Draco

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Draco Malfoy estava, pela primeira vez em muito tempo, genuinamente feliz. A tensão que há anos pairava sobre sua vida parecia ter aliviado. Seu pai, Lucius, finalmente havia se resolvido com ele, mostrando um lado mais atencioso e compreensivo. E Narcisa, sua mãe, estava mais saudável e tranquila do que Draco se lembrava de tê-la visto.

Naquela manhã, enquanto tomavam chá na sala da mansão Malfoy, Lucius mencionou algo peculiar.

— O Lorde das Trevas poupou pessoas em Hogsmeade — disse ele, com a sobrancelha levemente arqueada. — Mulheres, crianças... É curioso, mas, claro, ele deve ter suas razões.

Draco também achou estranho, mas não comentou. Conhecendo o Lorde das Trevas, qualquer mudança em seu comportamento deveria ser tratada com cautela, e questioná-lo seria perigoso.

Logo depois, Lucius anunciou que o levaria para a mansão Gaunt. Draco não questionou o motivo, mas assim que chegaram, ele entendeu. O lugar estava cheio de mulheres e crianças, todas sobreviventes do ataque em Hogsmeade. O salão principal havia sido transformado em um abrigo improvisado, com camas espalhadas, brinquedos pelo chão e feitiços que tornavam o ambiente mais aconchegante.

Antes que Draco pudesse processar completamente o que estava acontecendo, um grupo de garotinhas correu em sua direção.

— Olhem o cabelo dele! — exclamou uma delas, com olhos brilhando de animação.

— É tão loiro e macio! — acrescentou outra, já puxando Draco para uma cadeira.

— Esperem, o que vocês estão fazendo? — Draco tentou protestar, mas era tarde demais.

As meninas cercaram-no com pentes, laços, fitas e até maquiagens que haviam encontrado em algum lugar.

— Fique quieto, senhor! — ordenou uma delas, apontando um pequeno pente como se fosse uma varinha. — Vamos fazer você ficar lindo!

Draco suspirou, resignado. Ele podia ter conjurado um feitiço para escapar, mas ao olhar para os rostinhos animados e aliviados das crianças, percebeu que não tinha coragem de estragar a brincadeira delas.

Enquanto isso, alguns garotos que estavam por perto começaram a ficar curiosos.

— O que vocês estão fazendo? — perguntou um deles, segurando um carrinho de brinquedo.

— Estamos transformando ele em uma boneca, quer tentar? — respondeu uma das meninas com um sorriso desafiador.

Os garotos se entreolharam e, antes que Draco percebesse, estavam todos em volta dele, agora também sendo arrastados para as cadeiras ao lado.

— Não! — protestou um menino. — Eu sou um dragão feroz, não quero penteados!

— Dragões também precisam de tranças! — rebateu uma das meninas, decidida, já trançando o cabelo dele.

No fim, Draco olhou ao redor e não pôde evitar um sorriso. Ali estava ele, cercado por crianças com tranças desiguais, rostos pintados com batons borrados e uma felicidade que parecia contagiar o ambiente.

Por mais caótica que fosse a situação, Draco percebeu que, naquele momento, havia algo de bonito em tudo isso. As crianças, mesmo depois do terror que haviam enfrentado, conseguiam encontrar alegria em algo tão simples quanto brincar de bonecas — e, aparentemente, ele e os outros meninos não tinham escolha a não ser participar.

Quando Bellatrix passou pelo salão e viu a cena, ela soltou uma risada alta.

— Draco, você está deslumbrante! — provocou. — Quem diria que meu sobrinho seria um modelo tão bom para penteados!

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora