Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
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Eu estava sentado na cadeira no escritório da mansão, o ambiente silencioso, exceto pelo leve som das teclas do notebook enquanto eu navegava por arquivos e documentos. Desde que Bianca chegou à sua vida, eu tinha o hábito de investigar tudo sobre ela. Não era apenas por curiosidade, mas por proteção. Eu queria saber tudo que pudesse representar perigo, mesmo vindo de seu passado.
Mas, naquela madrugada, eu encontro algo que jamais esperava.
O nome de Bianca apareceu em um registro antigo de um hospital britânico. Sua mãe... biológica, Emily Devis Mallmann, havia morrido no parto... Ao continuar lendo, descobri que Bianca nunca viveu com sua mãe. A mulher que Bianca sempre chamou de mãe, Charlotte, era na verdade sua tia materna, que havia assumido a responsabilidade de criá-la junto com Christopher, o pai biológico de Bianca.
Eu ficou em choque. Eu leio o relatório mais de uma vez, como se procurasse alguma falha ou erro, mas tudo fazia sentido. Bianca era britânica, nascida em Londres, e não em Las Vegas, como sempre acreditou. Eu já sabia disso, mas não sabia que a mesma não sabia de tudo isso... pelo visto eu não sabia tantas coisas sobre ela, e acho que nem ela mesma sabia. A ficha dela estava toda ali, clara como o dia.
Eu fecho o notebook, passando a mão pelo rosto. Como contaria isso a Bianca? Ou melhor, deveria contar?
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Eu estava sentada na cama, lendo um livro, quando ouvi a porta do quarto abrir lentamente. Tom entrou, parecendo sério, com um olhar preocupado que eu raramente via.
Bianca - O que foi? — Eu pergunto, fechando o livro e me levantando. — Está tudo bem?
Tom - Precisamos conversar. — Ele disse, a voz baixa e controlada.
Eu senti um calafrio.
Bianca - Sobre o quê?
Tom hesitou, ele se sentou na beira da cama e fez sinal para que eu me aproximasse.
Tom - Bianca, enquanto eu estava investigando algumas coisas, encontrei algo sobre você... sobre o seu passado.
Bianca - Meu passado? — Eu franzi a testa, confusa. — O que tem?
Tom respirou fundo.
Tom - Sua mãe... Charlotte... não é sua mãe biológica. Ela é sua tia.
Eu congelo, com o coração disparando.
Bianca - Como assim? — A minha voz saiu como um sussurro.
Tom - Sua mãe biológica morreu no dia em que você nasceu. Charlotte é irmã dela. Ela e seu pai decidiram te criar juntos. — Tom explicou com cuidado, tentando medir suas palavras.
As memórias vieram como um raio na minha mente. Eu lembro de quando estava visitando meus pais, sentada com o álbum de fotos em mãos:
"Bianca - Nossa, eu nasci grande, né? Kkkkk."
"Charlotte - Ah... é, você nasceu bem grande. Kkkkk."
Christopher - "E não cresceu muito, né? Kkkkk."
O nervosismo na voz da minha mãe agora fazia sentido. As pequenas pausas, os olhares desviados... tudo se encaixava.
Bianca - Eles nunca me contaram... — eu disse, com a voz embargada.
Tom estendeu a mão, mas não sabia se devia me tocar. Eu, por outro lado, me jogo em seus braços, e começo a chorar descontroladamente.
Bianca - Eles mentiram para mim, Tom... minha vida inteira. — Eu soluço.
Tom me segurou com firmeza, acariciando suas costas de forma tranquilizadora.
Tom - Ei... calma. Eles não mentiram porque queriam te enganar, Bianca. Eles te amaram. Te deram um lar.
Bianca - Mas eu... nem sabia quem eu era. — Eu funguei, enterrando o rosto no peito dele.
Tom - Você é Bianca. — Ele disse com convicção. — Isso não muda nada sobre quem você é.
Eu continuava a chorar, o peso da verdade esmagando meu coração.
Bianca - E eu sou britânica... Não nasci em Las Vegas. Tudo que eu achava que sabia...
Tom - Isso não importa. — Tom interrompeu suavemente. — O lugar onde você nasceu, ou quem deu à luz a você, não define quem você é. Você é forte, resiliente, e é a Bianca que todos amam.
Eu ergui o olhar para ele, as lágrimas ainda rolando pelo meu rosto.
Bianca - Você acha?
Tom - Eu sei. — Ele respondeu com um sorriso fraco, secando as minhas lágrimas com o polegar.
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Por um longo momento, Bianca ficou ali, nos meus braços, sentindo a segurança que eu proporcionava.
Bianca - Obrigada... — Ela sussurrou.
Tom - Não precisa me agradecer. — eu respondi. — Eu estou aqui. Sempre estarei.
E naquela noite, Bianca adormeceu nos meus braços, finalmente sentindo que, apesar de tudo, tinha um porto seguro em sua vida.