capítulo 27.

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Eu saí da cozinha como se o ar ali estivesse me sufocando

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Eu saí da cozinha como se o ar ali estivesse me sufocando. Cada passo até o escritório ecoava na mansão silenciosa, o som pesado das minhas botas contra o piso de madeira acompanhando a batida acelerada de meu coração. Eu mal conseguia pensar direito.

O rosto de Bianca ainda estava gravado em minha mente — os olhos cheios de lágrimas, a cabeça baixa, a postura quebrada. Mas isso só me deixava mais irritado. Não porque ela chorava, mas porque aqueles gestos mexiam com algo em mim, algo que eu preferia ignorar.

Empurro a porta do escritório com força, sem se preocupar em fechá-la com delicadeza. O som da madeira batendo ecoou pelo corredor, mas eu não me importava. Caminho direto até o bar no canto da sala, pego uma garrafa de uísque e despejando o líquido âmbar em um copo. Bebo tudo de uma vez, a garganta queimando enquanto o álcool descia.

Tom - Maldita Bianca — murmuro para mim mesmo, apoiando as minhas mãos na beira do balcão.

A raiva estava pulsando em minhas veias, mas agora havia algo mais, algo que eu odiava admitir. Medo. Eu odiava a sensação de não estar no controle, de ver tudo pelo qual trabalho ser ameaçado por uma decisão que eu não tomou.

Eu me jogo na cadeira de couro atrás da escrivaninha, com o copo ainda em minha mão. O escritório era o único lugar onde eu me sentia no comando, cercado pelos mapas, contratos e papéis que guiavam o império que eu, Bill, Georg e Gustav havíamos construído.

Mas, naquele momento, nem o conforto do ambiente conseguia apagar a imagem de Bianca.

"Por que você fez aquilo?"

Eu me perguntava pela milésima vez, embora já soubesse a resposta. Eu a conhecia o suficiente para saber que, na mente dela, a decisão era justificada. Ela era esperta, rápida, mas às vezes, na minha opinião, perigosamente impulsiva.

Tom - Sempre tentando ser a heroína — murmuro, girando o copo na mão.

Eu não podia negar que havia uma parte em mim que admirava a coragem de Bianca, a força que ela tinha quando enfrentava desafios. Mas isso não significava que ela podia agir sozinha, sem pensar nas consequências. Eu tinha regras, e essas regras eram a única coisa que mantinha todos nós vivos e no topo.

O problema era que, por mais furioso que estivesse, eu não conseguia ignorar o outro lado de tudo isso. O lado que me deixava ainda mais irritado: eu me importava com ela. Mais do que gostaria.

Lembrava-me do olhar dela na cozinha, cheio de medo. Não era a primeira vez que via alguém com aquele olhar, mas nunca antes aquilo o incomodara tanto. Eu queria que ela entendesse que o que fizera não era apenas perigoso — era pessoal. Era eu que pagava o preço por tudo.

Eu respiro fundo, inclinando-me para frente e apoiando os cotovelos na mesa. Eu precisava encontrar uma forma de resolver aquilo. Não podia deixar Bianca continuar achando que era intocável, mas também não podia deixar a raiva controlar.

◇Diferenças◇Histórias para pegar e não largar. Descubra agora