Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
Eu não conseguia dormir, eu estava perdendo a paciência. O silêncio no quarto, que deveria me dar um momento de alívio, só servia para alimentar meu descontentamento. As últimas semanas foram um teste constante, e Bianca, com sua teimosia e impulsividade, parecia empenhada em desafiar cada limite que eu colocava.
Ela estava na cama, fingindo que dormia, mas eu sabia que não. A respiração dela era muito irregular, os pequenos movimentos das mãos denunciavam seu nervosismo. Eu não sabia se era medo ou outra coisa, mas não me importava no momento.
Levantei-me do sofá com um movimento brusco, indo até o closet para pegar uma edredom limpo. Ouvi o leve ranger do colchão quando ela se mexeu, provavelmente espiando o que eu estava fazendo.
Tom - Se tem algo pra falar, fala logo. - Minha voz cortou o silêncio como uma lâmina.
Ela não respondeu de imediato, e isso só me irritou ainda mais.
Bianca - Não tenho nada pra dizer... - A voz dela era baixa, quase um sussurro.
Virei-me para encará-la, jogando o edredom sobre a cadeira ao lado. Caminhei até a cama, parando ao pé dela, com meus braços cruzados.
Tom - Então para de agir como se estivesse pisando em ovos toda vez que eu entro no quarto ou faço alguma coisa. Se eu quisesse fazer algo, Bianca, já teria feito.
Ela ergueu o olhar para mim, mas não conseguiu sustentar. Desviou rapidamente, como se meu rosto fosse algo que a queimava. Isso deveria me satisfazer, mas, em vez disso, algo dentro de mim ficou ainda mais inquieto.
Tom - Olha pra mim. - Ordenei, minha voz mais baixa, mas tão afiada quanto antes.
Ela hesitou, mas finalmente obedeceu. Os olhos dela estavam grandes, carregados de medo e algo mais que eu não conseguia identificar.
Tom - Eu não sou seu inimigo aqui. Mas você está me forçando a ser alguém que eu não quero. Cada vez que faz uma besteira, cada vez que ignora o que eu digo, você coloca tudo em risco. Não só você, mas eu, meus irmãos e tudo o que construímos. - Aproximei-me um pouco mais, inclinando-me para que ela não tivesse escolha a não ser me ouvir. — Então, a partir de agora, você vai seguir minhas ordens sem questionar. Tá entendendo!?
Ela assentiu rapidamente, mas não era suficiente.
Tom - Eu perguntei se entendeu — pego o rosto da mesma apertando com força
Bianca - Entendi... - Ela respondeu, a voz tremendo.
Suspirei, afastando-me e voltando para o sofá. A raiva ainda borbulhava, mas, ao mesmo tempo, havia algo dentro de mim que queria que ela parasse de olhar para mim desse jeito, como se eu fosse um fosse fazer algo com ela.
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Ele é insuportável. Cada palavra, cada movimento dele parecia carregado de uma autoridade que esmagava qualquer tentativa minha de reagir. Eu sabia que Tom era perigoso, mas, às vezes, parecia que ele fazia questão de lembrar disso a cada segundo.
Depois que ele voltou para o sofá, o quarto caiu em um silêncio estranho. Eu queria dizer algo, queria me defender, mas as palavras simplesmente não saíam. Em vez disso, fiquei deitada, encarando o teto, tentando ignorar a presença esmagadora dele.
Mas algo dentro de mim não conseguia ignorar completamente. Por mais rude e controlador que Tom fosse, ele sempre parecia... me proteger. Era sutil, quase imperceptível, mas estava lá.
Eu tinha visto como ele lidou com um dos homens do desfile que havia falado algo sobre mim. Tom não gritou, não fez alarde, mas o olhar que ele lançou ao cara foi o suficiente para saber o que aconteceria depois.
E então havia os pequenos gestos. Como ele sempre se certificava de que eu comia, mesmo quando estava bravo. Como ele me dava um cobertor extra quando a noite ficava fria. Ele nunca admitiria, mas havia algo nele que o impedia de me deixa sem proteção... mesmo que fosse por algo pequeno.
Esses pensamentos me deixavam confusa. Eu não sabia como lidar com Tom. Ele era cruel e protetor ao mesmo tempo, e isso fazia meu estômago revirar.
Bianca - Por que você é assim? - A pergunta escapou dos meus lábios antes que eu pudesse me conter.
Tom ergueu o olhar do celular, franzindo a testa.
Tom - Assim como?
Bianca - Grosso. Frio. Mas, ao mesmo tempo, você... - Minha voz falhou. Eu não sabia como terminar a frase.
Ele me encarou por um momento, e eu podia ver que ele estava tentando decidir se valia a pena responder.
Tom - Porque é assim que as coisas funcionam, Bianca. Frieza mantém você vivo. Bondade faz você morto.
Houve algo na maneira como ele disse isso, algo que me fez perceber que ele não estava apenas me ensinando uma lição. Ele estava falando de si mesmo.
Bianca - E quanto a mim? - Perguntei, baixinho.
Ele hesitou, e isso me surpreendeu.
Tom - Você ainda não entende o que está nesse jogo. Mas, por enquanto, você é minha responsabilidade. Então, você segue as minhas regras e vive. Simples assim.
Simples. Era o que ele dizia, mas nada sobre Tom era simples.
Fechei os olhos, tentando ignorar a dor de cabeça que suas palavras sempre me causavam. No fundo, eu sabia que ele tinha razão sobre algumas coisas. Mas isso não tornava as ordens dele mais fáceis de engolir.