Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Eu sabia que ele voltaria. Desde o momento em que ouvi o som das rodas da van no cascalho da entrada, meu corpo ficou tenso. Quando a porta do quarto se abriu e Tom entrou, senti o ar pesar. Ele estava exausto, os ombros rígidos, as botas sujas de poeira e algo que parecia sangue seco.
Ele não disse nada de imediato, apenas foi até o closet, tirando a jaqueta e deixando-a cair sobre uma cadeira próxima. Eu permaneci sentada na cama, de pernas cruzadas e um livro aberto no colo que eu nem estava lendo. Minha respiração estava controlada, mas o coração batia acelerado.
Tom finalmente quebrou o silêncio.
Tom - Por que ainda está acordada?
Sua voz era baixa, mas carregava um peso que me fazia querer responder rápido.
Bianca - Eu... não consegui dormir.
Ele olhou para mim de relance, como se pudesse ver através da minha desculpa. Não era mentira, mas também não era a verdade completa. Eu não conseguia dormir porque sabia que, apesar do cansaço dele, ainda havia uma tempestade dentro de Tom, algo que ele não mostrava facilmente.
Tom - Hm. - Ele murmurou, tirando as botas com movimentos metódicos e indo até o banheiro.
Quando ele voltou, minutos depois, estava com uma camiseta preta e calças de moletom. O contraste entre o Tom que acabara de chegar e o Tom à minha frente agora era desconcertante. Ele parecia mais humano, mas ainda assim, intimidante.
Tom - A cama é sua também. Pode usar. - Ele disse, seco, antes de se sentar no sofá próximo à janela.
Era a mesma cena da noite anterior. Ele não dormia na cama comigo, mas também não deixava o quarto. Algo naquela postura me incomodava, mas eu não tinha coragem de dizer nada.
Deitei-me lentamente, cobrindo-me com o edredom e tentando manter os olhos fechados. O silêncio entre nós era quase insuportável, cada movimento dele parecia amplificado no ambiente.
Depois de alguns minutos, não consegui mais me conter.
Bianca - Você não vai dormir?
Ele suspirou, o som pesado no silêncio da noite.
Tom - Eu durmo quando quiser.
Engoli em seco. Não era uma resposta que me convencia, mas eu sabia que insistir seria inútil.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Ela estava inquieta. Eu podia sentir isso mesmo sem olhar diretamente para ela. Bianca tentava se acomodar na cama, mas cada movimento dela parecia mais uma tentativa de fugir da tensão no ar.
Eu fiquei no sofá, olhando para a escuridão além da janela, minha mente ainda processando os acontecimentos da noite. O carregamento tinha chegado em segurança, mas isso não significava que estávamos livres de problemas. Havia sempre outra ameaça à espreita, esperando por uma oportunidade para nos derrubar.
Bianca era um desses problemas. Não porque ela quisesse ser, mas porque era impulsiva, teimosa e, pior, vulnerável. E eu odiava essa vulnerabilidade, porque ela me fazia sentir algo que eu não queria.
Bianca - Você está bravo comigo? - A voz dela quebrou meus pensamentos.
Virei-me lentamente para encará-la. Ela estava deitada, mas os olhos me observavam com cuidado, como se temesse minha resposta.
Tom - Não. - Respondi, curto.
Ela franziu a testa, claramente não acreditando.
Bianca - Parece que está.
Suspirei, passando a mão pelas tranças. Eu não estava bravo, não exatamente. Estava frustrado. Com ela, comigo, com a situação inteira.
Tom - Bianca, eu só quero que você entenda as consequências das suas ações. Não é sobre estar bravo ou não. É sobre o que está em jogo.
Ela ficou em silêncio por um momento, os olhos baixos.
Bianca - Eu sei... eu só... às vezes é difícil entender tudo isso.
Eu me levantei, indo até a cama e parando ao lado dela. Cruzei os braços, olhando para ela de cima.
Tom - Não precisa entender tudo agora. Mas precisa seguir minhas regras. É isso que vai te manter viva.
Os olhos dela encontraram os meus, e por um instante, vi algo que me fez hesitar: dor. Não física, mas emocional. Algo que ela escondia bem, mas que transparecia em momentos como esse.
Eu me sentei na beira da cama, mantendo uma distância segura, mas o suficiente para que ela sentisse o peso das minhas palavras.
Tom - Eu não faço isso porque quero controlar você. Na verdade também, mas, faço porque não posso deixar nada acontecer com você.
As palavras saíram antes que eu pudesse processá-las completamente, mas eu não as retirei. Era a verdade, ainda que me incomodasse admitir.
Ela me olhou com surpresa, e eu podia ver a confusão em seus olhos.
Bianca - Tom...
Levantei-me antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, voltando para o sofá.
Tom - Durma. Amanhã é outro dia.
O silêncio voltou a preencher o quarto, mas desta vez parecia menos pesado. Eu sabia que as coisas entre nós estavam longe de serem resolvidas, mas, por enquanto, isso era o suficiente.
Fechei os olhos, finalmente deixando o cansaço me vencer. Mesmo assim, uma parte de mim permaneceu alerta, como sempre. Eu não podia me dar ao luxo de relaxar completamente. Não enquanto o mundo ao nosso redor permanecia tão instável. E não enquanto Bianca ainda era um elo tão frágil nesse jogo perigoso.