O céu escureceu completamente, e a floresta proibida parecia mais sinistra do que nunca. As árvores sussurravam ao vento, suas sombras se contorcendo como criaturas vivas. Harry caminhava com cuidado, cada passo fazendo o chão úmido ranger sob suas botas. Ele apertava a varinha com força, atento a qualquer movimento ao seu redor.
Finalmente, chegou ao local marcado. Um espaço aberto no coração da floresta, onde a luz da lua cheia caía diretamente, iluminando uma figura alta e imponente. O ar ao redor parecia vibrar com poder.
Lá estava ele.
Tom Riddle, mas não o jovem charmoso dos sonhos ou das lembranças. Era Voldemort, com sua pele pálida e brilhante como cera, os olhos vermelhos como brasas, e aquele rosto deformado, sem nariz, que parecia mais uma caricatura de uma serpente do que um humano.
Harry deu um passo à frente, firme.
— Tom. — chamou ele, sua voz ecoando pelo vazio da clareira.
Os olhos vermelhos de Voldemort se estreitaram imediatamente, um brilho de irritação surgindo neles.
— Que audácia, Potter! — respondeu ele, sua voz gélida e cheia de desprezo. — Não me chame assim. É Lorde!
Harry, no entanto, não se abalou. Pelo contrário, deixou escapar uma risada baixa e despreocupada.
— Lorde, é? — ele balançou a cabeça, cruzando os braços com um sorriso zombeteiro. — Tire esse glamour ridículo. Já me disseram que você é mais bonito quando não tenta parecer uma cobra sem nariz.
Por um momento, houve silêncio. O ar ficou ainda mais pesado, como se a floresta inteira estivesse prendendo a respiração. Voldemort ficou imóvel, o olhar fixo em Harry como se tentasse decidir se deveria matá-lo ali mesmo ou rir daquela audácia.
— Você tem coragem, Potter. — respondeu Voldemort, sua voz carregada de sarcasmo. — Ou talvez seja apenas estupidez.
— Um pouco dos dois, talvez. — Harry deu de ombros, mantendo o tom leve, mas seus olhos verdes estavam afiados, analisando cada movimento do outro.
Voldemort suspirou, como se estivesse cansado da conversa. Ele ergueu a mão, e num piscar de olhos, sua aparência começou a mudar. A pele pálida recuperou cor, os olhos vermelhos voltaram a ser castanhos escuros, e os traços serpenteados desapareceram, dando lugar a um homem alto, de feições fortes e imponentes, com cabelos negros e uma postura que exalava poder e confiança.
Era Tom Riddle em sua forma verdadeira, jovem e assustadoramente bonito.
— Melhor assim? — perguntou Tom, a voz mais suave, mas ainda carregada de veneno.
Harry ergueu uma sobrancelha, sem desviar o olhar.
— Definitivamente. Agora parece alguém com quem eu posso conversar sem sentir que estou sendo envenenado pelo olhar.
Tom inclinou a cabeça, os lábios formando um sorriso perigoso.
— Você tem um jeito peculiar de testar a paciência dos outros, Potter.
— E você tem um jeito peculiar de assustar todo mundo ao seu redor. — rebateu Harry. — Então acho que estamos quites.
Os dois ficaram ali, trocando olhares intensos, o ar entre eles carregado de tensão e algo mais indefinido. Harry sabia que estava pisando em território perigoso, mas também sabia que, para conseguir o que queria, precisava jogar o jogo de Tom, mesmo que isso significasse desafiar diretamente o bruxo mais temido do mundo.
A tensão na clareira da floresta parecia atingir um novo pico. Os dois bruxos estavam frente a frente, o silêncio quebrado apenas pelo som suave do vento movendo as folhas. Harry enfiou a mão no bolso do casaco e tirou um pedaço de pergaminho, o qual entregou a Tom sem cerimônia.
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Herdeiro das trevas
Fiksi PenggemarQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
