Kali

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O clima na cabana estava tenso, as paredes de madeira rangendo levemente com o vento frio que vinha de fora. Lá dentro, os quatro campeões estavam reunidos em silêncio, cada um lidando à sua maneira com o nervosismo da primeira tarefa do Torneio Tribruxo. Cedrico Diggory mantinha um sorriso tenso, Krum parecia indiferente, Fleur observava tudo com uma expressão séria, e Harry, de pé no canto, analisava o ambiente com calma aparente, embora seu coração batesse acelerado.

No centro da cabana, um caldeirão encantado estava disposto sobre uma mesa de madeira. Dentro dele, quatro pequenos sacos de veludo se moviam sozinhos, como se estivessem vivos, cada um contendo uma miniatura de dragão. O professor Bartô Crouch, com sua postura rígida, explicou as regras com uma voz firme.

— Cada um de vocês irá sortear um dragão. Essa será a criatura que terão de enfrentar na primeira tarefa. O objetivo é recuperar o ovo dourado que o dragão estará protegendo. Lembrem-se, não se trata apenas de força, mas de estratégia e habilidade.

Os olhos de Harry passaram pelos outros campeões, notando que todos tinham expressões tensas. Ele respirou fundo, tentando parecer confiante. Fleur foi a primeira a se aproximar do caldeirão. Sua mão delicada entrou no saco de veludo e, com um puxão suave, ela retirou uma miniatura de dragão verde com escamas brilhantes.

— Um Focinho-Curto Sueco, — anunciou Crouch.

Fleur sorriu, embora fosse um sorriso forçado, e voltou para seu lugar. Krum foi o próximo. Ele pegou o saco com uma expressão neutra e retirou uma miniatura de dragão negro, suas asas imponentes e olhos brilhantes.

— Um Rabo-Córneo Húngaro, — informou Crouch, enquanto Krum apenas acenava, aparentemente inabalável.

Cedrico se aproximou em seguida, puxando um dragão dourado com cauda espinhosa.

— Um Meteoro-chinês , — disse Crouch, lançando um olhar para Cedrico, que deu um sorriso curto e retornou ao seu lugar.

Agora era a vez de Harry. Ele respirou fundo, sentindo todos os olhares sobre ele enquanto se aproximava do caldeirão. O peso da responsabilidade parecia dobrar em seus ombros. Colocou a mão no saco de veludo e sentiu algo quente e escamoso. Quando puxou, revelou um dragão vermelho, suas asas abertas em um movimento ameaçador e uma rajada de fogo saindo de sua boca em miniatura.

— Um Rabo-Córneo Húngaro , — anunciou Crouch, a voz ecoando pela cabana.

O coração de Harry apertou ao olhar para o dragão. Ele sabia que aquele era um dos mais agressivos. Olhou para o pequeno dragão em sua mão e pensou por um momento em Tom, imaginando o que o homem acharia de sua escolha. Ele sabia que Tom estava assistindo tudo de longe, observando cada movimento. Harry esboçou um sorriso de canto, tentando parecer despreocupado, e voltou para o lugar onde estava.

Com todos os dragões sorteados, Crouch deu as últimas instruções.

— A primeira tarefa começará amanhã. Estejam prontos, campeões. Boa sorte a todos.

Quando os campeões começaram a sair, Harry ainda estava processando a escolha do dragão. Ele sabia que a tarefa seria perigosa, mas a única coisa que conseguia pensar era no quanto precisava vencer. Não apenas por si mesmo, mas para provar que era capaz, para Tom, para todos que duvidavam dele.

Antes de sair da cabana, ele deu uma última olhada para o Rabo-Córneo Húngaro em miniatura, sentindo uma onda de determinação tomar conta de si.

— Eu vou vencer, — pensou, fechando os punhos. E com isso, saiu da cabana, pronto para o que viria.

Naquela tarde, o céu estava encoberto, e a atmosfera em Hogwarts parecia mais carregada que o normal. Harry havia recebido um recado para comparecer ao escritório de Dumbledore, e, mesmo desconfiado, seguiu as instruções. Ao chegar na gárgula de pedra que guardava a entrada, murmurou a senha — "Feijõezinhos de Todos os Sabores" — e a escadaria em espiral se revelou.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora