Envenenado?

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A lua alta no céu iluminava o terreno de Hogwarts com uma luz pálida enquanto Harry, envolto em sua capa de invisibilidade, caminhava silenciosamente pelos corredores. Seus passos eram leves, quase inaudíveis, enquanto ele se dirigia aos limites do castelo. Quando chegou ao ponto exato, verificou que ninguém o seguia, e com um giro rápido de sua varinha, aparatou.

O familiar quarto de Tom se materializou diante de seus olhos, iluminado apenas pela tênue luz da lua que se infiltrava pelas cortinas entreabertas. Harry respirou fundo, sentindo o ar ligeiramente perfumado com algo amadeirado, talvez um incenso que Tom costumava queimar. Ele sorriu ao pensar no homem que provavelmente estaria dormindo profundamente na cama.

Mas assim que se virou para o centro do quarto, Harry congelou.

No meio da cama de Tom, enroscada como um laço infinito, estava uma enorme cobra. Sua pele brilhava sob a luz da lua, refletindo tons esverdeados e dourados. Era Nagini. Seus olhos, de um amarelo penetrante, estavam fixos em Harry, e a ponta de sua língua bifurcada vibrava no ar enquanto ela o avaliava.

Harry engoliu em seco, sentindo o suor frio se formar na nuca. Ele não tinha medo de cobras, mas encontrar uma daquela magnitude ocupando a cama de Tom no meio da noite era, no mínimo, inesperado. Ele se perguntou por um momento se deveria simplesmente aparatar de volta para Hogwarts.

— Você não devia estar aqui... — veio a voz de Nagini, em ofidioglossia, enquanto ela inclinava a cabeça. Sua voz sibilava como o som do vento passando por uma fresta. — É tarde para visitas, pequeno Potter.

Harry franziu a testa, sua irritação se sobrepondo ao desconforto inicial. Ele cruzou os braços e respondeu no mesmo idioma:

— E você deveria estar em qualquer outro lugar que não fosse a cama do Tom. Não é meio estranho?

Nagini soltou algo que soava como um riso abafado, sua língua serpenteando pelo ar.

— Eu sou sua companheira mais antiga, garoto. — disse ela, relaxando ainda mais na cama. — Se você não pode aceitar isso, talvez deva reconsiderar suas escolhas.

Harry bufou, passando a mão pelos cabelos bagunçados.

— Onde ele está? — perguntou, sem paciência para discutir com uma cobra gigante no meio da noite.

Nagini estreitou os olhos, quase como se estivesse provocando Harry. Mas antes que pudesse responder, a porta do quarto se abriu e Tom entrou, os olhos piscando sonolentos. Ele vestia apenas um roupão escuro, amarrado frouxamente na cintura, revelando parte de seu peito pálido.

— Harry? — Tom perguntou, surpreso ao ver o homem parado no quarto. Seus olhos então passaram para Nagini, que parecia muito satisfeita com a situação. — Nagini, está intimidando meu convidado de novo?

A cobra apenas sibilou em resposta, enrolando-se ainda mais na cama como se fosse dona do lugar.

— Ela não estava intimidando — Harry respondeu rapidamente, cruzando os braços e olhando para Tom. — Mas definitivamente não é normal encontrar uma cobra gigante ocupando a sua cama no meio da madrugada.

Tom riu baixinho, caminhando até Harry e colocando as mãos em seus ombros.

— Ela é territorial, Harry. E talvez um pouco possessiva. — Ele lançou um olhar afetuoso para Nagini, que parecia se orgulhar da descrição. — Mas não se preocupe, ela vai se comportar.

Tom se inclinou para beijar a testa de Harry, guiando-o gentilmente para longe da cama.

— Vamos, eu prefiro outro quarto para nós dois. — murmurou ele, com um sorriso divertido.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora