sombra, movendo-se com o máximo de discrição possível. O silêncio reinava no local, exceto pelo rangido ocasional do assoalho de madeira sob seus pés. Ele prendeu a respiração ao fechar a porta atrás de si, garantindo que não fizesse barulho, mas ao virar o corredor, seu corpo congelou no lugar.
Sentado no final do corredor, como se já estivesse esperando por ele, estava um grande cachorro preto de olhos penetrantes. O focinho levemente franzido, a postura rígida. Sirius.
Harry piscou algumas vezes, tentando disfarçar o nervosismo. Respirou fundo e caminhou em direção ao animal, um sorriso hesitante nos lábios.
— Boa noite... — disse casualmente.
O cachorro não se moveu. Seus olhos brilhavam na escuridão do corredor, fixos em Harry com uma intensidade quase acusatória.
Harry coçou a nuca, soltando um riso sem graça. — Qual é, Sirius! Eu só dei uma escapada...
O cão soltou um som baixo, algo entre um grunhido e um suspiro exasperado, antes de se transformar. Em segundos, onde antes estava um enorme cão negro, agora estava Sirius Black em sua forma humana, os braços cruzados sobre o peito e uma sobrancelha arqueada.
— Uma escapada? — Sirius repetiu, sua voz carregada de sarcasmo. — Harry, são quatro da manhã. Acha que eu sou idiota?
Harry encolheu os ombros, ainda tentando parecer descontraído. — Não exatamente idiota… só um pouco desatento.
Sirius bufou e passou a mão pelos cabelos desgrenhados, claramente tentando manter a calma. — Me diga que você não esteve com Ele.
O sorriso de Harry vacilou por um segundo.
— Depende de qual 'Ele' você tá falando…
Sirius revirou os olhos e deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles. — Harry, você não pode simplesmente sumir no meio da madrugada e voltar como se nada tivesse acontecido. Você tem noção de como Dumbledore está paranoico? Como eu estou paranoico?
Harry soltou um suspiro, balançando a cabeça. — Sirius, eu sei o que estou fazendo.
— Você acha que sabe! — Sirius rebateu, sua voz ganhando um tom frustrado. — Mas você está brincando com fogo e, no fim, quem vai se queimar é você.
Harry ficou em silêncio por um momento, sentindo um aperto no peito. Ele sabia que Sirius se preocupava, sabia que seu padrinho faria de tudo para protegê-lo. Mas era tarde demais para voltar atrás.
Ele deu um passo à frente e, para a surpresa de Sirius, segurou seus pulsos levemente.
— Eu tenho um plano, — disse em um tom mais baixo, firme. — E preciso que você confie em mim.
Sirius o encarou por longos segundos, sua expressão passando de irritação para algo mais sombrio. Ele conhecia esse olhar nos olhos de Harry. Determinação. Teimosia. Algo que ele próprio possuía.
Por fim, Sirius soltou um longo suspiro e esfregou o rosto com as mãos. — Você vai me deixar de cabelo branco antes da hora, moleque.
Harry sorriu de canto. — Muito tarde pra isso.
Sirius resmungou, mas não insistiu. No fundo, sabia que Harry estava envolvido em algo muito maior do que ele mesmo, algo que talvez nem ele pudesse impedir.
— Se Dumbledore perguntar, você estava dormindo o tempo todo, certo?
Harry piscou inocentemente. _ Mas é claro, almofadinhas.
Sirius apenas suspirou, dando um leve tapa na cabeça do afilhado antes de se virar e seguir pelo corredor. — Da próxima vez, pelo menos me avise, seu pestinha.
Harry riu baixinho e seguiu para seu quarto, sentindo um peso a menos nos ombros. Por enquanto, estava seguro.
Acontece que, após a conversa entre Monstro e Harry, o velho elfo doméstico hesitou por um momento antes de puxar um envelope envelhecido do seu manto. Ele segurou a carta com mãos trêmulas, seus grandes olhos úmidos enquanto olhava para Harry.
— Mestre Regulus pediu para que eu entregasse isso ao mestre Sirius… — Monstro murmurou, quase como se estivesse quebrando uma promessa ao fazer isso.
Harry pegou a carta com cuidado, sentindo o peso daquelas palavras ainda não lidas. Ele sabia que Regulus era um mistério não resolvido na vida de Sirius e que, de certa forma, aquela carta poderia mudar tudo.
Mais tarde naquela noite, quando a Mansão Black mergulhava em silêncio, Harry encontrou Sirius sentado em uma das poltronas desgastadas da sala, girando um copo de uísque de fogo entre os dedos. O homem parecia perdido em pensamentos, mas seus olhos brilharam de curiosidade quando Harry se aproximou e lhe estendeu o envelope.
— Monstro me deu isso. — Harry explicou. — Regulus escreveu para você.
Sirius congelou. Seu olhar se fixou no papel envelhecido como se fosse algo que pudesse queimá-lo. Por um momento, parecia que ele não conseguia sequer respirar. Então, com mãos hesitantes, pegou a carta e quebrou o lacre, desenrolando o pergaminho com um suspiro pesado.
A leitura foi silenciosa no início. Seus olhos percorriam cada linha, cada palavra, absorvendo o que seu irmão havia escrito. Mas então, algo mudou. O rosto de Sirius empalideceu, suas mãos tremeram, e ele arquejou baixinho, como se tivesse levado um soco no estômago.
— Isso… não pode ser… — ele murmurou, os dedos apertando o pergaminho com força. Seus olhos estavam arregalados, cheios de uma fúria e uma dor que Harry nunca tinha visto antes.
— O que foi? — Harry perguntou, ansioso.
Sirius engoliu em seco, a voz saindo rouca.
— Dumbledore. Foi ele… Ele mandou matar meu irmão.
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
Na carta, Regulus revelava toda a verdade. Ele falava sobre como havia descoberto o segredo do Lorde das Trevas, como Voldemort não queria apenas poder, mas a verdadeira imortalidade, e como ele próprio havia se infiltrado para tentar impedi-lo. Mas o que ninguém sabia era que Dumbledore havia descoberto sua traição e, em vez de ajudá-lo, decidiu eliminá-lo para que suas informações nunca chegassem ao inimigo.
O coração de Sirius batia com força no peito. Ele se sentia traído, enganado. Durante anos, acreditara que seu irmão havia sido mais uma vítima da guerra, que sua lealdade ao Lorde das Trevas o havia condenado. Mas agora… agora sabia a verdade.
Com a mandíbula travada, Sirius dobrou a carta cuidadosamente e a guardou dentro de seu casaco. Seus olhos escuros brilhavam com uma nova determinação.
Naquela mesma noite, ele assumiu sua forma animaga e, como o grande cão negro que era, começou a vagar pela mansão. Ele não conseguia dormir, não conseguia descansar enquanto sabia que a verdadeira ameaça ainda caminhava livremente.
Ao longo das semanas seguintes, Sirius usou sua forma animaga para espiar e coletar informações dentro da Ordem da Fênix. Ele se movia silenciosamente, atento a cada conversa, a cada ordem dada por Dumbledore. E sempre que algo lhe parecia suspeito, ele compartilhava suas descobertas com Monstro, que, por sua vez, escutava os sussurros da casa e trazia relatos do que acontecia quando Sirius não estava por perto.
Pouco a pouco, as peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar. O homem que todos viam como um líder benevolente, aquele que supostamente lutava pela luz, estava jogando um jogo muito mais complexo e sombrio do que qualquer um poderia imaginar.
E Sirius Black não ia ficar parado assistindo.
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
