Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
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Depois de um tempo no escritório, revisando os relatórios de Gustav e lidando com os negócios da máfia, decidi subir. A casa estava silenciosa, quase como se o peso do dia tivesse sugado toda a energia dela. Quando entrei no quarto, Bianca estava sentada na cama, os joelhos dobrados e as mãos entrelaçadas no colo.
Ela olhou para mim rapidamente, mas desviou o olhar. O silêncio entre nós era quase ensurdecedor, mas eu sabia que ela tinha algo na cabeça. Sempre dava para perceber quando ela queria falar e não tinha coragem.
Tom - Fala de uma vez, Bianca. — Minha voz soou seca enquanto eu tirava o paletó e o jogava sobre uma cadeira.
Ela hesitou, mordendo o lábio inferior antes de finalmente levantar os olhos para mim.
Bianca - Por quanto tempo isso vai continuar? — Ela perguntou, a voz quase um sussurro.
Tom - Isso o quê? — Respondi, arqueando uma sobrancelha enquanto afrouxava a gravata.
Bianca - Essa... situação. Eu sendo vigiada a cada segundo, controlada. Não posso nem respirar sem que você me lembre de que estou sob suas regras.
Soltei uma risada fria e irônica, virando-me para encará-la completamente.
Tom - Situação? Você chama isso de situação? Você não tem ideia de como o mundo lá fora funciona, Bianca. A única razão pela qual você ainda está viva é porque eu estou no controle. Cada regra, cada olhar que você chama de vigilância, é o que está te protegendo de ser engolida por algo muito maior do que você consegue imaginar.
Bianca - E você acha que isso me faz feliz? — Ela rebateu, levantando-se.
A coragem dela me surpreendeu, mas não deixei transparecer.
Tom - Felicidade não é prioridade aqui, Bianca. Sobrevivência é. E até que você entenda isso, continuaremos nesse jogo onde eu tomo as decisões e você obedece.
Bianca - Eu sou uma pessoa, Tom, não uma marionete. — Ela retrucou, a voz um pouco mais firme agora.
Tom - E pessoas morrem todos os dias nesse mundo, principalmente as que acham que têm liberdade. — Respondi, aproximando-me dela. — Você pode achar que estou sendo duro, mas acredite, Bianca, a alternativa é muito pior.
Ela engoliu em seco, mas não desviou o olhar. Havia algo nos olhos dela, uma mistura de raiva e medo, mas também uma centelha de compreensão.
Bianca - Então é isso? Eu devo aceitar tudo isso sem questionar? — Ela perguntou, quase desafiadora.
Tom - Você não tem outra escolha. — Respondi, meu tom baixo, mas firme.
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Eu queria gritar com ele. Queria dizer que ele não tinha o direito de decidir minha vida dessa forma. Mas as palavras de Tom eram como um lembrete constante de que ele tinha razão, por mais que eu odiasse admitir.
Bianca - É sempre assim com você, não é? — Murmurei, afastando-me um pouco. — Tudo tem que ser do seu jeito.
Tom - Sim. E sabe por quê? Porque meu jeito funciona. — Ele cruzou os braços, a expressão tão fria quanto sua voz.
A raiva borbulhava em mim, mas ao mesmo tempo, eu sabia que não podia desafiá-lo além do limite. Então, apenas suspirei e me sentei novamente na cama, tentando ignorar o aperto no meu peito.
Ele ficou em silêncio por um momento, apenas me observando. Finalmente, ele deu alguns passos para mais perto, parando a uma distância que não era exatamente confortável.
Tom - Eu não espero que você entenda agora, Bianca. Mas algum dia, quando olhar para trás, vai perceber que tudo o que fiz foi para te manter viva. — Ele disse, a voz mais baixa, quase um sussurro.
Não respondi. Não sabia o que dizer.
Tom respirou fundo e se afastou, indo até o lado dele da cama e tirando os sapatos antes de se deitar. Mesmo com toda a tensão no ar, havia algo nele que ainda parecia... protetor. Algo que me fazia querer acreditar que, de alguma forma, ele estava sendo sincero.
Eu me deitei também, mantendo uma distância segura entre nós. A escuridão do quarto parecia absorver o peso das palavras que não foram ditas.
Tom - Boa noite, Bianca. — Ele disse finalmente, sua voz um pouco mais suave.
Bianca - Boa noite, Tom. — Respondi, quase em um sussurro.
Fechei os olhos, mas o sono demorou a chegar. Mesmo com toda a frieza e controle, havia algo em Tom que me deixava confusa — uma dualidade entre proteção e poder que parecia impossível de decifrar.