capítulo 10.

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07/04 •

° 08:10 A.M °

Acordei com a luz do sol invadindo meu quarto pelas frestas da cortina. Senti o coração acelerado, uma inquietação estranha. Tinha sido uma noite difícil, cheia de pensamentos confusos e um peso no peito que parecia impossível de aliviar. Eu precisava de um tempo para organizar minha mente, mas parecia que tudo ao meu redor estava desmoronando.

Estava sentada no sofá, tentando tomar coragem para enfrentar o dia, quando ouvi a campainha tocar. Olhei para o relógio: 08h da manhã. Quem poderia ser tão cedo?

Levantei-me devagar e fui até a porta. Quando abri, lá estava Jaden, segurando uma sacola pequena nas mãos e com uma expressão séria.

Ana — Jaden? O que está fazendo aqui? — perguntei, confusa.

Jaden — A gente precisa conversar, Ana. — Ele entrou sem esperar convite e colocou a sacola sobre a mesa de centro. — E você vai ter que fazer isso agora.

Olhei para a sacola e, ao perceber o que estava dentro, senti meu coração parar.

Ana — Jaden, o que é isso? — tentei soar firme, mas minha voz tremeu.

Jaden — Você sabe o que é, Ana. — Ele me encarou com um olhar firme, mas não agressivo. — "Você anda estranha há semanas. Fala menos, está sempre preocupada. E eu sei que você suspeita, então... é melhor confirmar de uma vez.

Peguei a sacola com as mãos trêmulas e tirei o teste de gravidez de dentro. Olhei para ele como se fosse uma bomba prestes a explodir.

Ana — Eu não posso...

Jaden — Pode, sim. — Ele cruzou os braços. — E, sinceramente, você precisa saber. Não dá pra adiar isso mais, Ana.

Fui para o banheiro com o coração batendo descontroladamente. Fechei a porta e olhei para o teste nas minhas mãos. Minhas pernas tremiam, e eu me apoiei na pia, respirando fundo várias vezes antes de fazer o que precisava.

Os minutos que se seguiram foram os mais longos da minha vida. Quando o resultado apareceu, senti meu mundo virar de cabeça para baixo. Positivo.

Abri a porta devagar e encarei Jaden, que estava sentado no sofá, esperando. Ele se levantou ao me ver, e a expressão no meu rosto provavelmente disse tudo.

Jaden — É positivo, não é? — ele perguntou, a voz mais baixa agora.

Apenas balancei a cabeça, confirmando. Senti as lágrimas começarem a cair, e ele veio até mim, segurando meus ombros.

Jaden — Ei, calma. Respira, Ana. Vai ficar tudo bem, ok?

Ana — Não vai ficar tudo bem, Jaden! — explodi, afastando-me dele. — Eu nem sei o que fazer! Eu não planejei isso! Minha vida já está um caos, e agora isso...

Jaden — Você não está sozinha nisso. — Ele tentou me acalmar. — Mas... Ana, você precisa me dizer. Quem é o pai?

Senti meu estômago revirar. As palavras dele me atingiram como um soco. Eu sabia que essa pergunta viria, mas encarar a realidade parecia impossível.

Jaden — Ana, fala comigo. Quem é o pai?

Evitei olhar para ele, mas finalmente, com a voz quase inaudível, respondi:

Ana — Javon...

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Finalmente criei coragem para encará-lo, e vi a raiva surgir em seu rosto.

Jaden — Meu irmão?! — Ele deu um passo para trás, claramente tentando processar o que acabara de ouvir.

Ana — Jaden, por favor, não faz isso ser pior do que já é.

Jaden — Ana, você tem ideia do que está dizendo? Javon? O cara que... que não consegue levar nada a sério? O cara que... droga! — Ele passou as mãos pelos cabelos, claramente frustrado. — Você sabe que ele não vai assumir esse filho, né?

Ana — Eu não quero que ele assuma nada! — gritei de volta. — Eu nem sei o que eu vou fazer ainda! Eu só... eu só precisava de um momento para respirar!

Jaden ficou em silêncio por alguns segundos, tentando se acalmar. Finalmente, ele deu um longo suspiro e falou:

Jaden — Olha, Ana, eu não vou mentir. Isso me deixou furioso. Mas... eu não vou deixar você passar por isso sozinha, ok? Mesmo que Javon seja um idiota... e ele é..., você tem a mim. E vou te ajudar no que for preciso.

As palavras dele me pegaram de surpresa. Depois de tudo, eu não esperava que ele fosse tão compreensivo.

Ana — Jaden... — comecei, mas ele me interrompeu.

Jaden — Não. Não precisa dizer nada agora. A gente vai resolver isso. Só... promete que vai me deixar ajudar.

Eu assenti, sentindo as lágrimas escorrerem novamente. Dessa vez, eram lágrimas de alívio.

Ana — Obrigada.

Ele apenas balançou a cabeça e me deu um abraço apertado.

Enquanto ele me segurava, percebi que, apesar de todo o caos, eu não estava completamente sozinha. E, pela primeira vez em semanas, senti que talvez, só talvez, eu conseguisse enfrentar o que estava por vir.

◇Diferenças◇Histórias para pegar e não largar. Descubra agora