capítulo 33.

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Acordei no meio da noite, sentindo a garganta seca

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Acordei no meio da noite, sentindo a garganta seca. O quarto estava escuro, com apenas um feixe de luz da lua entrando pelas cortinas mal fechadas. Olhei para o lado e vi Bianca deitada na cama, o corpo imóvel, mas sabia que ela não estava dormindo profundamente. Ela nunca dormia.

Levantei-me silenciosamente, indo até o banheiro. A água fria no rosto ajudou a clarear a mente. Ultimamente, meus pensamentos estavam uma bagunça. Entre a máfia, os carregamentos, e a presença constante de Bianca, era um milagre eu ainda estar funcionando.

Saí do banheiro e, quando meus olhos se ajustaram à penumbra, percebi que algo estava errado. A cama estava vazia.

Franzi a testa, olhando ao redor do quarto até que a vi. Bianca estava no sofá onde eu costumava dormir, encolhida, tentando encontrar uma posição confortável nos assentos pequenos.

Tom — O que você está fazendo? — Minha voz saiu baixa, mas carregada de irritação.

Ela se mexeu ligeiramente, olhando para mim com os olhos ainda pesados de sono.

Bianca — Você precisa descansar, Tom. — A voz dela era suave, quase gentil. — Você sempre dorme no sofá por minha causa. Achei que poderia dormir na cama hoje.

Por um momento, fiquei sem palavras. Era tão raro ouvir Bianca dizer algo que não fosse um desafio ou uma reclamação. Olhei para ela, tentando decifrar se aquilo era genuíno ou mais uma tentativa de manipulação.

Tom — Bianca... — Comecei, mas parei.

Ela puxou o cobertor que eu deixava no sofá e fechou os olhos, como se estivesse decidida a ignorar qualquer argumento meu.

Suspirei, passando a mão pelos cabelos. Meu primeiro instinto foi mandá-la de volta para a cama, mas parei. Eu realmente precisava de uma boa noite de sono, e discutir com ela só iria me manter acordado.

Deitei na cama, o corpo afundando no colchão que há semanas eu mal usava. Fechei os olhos, tentando ignorar a inquietação que crescia em meu peito.

O silêncio do quarto era quase ensurdecedor. Por mais confortável que estivesse na cama, algo não parecia certo. Não era apenas o vazio ao meu lado; era o fato de que Bianca estava naquele sofá pequeno, desconfortável, enquanto eu estava aqui.

Bufei baixinho, virando-me na cama.

Tom — Bianca. — Chamei, minha voz firme o suficiente para atravessar o silêncio.

Ela não respondeu de imediato, mas percebi quando ela abriu os olhos e me encarou.

Bianca — O que foi?

Tom — Vem pra cama.

Bianca — Tom, eu... — Ela começou, mas eu levantei a mão, cortando qualquer desculpa que ela tivesse na ponta da língua.

Tom — Não quero ouvir. Só deita aqui.

Ela hesitou, olhando para mim como se tentasse entender minha súbita mudança de atitude.

Tom — Vai ficar me encarando ou vai obedecer? — Resmunguei, impaciente.

Ela finalmente se levantou do sofá, puxando o cobertor consigo. Quando se aproximou da cama, parecia hesitante, como se esperasse que eu mudasse de ideia no último segundo.

Tom — Vai deitar ou quer que eu desenhe? — Minha voz ainda estava seca, mas não tão rude quanto antes.

Bianca se deitou do lado oposto da cama, o mais distante possível de mim, como se estivesse tentando não invadir meu espaço.

Por um momento, nenhum de nós disse nada. O silêncio voltou a preencher o quarto, mas, dessa vez, parecia um pouco menos sufocante.

Tom — Eu só fiz isso porque você é incapaz de dormir direito naquele sofá. — Falei, sem olhá-la.

Bianca — Eu sei. — A voz dela era quase um sussurro.

Fechei os olhos, tentando ignorar a sensação estranha que a presença dela tão próxima provocava. Eu podia sentir a respiração dela, lenta e tranquila, e isso me incomodava de um jeito que eu não sabia explicar.

Mas, pela primeira vez em semanas, senti que talvez — só talvez — conseguiria dormir.

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