O silêncio que se instalou no quarto era confortável, quebrado apenas pela respiração ainda um pouco ofegante. Harry se espreguiçou preguiçosamente ao lado de Tom, com um sorriso satisfeito nos lábios, enquanto puxava o lençol para cobrir os dois.
— Isso foi... inesperado, — Tom murmurou, sem encará-lo, os olhos fixos no teto. Ele parecia lutar contra as palavras, como se fosse difícil admitir o que sentia.
— Inesperado? Eu chamaria de espetacular, — brincou Harry, apoiando a cabeça na mão enquanto o observava com um brilho divertido nos olhos. — Achei que você ia me expulsar no segundo em que isso acabasse.
— Eu ainda posso, — retrucou Tom, lançando um olhar de canto, mas havia um traço de suavidade em seu tom que o entregava.
Harry riu, inclinando-se para roubar um beijo rápido, leve como uma provocação. — Você é péssimo em ser frio, sabia? Essa sua expressão pós-sexo não engana ninguém."l
Tom revirou os olhos, mas não se afastou. Ele finalmente virou o rosto para encará-lo. — Você fala demais.
— E você gosta, — respondeu Harry, piscando para ele.
Por um momento, ficaram assim, apenas olhando um para o outro. A intensidade nos olhos de Tom contrastava com o sorriso despreocupado de Harry. Era estranho, quase desconfortável, como se uma barreira invisível tivesse se quebrado entre os dois.
Tom finalmente suspirou, virando-se de lado para ficar de costas para ele. — Não se acostume.
Harry sorriu, sabendo que aquilo era o máximo de afeto que ele conseguiria naquela noite. Sem dizer mais nada, puxou-o para perto, envolvendo-o com um braço, mesmo que soubesse que receberia um resmungo em troca.
— Boa noite pra você também, — sussurrou, com a voz cheia de provocação, antes de fechar os olhos.
Mesmo sem resposta, sentiu quando Tom relaxou em seus braços. Para ele, aquele silêncio valia mais do que mil palavras.
Harry despertou com os primeiros raios de sol iluminando suavemente o quarto. Ele se espreguiçou, sentindo o vazio ao seu lado na cama. Estranhando a ausência de Tom, Harry rapidamente se levantou, vestiu uma camisa qualquer e saiu do quarto, guiado por vozes abafadas que vinham do andar de baixo.
Ao chegar à sala de estar da mansão, a cena que encontrou o fez sorrir. Tom estava sentado em uma poltrona, segurando Hadrian com delicadeza. O bebê gargalhava, balançando um brinquedo de pelúcia enquanto Tom observava com um olhar que era raro de se ver — tranquilo, quase afetuoso.
— Você está ficando mimado, sabia? — Tom disse baixinho para Hadrian, que esticava as mãozinhas em direção ao rosto dele.
Na mesa próxima, Severus estava inclinado sobre James, ajudando-o a segurar uma colher enquanto ele tentava se alimentar. James parecia fraco, mas determinado, enquanto Severus, com a paciência que raramente demonstrava, guiava seus movimentos.
— Tente mais uma vez, James, — Severus disse com um tom firme, mas não desprovido de gentileza. — Você precisa comer para recuperar as forças.
James murmurou algo ininteligível, franzindo o cenho, mas aceitou a ajuda, levando um pouco de sopa à boca com esforço.
Harry parou na entrada, observando tudo com atenção. A cena era quase surreal para ele — Tom interagindo com uma criança, Severus cuidando de James, o homem que ele amou e que deveria estar morto. Era um momento calmo, doméstico, algo que ele nunca imaginou ver naquele lugar.
Tom finalmente notou sua presença e ergueu o olhar, os olhos safira brilhando em um misto de cansaço e paz.
— Está parado aí por quê, Potter? Entre e faça algo útil, — ele disse, mas seu tom não era cortante como de costume.
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
