Harry estava ficando louco.
Um mês. Um mês inteiro desde a discussão com Tom, e o vínculo mental, antes tão presente e reconfortante, permanecia em um silêncio perturbador. Harry sentia que estava caminhando para a beira da sanidade. Os dias se estendiam como uma tortura, cada hora marcada pela ausência de Tom em sua mente. Era como se ele tivesse perdido uma parte de si mesmo, uma parte que, por mais irritante e difícil que pudesse ser, era indispensável.
Eram apenas as cartas de seu pai que traziam qualquer vestígio de notícia sobre Tom. As missivas eram entregues por corujas, carregando aquelas palavras cuidadosas e enigmáticas que James Potter parecia sempre escolher com perfeição. Mas em vez de acalmá-lo, as palavras do pai pareciam mais dispostas a provocar uma inquietação ainda maior.
Harry segurava a última carta com dedos trêmulos, relendo pela décima vez o mesmo trecho que havia capturado sua atenção:
"Acho que o senhor Riddle está irritado, os gritos do comensal dizem o mesmo!"
Ele fechou os olhos, tentando afastar a imagem que as palavras evocavam. Ele não precisava de detalhes para saber o que Tom fazia quando estava irritado. Ele já tinha visto de perto o que a fúria de Tom podia causar. Mas o que veio a seguir na carta foi o que realmente o deixou inquieto:
"Sangue combina com seu companheiro. O rosto pálido pintado com sangue é uma visão perturbadora mas bela. O sangue é da mesma cor dos olhos dele!"
Harry sentiu um frio na espinha, suas mãos apertando a carta até que os nós dos dedos ficaram brancos. Ele sabia que James estava brincando com a descrição, mas aquilo o atingiu de forma estranha. A imagem se formou em sua mente como um soco: Tom, de pé, o rosto pálido ainda mais intenso sob o contraste de manchas de sangue. Era um quadro tão perturbador quanto fascinante, e isso o fez sentir um desconforto inexplicável.
"Sangue é da mesma cor dos olhos dele."
A frase ecoava em sua cabeça, e ele sentia um peso crescer em seu peito. O vínculo estava vazio, mudo, e Harry se pegou desejando desesperadamente ouvir a voz de Tom. Ele não sabia o que era pior: as palavras cortantes de Tom, que sempre encontravam uma maneira de mexer com suas emoções, ou o silêncio absoluto que parecia sussurrar que Tom havia desistido dele.
Harry se levantou abruptamente, a carta escorregando de seus dedos para o chão. Ele começou a andar de um lado para o outro em seu dormitório, seu coração acelerado. A imagem de Tom, ensanguentado, não saía de sua mente. Ele sabia que Tom era perigoso, sabia do que ele era capaz, mas a ideia de Tom se afundando cada vez mais em sua escuridão era insuportável.
— Por que ele não me procura? Por que ele não fala comigo? — pensou Harry, sentindo a angústia crescer dentro dele. A discussão parecia tão distante agora, mas suas palavras ainda ecoavam em sua mente: "Você não sabe lidar com sentimentos!"
Talvez ele tivesse ido longe demais. Talvez tivesse dito algo que não poderia ser desfeito. Mas Harry não conseguia suportar a ideia de que Tom poderia estar sofrendo sozinho, se afundando em sua própria fúria e solidão.
Ele parou em frente à janela, olhando para o céu noturno. O silêncio ao seu redor era sufocante, e ele sentiu um nó na garganta.
— Volte, Tom... — sussurrou, a voz quebrando. — Só me diga alguma coisa.
Mas o vínculo permaneceu vazio, e Harry se sentiu mais sozinho do que nunca. Harry não pensou duas vezes. Ele correu pelos corredores de Hogwarts, seu coração batendo forte no peito. Ele precisava ver Tom. Não importava o que fosse necessário, ele não podia mais suportar a ausência, o silêncio, a distância que parecia crescer entre eles a cada dia.
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
