Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
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Já tinha se passado uma semana desde o caos do hospital, e agora Ana finalmente estava de seis meses. Isso significava que o pequeno Theo logo estaria aqui, e os meninos decidiram que era hora de arrumar o quarto dele.
E quando eu digo "os meninos", quero dizer que Bill assumiu o controle da decoração como se fosse um projeto de vida ou morte.
Bill — Precisamos de um tema perfeito! — ele dizia enquanto segurava dois tons de azul.
Georg — É só um quarto, Bill. — Georg resmungou.
Bill — Só um quarto? Só um quarto?! Seu monstro sem coração!
Gustav riu, enquanto Tom, Georg e ele começaram a montar os móveis. Eu e Ana ficamos sentadas, assistindo ao desastre acontecer.
Ana — Isso vai demorar o dia inteiro, né? — Ana cochichou para mim.
Bianca — Com certeza.
No meio da bagunça de tintas, móveis e Bill surtando porque "o berço estava dois centímetros fora do lugar", percebi que Tom, do nada, parou o que estava fazendo e saiu do quarto sem falar nada.
Franzi a testa. Ele não era do tipo que fugia no meio de um trabalho.
Me levantei discretamente e o segui até o escritório.
Ele estava sentado na poltrona, cotovelos apoiados nos joelhos, esfregando o rosto com as mãos.
Bianca — Tá tudo bem, meu anjo? — perguntei suavemente, fechando a porta atrás de mim.
Ele levantou a cabeça e suspirou.
Tom — Tô.
Bianca — Mentiroso.
Caminhei até ele e me sentei no braço da poltrona, passando a mão pelos seus cabelos trançados.
Bianca — O que foi, Tom?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
Tom — Eu só... tava vendo todo mundo animado com o quarto do Theo e percebi que ele vai estar aqui logo.
Bianca — Sim... e isso é maravilhoso, não é?
Ele suspirou de novo.
Tom — É. Mas também significa que ele vai crescer nesse mundo em que a gente vive, Bianca.
Ah... então era isso.
Me abaixei até ficar de frente para ele, segurando seu rosto entre minhas mãos.
Bianca — Você tá preocupado com ele crescer no meio da máfia, né?
Ele assentiu levemente.
Tom — Eu sei que a gente pode protegê-lo, mas... eu vejo o jeito que Ana olha para a barriga, cheia de sonhos, esperando um futuro bom para ele. E eu fico pensando se a gente pode realmente dar isso pra ele.
Bianca — Tom... — suspirei, acariciando seu rosto. — Você pode não ter vindo do melhor lugar, mas eu sei que faria qualquer coisa pelo Theo. Ele não poderia ter tios melhores do que vocês. E a Ana? Bom, ela já é uma leoa por esse bebê.
Ele me olhou nos olhos, e eu vi a preocupação ainda presente ali.
Tom — E se um dia ele quiser se afastar desse mundo?
Bianca — Então vamos deixar. Vamos dar a ele a escolha que nenhum de vocês teve.
Ele ficou em silêncio por um momento, refletindo sobre minhas palavras.
Depois de um tempo, ele segurou minha cintura e me puxou para o seu colo, enterrando o rosto no meu pescoço.
Tom —Como você sempre sabe o que dizer?
Sorri, acariciando seus cabelos.
Bianca — Porque eu te conheço, meu anjo. E eu sei que, no fundo, você só quer que ele tenha o que você nunca teve.
Tom — É... — ele murmurou contra minha pele. — Talvez eu só esteja pirando à toa.
Bianca — Talvez. — brinquei, beijando o topo da sua cabeça. — Agora vem, senão o Bill vai pintar o quarto inteiro de rosa enquanto você não tá lá para impedir.
Ele soltou um riso fraco e se levantou comigo no colo.
Tom — Tá bom, vamos antes que isso vire um quarto de princesa.
Voltamos para o quarto do bebê, e como eu esperava, Bill já estava segurando um pote de tinta rosa, enquanto Gustav e Georg tentavam impedir o desastre.
Tom suspirou alto.
Tom — Eu saio por DEZ MINUTOS e já tá essa bagunça!
Ana riu, e eu apenas sorri, sabendo que, apesar de todas as preocupações, esse bebê teria a melhor família que poderia pedir.