Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
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O sol da manhã iluminava suavemente a cidade, filtrando-se pelas cortinas da janela do meu quarto. Eu acordo cedo, ainda com a mente cheia de pensamentos sobre a noite anterior, refletindo sobre as conversas com Bianca e os meninos. A sensação de que o futuro estava prestes a se desdobrar de uma maneira inesperada e, ao mesmo tempo, inevitável, estava latente em meu peito.
A casa ainda estava tranquila, com os ecos da festa passada quase apagados, mas eu sabia que, em breve, tudo tomaria uma nova direção. O bebê, agora, parecia ser o centro de tudo. Meus pensamentos estavam mais focados nele, no futuro que eu queria criar para ele, longe de tudo o que eu temia, mas, ao mesmo tempo, sabia que o mundo em que vivíamos não permitiria que tudo fosse tão simples.
Na cozinha, o aroma do café recém-passado invadiu o ambiente, e eu preparo o café da manhã, com a cabeça ainda girando entre os sentimentos de amor, medo e as incertezas do que estava por vir. Enquanto mexia na xícara, ouvi os primeiros sons do dia, o som de uma mensagem chego ao meu celular.
Era de Bianca.
"Oi, amiga! Já está acordada? Tenho uma entrevista importante hoje, e estou um pouco nervosa. Precisava de uma companhia. Será que pode vir me dar uma força? Beijos!"
Eu sorri, vendo a mensagem. Embora o dia estivesse começando de uma forma calma, eu sabia que a rotina de Bianca era muito diferente da minha. Bianca sempre tinha compromissos, entrevistas, sessões de fotos e eventos importantes, sempre envolvida no glamour de seu trabalho como modelo. E, naquele momento, eu senti uma vontade genuína de estar ao lado dela, de ajudá-la a enfrentar o nervosismo que, com certeza, estava sentindo antes de uma grande oportunidade.
Com um suspiro, eu respondi:
"Claro, vou te ajudar! Vou me arrumar e te encontro ai. Boa sorte, amiga!"
Eu tomo meu café, me vesti de maneira simples, mas confortável, e sai em direção ao quarto de Bianca
Chegando no quarto de Bianca, eu bato na porta e fui recebida com um sorriso leve, mas um olhar que entregava uma leve tensão. Bianca estava de roupão, já com o cabelo parcialmente arrumado e uma maquiagem suave, mas a ansiedade em seu olhar era visível.
Bianca — Oi, amiga! — Bianca disse, abrindo a porta. — Obrigada por me ajudar. Eu estou um pouco... bem, nervosa.
Eu sorri e a abraço rapidamente.
Ana — Não precisa agradecer. Sei como é. Como você está se sentindo? — eu pergunto, tentando aliviar a tensão da mesma.
Bianca suspirou, tirando o roupão e indo até o espelho, olhando seu reflexo com uma expressão que demonstrava a pressão de estar sempre impecável.
Bianca — Eu sei que isso é o que eu sempre faço, mas, hoje, parece ser diferente. Essa entrevista pode ser o que vai me levar para o próximo nível. Se eu me sair bem, vou assinar contrato com uma nova agência, e isso significa muito. — Ela deu um sorriso forçado, tentando disfarçar a ansiedade. — Eu só... não quero decepcionar ninguém, principalmente a mim mesma.
Eu a observava com um olhar atento. Sabia que Bianca estava lidando com mais do que apenas uma simples entrevista de trabalho. Para ela, cada oportunidade era uma chance de se provar, não só como modelo, mas como mulher em um mundo competitivo e muitas vezes cruel.
Ana — Eu sei que você vai arrasar, Bianca. Você é incrível em tudo o que faz. E, além disso, você tem algo que nenhum contrato ou foto vai conseguir capturar: sua essência. — Eu falei, com um sorriso sincero, aproximando-se para ajeitar um detalhe na maquiagem de Bianca. — Não importa o que aconteça, você sempre será única.
Bianca sorriu, visivelmente tocada pelas palavras. A confiança que eu transmitia parecia ser o que ela precisava para se acalmar.
Bianca — Obrigada, Ana. Sério. Você sempre sabe o que dizer para me acalmar. — Ela fez uma pausa e, com um sorriso mais relaxado, completou. — Agora, só espero que eu consiga controlar os nervos.
Eu ri levemente, sentindo uma cumplicidade que era única.
Ana — Eu não tenho dúvidas de que vai ser um sucesso. E se precisar de qualquer coisa, eu estarei aqui.
Bianca respirou fundo e olhou para o relógio, percebendo que estava na hora de sair. Ela se levantou, ajeitou o vestido elegante que usava e deu uma última olhada no espelho, tentando se convencer de que estava pronta.
Bianca — Ok, vamos lá. Eu posso fazer isso. Obrigada por estar aqui, amiga. — disse ela, mais confiante, com os olhos brilhando de determinação.
Ana — É o Tom? Não vai??
Bianca — Ele foi na frente, queria ver se estava tudo bem lá mas depois ele vai voltar pra cá pra resolver umas coisas
Ana — Ah sim kkkkk
Enquanto saíam, eu percebi que, apesar das diferenças entre nós, a amizade que compartilhávamos era algo raro e precioso. Bianca, com seu mundo de luzes, câmeras e passarelas, e eu, com minha vida mais simples e tranquila, eram um contraste, mas se completavam de maneiras que nem sempre podiam ser explicadas.
No caminho até o local da entrevista, a conversa entre nos duas se manteve leve e descontraída, mas o nervosismo de Bianca era palpável. Eu sabia que, por trás de toda a confiança que ela exibia, havia uma mulher cheia de inseguranças e desafios internos. Mas isso nunca a impediu de seguir em frente, de lutar pelo que queria.
Quando chegamos ao prédio da agência onde Bianca faria a entrevista, eu dou-lhe um abraço rápido e digo:
Ana — Vai dar tudo certo, confia em você. Eu estou torcendo por você, como sempre.
Bianca sorriu e, com um último olhar de agradecimento, entrou no edifício, pronta para enfrentar o próximo passo em sua jornada. Eu fico ali, observando-a, sabendo que, mesmo nos momentos de nervosismo, Bianca sempre encontrava a força para continuar.
E, enquanto observava a porta fechar, eu não pude deixar de pensar sobre as escolhas que eu também teria de fazer em breve, sobre o futuro de meu filho e a vida que eu queria criar. Talvez, no fundo, eu ainda estivesse tentando entender em que mundo meu filho cresceria. Mas, por enquanto, eu estava ali para apoiar minha amiga, como sempre faria.