Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
Chegamos à mansão no final da noite. As luzes externas iluminavam a entrada, e eu desci do carro sem dizer uma palavra. O dia com meus pais tinha sido um respiro que eu nem sabia que precisava, mas voltar para aquele lugar trouxe de volta o peso da realidade. Tom estava ao meu lado, sério como sempre, mas com uma expressão pensativa que eu não conseguia decifrar.
Quando entramos, Simone estava sentada no sofá da sala de estar, com um copo de vinho na mão e um olhar que misturava curiosidade e determinação.
Simone - Ah, que bom que chegaram. — Ela disse, colocando o copo na mesa e se levantando. — Bianca, Tom, venham até a biblioteca. Precisamos conversar.
Eu troquei um olhar rápido com Tom, que apenas deu de ombros antes de seguir a mãe. Suspirei e o acompanhei. Simone raramente fazia pedidos sem uma boa razão, então imaginei que isso não seria apenas uma conversa casual.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Segui minha mãe até a biblioteca, já sabendo onde aquilo ia parar. Ela era uma mulher perspicaz e sabia ler as pessoas melhor do que qualquer um. Desde o primeiro momento que Bianca pisou na mansão, Simone observava tudo, e agora parecia determinada a intervir.
Sentamo-nos no sofá de couro escuro. Bianca manteve uma distância segura de mim, os olhos ainda carregados de cautela. Simone nos encarou por um momento antes de falar.
Simone - Acho que está na hora de vocês resolverem as coisas. — Disse ela, direta como sempre.
Tom - Não há nada para resolver. — Respondi automaticamente, minha voz fria.
Simone - Claro que há, Tom. Não me trate como se eu fosse ingênua. — Ela rebateu, cruzando os braços. — Bianca, me diga, o que realmente está acontecendo entre vocês?
Bianca hesitou, olhando para o chão como se tentasse encontrar as palavras certas.
Bianca - Ele... Ele é muito controlador. — Ela finalmente disse, a voz baixa, mas firme. — Não consigo confiar nele.
As palavras dela me atingiram como um soco, mas mantive minha expressão inalterada.
Tom - Controlador? — Repeti, minha voz carregada de sarcasmo. — Eu controlo porque sei o que é melhor para você. Se eu não fizesse isso, você estaria morta ou pior.
Bianca - E você acha que isso justifica tudo? — Bianca me encarou, os olhos brilhando com raiva e mágoa. — Eu não sou um objeto, Tom.
Minha mãe interveio antes que eu pudesse responder.
Simone - Basta. — Disse ela com firmeza, nos fazendo calar. — Vocês dois precisam aprender a se comunicar sem se atacarem. Tom, você tem que entender que não pode controlar tudo. E Bianca, precisa aceitar que Tom está tentando mudar, mesmo que de forma desajeitada.
Eu bufei, mas me mantive em silêncio. Minha mãe tinha o talento de me fazer sentir como um adolescente sendo repreendido.
Simone - Tom, você precisa ser honesto com ela. Não como um mafioso, mas como um homem. Diga a ela o que sente. — Disse Simone, apontando para mim.
Eu engoli em seco. Não era algo que eu fazia. Mas o olhar insistente da minha mãe me deixou sem saída.
Tom - Bianca... — Comecei, evitando olhar diretamente para ela. — Eu sei que errei. Sei que fui duro demais com você. Mas eu... — Parei, lutando contra as palavras. — Eu só quero te proteger. É só isso.
Ela me encarou por alguns segundos, surpresa pela minha confissão.
Bianca - Você não precisa ser tão cruel para me proteger, Tom. — Respondeu, a voz mais suave. — Só quero... Quero sentir que sou mais do que uma responsabilidade para você.
Tom - Você é. — Falei, quase num sussurro.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Aquele momento foi um divisor de águas. Pela primeira vez, eu vi algo em Tom além da frieza e controle. Vi vulnerabilidade, ainda que ele tentasse escondê-la.
Simone nos observava com um pequeno sorriso, como se estivesse satisfeita com o progresso.
Simone - É um começo. — Disse ela, se levantando. — Vou deixar vocês dois sozinhos. Tentem não brigar.
Ela saiu, deixando o silêncio pairar sobre nós.
Bianca - Obrigada por me deixar ver meus pais. — Falei, quebrando o silêncio.
Tom - Eu devia ter feito isso antes. — Ele admitiu, para minha surpresa.
Bianca - Talvez. Mas ainda assim, obrigada.
Tom apenas assentiu, sem saber o que dizer.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Do lado de fora, enquanto caminhava para a cozinha, ouvi o som abafado de uma risada vinda da biblioteca. Sorri para mim mesma, satisfeita.
Tom ainda tinha muito a aprender, mas estava no caminho certo. E Bianca, apesar de tudo, tinha uma força que eu admirava.
Talvez, só talvez, eles conseguissem encontrar um equilíbrio. Afinal, até mesmo nas sombras de nossas vidas, havia espaço para luz.