Tristeza

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Aviso: No universo da minha história, a Mérope cuidou do Tommy durante a infância dele, e depois que ela ficou doente levou ele para o orfanato.

Harry entrou na biblioteca, o som suave de seus passos ecoando entre as estantes altas de livros. Ele estava animado para encontrar Tom, mas o que o aguardava o deixou em choque. Tom estava sentado à mesa, os ombros curvados e o rosto escondido entre as mãos, soluços suaves escapando dele. A cena era incomum, e a visão de Tom, sempre tão imponente e controlado, vulnerável daquela forma, atingiu Harry como um golpe.

Sem hesitar, Harry correu até ele, seu coração apertando ao ver o homem que amava tão angustiado. Ele se abaixou ao lado de Tom, suas mãos indo automaticamente para os ombros do homem, tentando confortá-lo.

— Meu amor, o que aconteceu? — Harry perguntou, a preocupação na voz. Ele não sabia o que poderia ter causado tal tristeza em Tom, mas seu instinto o fez querer entender e ajudar.

Tom ergueu o rosto, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Ele fungou, tentando recuperar o fôlego, e as palavras saíram entrecortadas, carregadas de emoção.

— O filho do protagonista morreu! — Tom disse, com a voz falha e ainda cheia de tristeza. — Ele tinha só 4 anos! — Tom disse, e a dor em sua voz era genuína. Ele estava visivelmente abatido, o sofrimento em seu olhar não passava despercebido. Ele parecia perdido, como se o luto fosse mais do que uma ficção, mais do que uma história que apenas existia no papel.

Harry ficou em silêncio por um momento, tentando processar o que Tom estava dizendo. Ele olhou para o livro aberto na mesa, com a capa de uma obra de ficção, cujas páginas estavam marcadas por lágrimas. Tom estava lendo algo profundamente tocante, algo que o afetara de tal forma que o fez chorar. O fato de que Tom, que parecia imperturbável e imune ao sofrimento de outros, estava tão abalado, mostrou uma vulnerabilidade rara e tocante.

— Tom... — Harry começou, a suavidade na voz tentando suavizar a tensão no ambiente. Ele olhou para o livro e depois de volta para Tom, cujos olhos ainda estavam lacrimejantes. — Eu sei que você não costuma se entregar assim, mas isso não é real, amor. O personagem morreu, mas a dor que você está sentindo... isso é sua.

Tom fungou mais uma vez, limpando o rosto com a manga da camisa, tentando se recompor. Mas a expressão dele ainda estava marcada pela dor.

— Mas é tão... real. — Ele disse, as palavras falhando enquanto ele olhava novamente para o livro. — A autora escreveu tão detalhadamente, a dor dos personagens, a perda. Eu senti... eu senti como se fosse real. Como se fosse alguém que eu conhecesse.

Harry se aproximou mais de Tom, colocando uma mão em sua nuca e trazendo-o para mais perto. Ele sabia que Tom tinha um coração, apesar de sua fachada fria e calculista. Ele sabia que, embora Tom escondesse muitas emoções, elas ainda existiam, e ele ainda se importava, mesmo que fosse de uma maneira intensa e complexa.

— Eu entendo, Tom. — Harry sussurrou, abraçando-o com mais força. — O amor e a dor que você sente, mesmo que sejam por algo que não é real... isso é o que te torna humano. E é isso que eu amo em você.

Tom permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Harry. Lentamente, ele se afastou um pouco para olhar nos olhos de Harry. A expressão dele, embora ainda carregada de tristeza, parecia um pouco mais tranquila agora, aliviada pela presença reconfortante de Harry ao seu lado.

— Eu... não sabia que isso poderia me afetar assim. — Tom murmurou, sua voz mais calma, mas ainda tingida de um certo pesar. — É como se a dor de perder algo... mesmo que fictício, fosse tão real quanto qualquer outra perda. E isso me faz perceber... como tenho medo de perder algo ou alguém de verdade.

Harry sorriu suavemente, tocando o rosto de Tom, alisando suas bochechas com o polegar, querendo tirar o máximo de tristeza possível de sua vida.

— Eu não vou te deixar, Tom. — Harry disse com certeza, seus olhos brilhando com um olhar terno. — Nunca. Não importa o que aconteça.

Tom não respondeu imediatamente, mas seus olhos se suavizaram, e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. Embora ainda houvesse uma sombra de tristeza em seus olhos, Harry sabia que havia feito a diferença, mesmo que fosse apenas por um momento.

Tom olhou fixamente para o livro, os dedos ainda tocando a capa, mas sua mente estava longe das palavras escritas nas páginas. Seu olhar estava distante, perdido em pensamentos que ele raramente compartilhava. A dor no fundo de sua voz fez o coração de Harry apertar. Ele sabia que Tom nunca foi alguém fácil de ler, mas naquele momento, as palavras que saíam da boca dele eram como uma janela para uma parte de sua alma que ninguém jamais teria imaginado.

— É só que é muito triste quando uma criança morre, mesmo nos livros. — Tom continuou, a voz suavizando com a lembrança. — Ele amava tanto o filho dele... — Tom fez uma pausa, como se as palavras o sufocassem, e seus olhos se perderam em algo além de Harry, em uma memória distante. — Me lembro de mamãe, ela sempre dizia que me amava e que eu era precioso, mesmo que meu pai a maltratasse... ela apanhava no meu lugar, mas quando ela ficou doente e me deixou no orfanato...

Harry sentiu um nó na garganta ao ouvir as palavras de Tom. Ele sabia, de alguma forma, que Tom teve um passado conturbado, mas nunca imaginou que fosse tão carregado de dor. O Tom que ele conhecia, o homem forte e confiante, agora estava diante dele vulnerável, revelando fragmentos de sua história com uma sinceridade que raramente permitia.

Tom se recostou um pouco na cadeira, os olhos fixos em algum ponto fora da janela, como se estivesse tentando escapar da dor que suas palavras traziam. Ele parecia perdido em lembranças que o consumiam, e Harry não sabia o que dizer, mas sabia que precisava estar lá, ao lado de Tom, como ele sempre fazia.

— Minha mãe... — Tom continuou, sua voz mais baixa, quase inaudível. — Ela me dizia tantas coisas boas, mas quando a doença a tomou... tudo se desfez. Eu não entendi na época, não consegui compreender por que ela me deixou sozinho, por que me mandou para aquele lugar. O orfanato não foi um lar. Não havia carinho, nem segurança... apenas um vazio que me fez entender o que a perda realmente significava.

A dor nas palavras de Tom cortava o silêncio que havia se instalado entre eles. Harry sentiu um impulso de abraçá-lo, de dar-lhe conforto, mas algo dentro de Tom ainda estava fechado, ainda se protegia. Ao invés disso, ele apenas se aproximou, colocando uma mão sobre a de Tom, tentando transmitir um pouco de força e apoio.

— Eu não sabia... — Harry disse suavemente. — Não sabia que sua mãe teve que passar por tudo isso, Tom. Deve ter sido muito difícil para ela.

Tom virou lentamente o rosto para Harry, seu olhar agora mais focado. Ele ainda parecia carregado pela tristeza, mas a presença de Harry parecia amenizar um pouco o peso em seus ombros.

— Ela tentou me proteger, Harry. — Tom disse com uma suavidade rara, os olhos ainda brilhando com a memória. — Mesmo quando ela estava morrendo, ela fez o que pôde para me deixar algo bom, algo que me lembrasse do quanto ela me amava. Mas o que restou disso? O vazio de um orfanato, e a certeza de que ela não estaria lá para me proteger. A dor dela... foi mais do que a perda de uma mãe. Foi a perda de alguém que me amava, que se sacrificava por mim. E quando ela se foi, eu fiquei ali, sozinho.

Harry sentiu um aperto no peito, as palavras de Tom atingindo algo dentro dele. Ele sabia que, embora Tom fosse um homem forte e determinado, ele carregava uma dor profunda, algo que ele escondia atrás de sua fachada. Era a primeira vez que Harry ouvia Tom falar tão abertamente sobre sua mãe e a perda que ele experimentara.

— Tom... — Harry murmurou, apertando sua mão com mais firmeza. — Eu sei que nada do que eu diga vai apagar o que aconteceu, mas saiba que você não está mais sozinho. Eu estou aqui com você, agora e sempre. Não importa o que tenha acontecido no passado, você tem a mim agora.

Tom olhou para Harry, e seus olhos pareciam mais suaves, mas ainda pesados com o sofrimento que carregava. Por um momento, Harry pensou que Tom diria algo, mas o silêncio que se seguiu era confortável, como se as palavras já não fossem necessárias. O vínculo entre os dois era algo mais profundo do que qualquer coisa que palavras pudessem expressar. E, de alguma forma, Harry sentiu que, apesar de tudo, Tom finalmente começava a entender que não precisava carregar o peso da solidão sozinho.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora