Severus Snape estava à beira de perder a paciência. O cheiro acre de poções queimadas ainda impregnava suas vestes, resultado de três caldeirões explodidos em menos de uma hora. Os alunos da primeira série pareciam incapazes de seguir as instruções mais básicas, transformando sua sala de aula em um caos fumegante.
Ele massageou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça pulsar enquanto olhava para o estrago.
— Será que é pedir demais que saibam a diferença entre pó de chifre de unicórnio e pó de osso de dragão? —, pensou, sua irritação evidente em cada linha de sua expressão carrancuda.
Enquanto tentava organizar o desastre, um ardor familiar percorreu o antebraço esquerdo. Ele congelou, apertando os lábios em uma linha fina. O chamado. Voldemort estava exigindo sua presença.
Resmungando baixinho, Severus olhou para os alunos aterrorizados que ainda limpavam a bagunça.
— Deixem tudo exatamente como está. Voltem para suas casas e tentem não explodir mais nada até amanhã. — Ele falou com frieza, sua voz cortante como uma lâmina.
Recolhendo sua capa, saiu da sala com passos longos e decididos, ignorando os olhares confusos dos estudantes que o viram desaparecer pelos corredores. Ele precisava sair de Hogwarts sem levantar suspeitas. No entanto, a tensão em seus ombros só aumentava.
Chegando ao portão da escola, Severus se deparou com Filch, que o encarava com suas sobrancelhas espessas franzidas.
— Vai a algum lugar, professor? — perguntou Filch, sua voz áspera cheia de curiosidade.
Severus lançou um olhar gelado para o zelador.
— Livraria. Preciso de alguns volumes que não estão disponíveis na biblioteca de Hogwarts. — Sua resposta foi curta e direta, sua expressão impenetrável. Ele não dava margem para questionamentos.
Sem esperar uma resposta, saiu dos terrenos da escola e aparatou para o local marcado no chamado. Assim que seus pés tocaram o chão, Severus inspirou fundo, ajustando sua postura e escondendo qualquer vestígio de frustração.
Ele sabia que, na presença de Voldemort, qualquer hesitação poderia custar caro.
Severus atravessou os portões da mansão com passos rápidos e tensos, o tecido negro de sua capa roçando o chão de mármore frio. Ele estava acostumado com a atmosfera pesada que envolvia os encontros na casa dos Lestrange, mas algo estava diferente naquela noite. O silêncio era inquietante, como se todos estivessem esperando algo além do normal.
Logo ao entrar, foi recebido por Bellatrix Lestrange. A mulher, geralmente cheia de arrogância e provocação, agora exibia uma expressão que ele raramente via: choque. Seus olhos estavam arregalados, e suas mãos tremiam levemente enquanto seguravam algo pequeno e brilhante.
— Sev, você precisa ver isso! — disse ela, sua voz carregada de algo que parecia quase... medo.
Severus arqueou uma sobrancelha, confuso, mas manteve sua habitual máscara de indiferença. Lentamente, estendeu a mão e viu Bellatrix colocar algo em sua palma com cuidado. Era uma pulseira delicada, feita de prata pura, incrustada com pequenos rubis que brilhavam fracamente sob a luz das tochas. Ele a reconheceu imediatamente.
A pulseira da família Prince.
O ar pareceu fugir de seus pulmões, e ele se sentiu momentaneamente atordoado. Seus dedos tremeram levemente enquanto segurava o objeto. Ele conhecia cada detalhe daquela peça, desde o fecho até o entalhe discreto que exibia o brasão de sua antiga família. Era uma herança, algo que ele nunca quis carregar, mas que havia passado para outra pessoa que ele jurou proteger.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
