Naquela manhã, Tom acordou com uma leveza incomum em seu humor. Ele se espreguiçou lentamente, o sol entrando pelas pesadas cortinas do quarto e iluminando o ambiente com um brilho quente. O som familiar e reconfortante de algo deslizando pelo chão chamou sua atenção, e ele ergueu os olhos a tempo de ver Nagini entrar pela porta com sua elegância sinuosa.
A cobra, maior e mais imponente do que nunca, subiu com agilidade na cama, como se fosse sua posse também. Ela ergueu a cabeça e olhou diretamente para Tom, que abriu um sorriso leve, quase raro, ao ver sua amiga de longa data.
— Mestre! — Nagini silibou, com sua voz quase melodiosa na língua das cobras. — Estou de volta!
Tom se ajeitou, sentado na cama, os olhos brilhando com a familiaridade reconfortante da presença de Nagini. Ele passou uma mão pelos cabelos desalinhados, ainda tentando acordar completamente.
— Finalmente, Nagini. Pensei que você havia se perdido na floresta para sempre. — Tom respondeu em ofidioglossia, o tom divertido, mas com uma pitada de alívio sincero.
Nagini bufou, ou pelo menos emitiu um som equivalente a isso, balançando levemente a cauda enquanto se enrolava em um dos cantos da cama.
— Os ratos da casa daquela idosa fedida são ótimos, realmente suculentos! — ela respondeu, com um silvo que quase parecia de satisfação. — Mas, Mestre, o cheiro de coisa velha naquela casa é terrível! Quase insuportável! Como os humanos conseguem viver em um lugar assim?
Tom soltou uma risada baixa, algo que poucos teriam a sorte de presenciar. Ele estendeu a mão para acariciar a cabeça de Nagini, gesto que a cobra aceitou com orgulho.
— Humanos têm uma capacidade fascinante de se acomodar às piores condições. — Ele respondeu, o tom carregado de desdém e um pouco de diversão. — Mas me diga, Nagini, além de ratos suculentos e cheiro de mofo, o que mais encontrou em sua viagem?
Nagini inclinou a cabeça, como se estivesse pensando.
— Muitas coisas, Mestre. A floresta está cheia de segredos, mas nada que me interessasse além da caça. Aquela casa velha, no entanto, parece ter uma energia estranha. Algo sombrio. Talvez você devesse investigar, se desejar.
Tom estreitou os olhos, interessado, enquanto passava os dedos pelo queixo em um gesto contemplativo. Ele conhecia Nagini o suficiente para saber que ela não faria tal sugestão sem motivo.
— Interessante. — Ele murmurou, mais para si mesmo do que para Nagini. — Talvez valha a pena uma visita.
Nagini silibou de satisfação, claramente satisfeita por trazer algo útil para seu Mestre. Ela se enrolou mais confortavelmente na cama, enquanto Tom, ainda de bom humor, se levantava para começar o dia.
— Bem, minha querida amiga, é bom tê-la de volta. — Ele disse, enquanto se dirigia ao banheiro. — Espero que não tenha se acostumado demais com sua vida selvagem. Precisarei de você aqui.
Nagini o observou partir com um brilho em seus olhos reptilianos, claramente satisfeita em estar novamente ao lado de seu Mestre. O som suave da água caindo enchia o banheiro enquanto Tom desfrutava de seu banho. O vapor subia, criando uma névoa que tornava o ambiente ainda mais íntimo. Ele estava absorto em seus próprios pensamentos, o calor relaxando seus músculos enquanto esfregava o sabonete em sua pele. No entanto, o silêncio foi quebrado pelo som sibilante familiar de algo deslizando pelo chão.
Ele ergueu os olhos apenas o suficiente para perceber a figura alongada de Nagini, seu corpo escorregando suavemente sobre o azulejo claro do banheiro. A cobra parecia quase deslocada naquele ambiente brilhante e limpo, mas sua presença era inegavelmente natural para Tom, como se ela pertencesse a todos os espaços que ele ocupava.
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
