Harry saiu do escritório de Severus com passos incertos, seu coração pesado com tudo o que acabara de ouvir. A história de Hadrian, o filho perdido de Severus e James, girava em sua mente como um redemoinho. Era difícil acreditar em tudo, mas Severus não tinha motivos para mentir.
Sentindo-se sufocado, Harry decidiu buscar ar fresco e se afastar das paredes opressivas de Hogwarts. Sem pensar muito, seus pés o levaram até a Floresta Proibida. Ele sabia que não era o lugar mais seguro para uma caminhada, mas, naquele momento, não se importava.
A noite estava silenciosa, exceto pelo som de seus passos quebrando folhas secas e gravetos. A brisa fria da noite acariciava seu rosto, ajudando a clarear sua mente confusa. As árvores altas ao redor pareciam sussurrar histórias antigas, mas Harry não prestava atenção. Ele estava perdido em seus pensamentos.
Cada detalhe que Severus havia revelado voltava à sua mente como uma corrente constante. O relacionamento secreto entre James e Severus. O sofrimento de Severus ao carregar um bebê em segredo. A crueldade impensável de Dumbledore ao tirar Hadrian de seu pai. Tudo isso parecia surreal, mas ao mesmo tempo fazia um estranho sentido dentro da teia de mentiras e manipulações que Harry vinha desvendando.
— Hadrian... — murmurou ele para si mesmo, sua voz ecoando fracamente entre as árvores.
A imagem de Severus segurando a pequena roupinha de bebê o atingiu com força. A dor nos olhos do professor era algo que Harry nunca esqueceria. Pela primeira vez, ele viu Severus como mais do que um professor rígido e severo. Ele o viu como um homem quebrado, que havia perdido tudo o que amava.
Harry parou perto de uma clareira, onde a luz da lua atravessava as copas das árvores, banhando o chão com um brilho prateado. Ele respirou fundo, tentando processar tudo.
— Quem mais ele machucou? — Harry se perguntou em voz alta, pensando em Dumbledore.
A raiva começou a ferver novamente dentro dele. Durante anos, ele havia confiado em Dumbledore, visto o homem como um guia, quase como uma figura paterna. E agora, a cada nova descoberta, essa imagem desmoronava.
Enquanto olhava para a luz da lua, Harry sentiu algo mudar dentro de si. Era como se uma parte de sua ingenuidade estivesse sendo arrancada. Ele sabia que precisava ser forte, não apenas por si mesmo, mas por aqueles que haviam sofrido nas mãos de Dumbledore.
De repente, um farfalhar nas árvores chamou sua atenção. Harry instintivamente colocou a mão na varinha, mas ao virar, viu apenas um cervo branco parado na borda da clareira, olhando para ele com olhos calmos e profundos.
— Um patrono? — Harry murmurou, mas não parecia ser isso.
O cervo permaneceu ali por um momento, como se o estudasse, antes de virar e desaparecer entre as árvores. Harry sentiu um estranho conforto com a aparição, como se fosse um sinal de que ele estava no caminho certo.
Ele respirou fundo mais uma vez e começou a voltar para o castelo. Ainda havia muito a descobrir, mas uma coisa era certa: ele não deixaria que a verdade fosse enterrada novamente. Harry ouviu a voz antes mesmo de ver quem era.
— Droga! — uma voz feminina, cheia de frustração, ecoou pelo silêncio da floresta.
Curioso, ele seguiu o som com cautela. Ao se aproximar, viu uma figura caída no chão entre raízes e folhas secas. A luz fraca da lua passava pelas árvores, revelando cabelos negros desgrenhados e um rosto pálido e suado. Era Bellatrix Lestrange.
Ela pressionava um tecido sujo contra a lateral de seu abdômen, tentando estancar um ferimento profundo que parecia estar sangrando bastante. Apesar de sua condição, seus olhos estavam ferozes, como os de um animal encurralado.
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
