Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
O som da campainha ecoou pela mansão, interrompendo a calma momentânea que reinava. Eu estava no escritório, revisando os relatórios que Gustav tinha enviado sobre o ataque no shopping. Quando ouvi Bill abrir a porta e cumprimentar nossa mãe com entusiasmo, respirei fundo. Sabia que aquele dia seria mais longo do que o normal.
Simone Kaulitz, nossa mãe, era uma força da natureza. Não havia como negar sua energia vibrante e o efeito quase imediato que ela tinha sobre todos ao seu redor. Era reconfortante para Bill e as vezes irritante para mim, principalmente porque ela nunca hesitava em se intrometer.
Saí do escritório lentamente, ouvindo as vozes vindas da sala. Ela já havia tomado conta do ambiente, como sempre fazia.
Simone - Meus meninos! — Ela exclamou, sua risada ecoando enquanto abraçava Bill e Georg.
Quando ela me viu, seu sorriso se alargou.
Simone - Tom! Olha só você, sempre tão sério. — Ela caminhou até mim e me puxou para um abraço
Tom - Mãe. — Respondi secamente, mas acabei cedendo ao abraço dela.
Ela deu um passo para trás, me analisando com um olhar que só ela tinha.
Simone - Você parece cansado. Está se alimentando direito? Dormindo bem? — Antes que eu pudesse responder, ela virou-se para Bianca, que estava parada perto da mesa de jantar.
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Eu não sabia como reagir quando a mãe de Tom se aproximou. Ela parecia tão calorosa e genuína, o oposto do que eu esperava.
??? - E você deve ser a Bianca. — Disse ela, sorrindo amplamente antes de me puxar para um abraço inesperado. — Já ouvi falar muito de você.
Bianca - Ah... é um prazer conhecê-la, senhora Kaulitz. — Respondi, tentando soar educada.
??? - Me chame de Simone, querida. Senhora me faz sentir velha. — Ela piscou para mim, arrancando um sorriso hesitante.
Apesar do ambiente leve que Simone trouxe, eu ainda me sentia deslocada. Principalmente porque podia sentir o olhar de Tom sobre mim. Ele estava me analisando, como sempre fazia, e isso só aumentava minha ansiedade.
Simone continuou distribuindo sua atenção, brincando com Georg e Gustav, que a adoravam. Ela fazia piadas sobre coisas triviais, como as decorações da casa ou as roupas sérias de Bill, arrancando risadas de todos.
Mas mesmo com o clima descontraído, eu não conseguia relaxar completamente.
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Eu observava minha mãe enquanto ela transformava o ambiente. Era como um vendaval, tirando qualquer tensão com sua presença. Até Bianca parecia um pouco mais à vontade, embora ainda estivesse visivelmente nervosa.
Simone - Vamos todos almoçar juntos! — Simone declarou, animada. — Vou na cozinha ver o que podemos preparar.
Antes que alguém pudesse argumentar, ela já estava caminhando em direção à cozinha, arrastando Bill com ela para ajudá-la.
Aproveitei o momento para sair dali e voltar ao escritório. Precisava de um minuto para respirar antes que minha mãe voltasse com perguntas sobre meu comportamento ou, pior, sobre Bianca.
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Depois do almoço, notei que Tom estava mais quieto do que o normal. Isso não era exatamente uma novidade, mas algo parecia diferente. E quando ele finalmente explodiu com Bianca por algo pequeno — um copo que ela deixou no lugar errado —, soube que precisava intervir.
Esperei até que ele voltasse ao escritório antes de segui-lo.
Simone - Tom, podemos conversar? — Disse, abrindo a porta sem bater.
Ele suspirou, recostando-se na cadeira.
Tom - Claro, mãe. Entre.
Sentei-me na cadeira em frente à mesa dele, cruzando as pernas e encarando-o.
Simone - O que está acontecendo com você? — Perguntei diretamente.
Tom - Nada. — Ele respondeu, mas evitava meu olhar.
Simone - Não minta para mim, Tom. Eu vi como você falou com Bianca. Isso não é normal.
Ele esfregou as têmporas, claramente irritado.
Tom - Mãe, isso não é da sua conta.
Simone - Claro que é. — Respondi. — Você não pode tratá-la assim. Sei que você acha que está no controle, mas, Tom, as pessoas têm limites. E ela já está próxima do dela.
Ele ficou em silêncio, mas eu sabia que minhas palavras estavam acertando o alvo.
Tom - Você não entende, mãe. — Ele finalmente disse, a voz baixa. — Não posso simplesmente confiar nela. Não sei do que ela é capaz.
Simone - Talvez porque você nunca deu a ela uma razão para confiar em você. — Retruquei. — Tom, você precisa parar de agir como se todo mundo fosse seu inimigo. Nem todos estão aqui para te derrubar.
Ele olhou para mim, e por um momento, vi a vulnerabilidade em seus olhos.
Tom - Estou tentando protegê-la. — Disse, quase num sussurro.
Simone - Então comece a mostrar isso. — Respondi, suavizando meu tom. — Porque, do jeito que está agindo, ela só vai te ver como outra ameaça.
Levantei-me, colocando uma mão no ombro dele.
Simone - Pense no que eu disse. — Completei antes de sair do escritório, deixando-o sozinho com seus pensamentos.
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Naquele dia, Simone conseguiu algo que ninguém mais parecia capaz: trazer um pouco de luz para aquele ambiente pesado. Mas, ao mesmo tempo, ela trouxe à tona verdades que eu sabia que Tom não estava pronto para enfrentar.
Quando me retirei para o quarto mais tarde, ouvi passos no corredor. Meu coração acelerou quando a porta se abriu e Tom entrou. Ele não disse nada, mas o olhar dele era diferente. Havia algo mais suave ali, embora ele ainda carregasse aquela frieza característica.
Talvez, só talvez, Simone tivesse conseguido plantar uma semente de mudança...