capítulo 31.

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O caminho de volta para casa foi silencioso.

Gudan dirigia com foco total, os olhos fixos na estrada. No banco de trás, eu segurava minha mãe nos braços, sentindo o corpo dela tão frágil contra o meu. Ela estava consciente, mas muito fraca. Seu rosto machucado me enchia de raiva.

Eu nunca deveria ter deixado isso acontecer.

Minha mãe, Simone Kaulitz, sempre esteve fora do meu mundo. Ela nunca teve envolvimento com a máfia, nunca precisou se sujar com esse lado da minha vida. Mas esses desgraçados acharam que podiam usá-la para chegar até mim.

Eles pagaram por isso com a vida.

Agora, eu só precisava garantir que ela ficasse bem.

Simone — Filho... — sua voz saiu fraca.

Segurei sua mão com cuidado.

Tom — Shhh, mãe. Não fala agora, descansa.

Ela sorriu suavemente, mesmo com o rosto coberto de hematomas.

Simone — Você sempre foi tão mandão...

Suspirei, apertando um pouco mais sua mão.

Tom — E você sempre foi teimosa.

Ela soltou um riso fraco antes de fechar os olhos.

Gudan olhou para mim pelo retrovisor.

Gudan — Acha que ela vai ficar bem?

Tom — Ela vai ficar bem. — afirmei, determinado.

Nada ia acontecer com minha mãe. Eu ia cuidar dela como ela cuidou de mim a vida inteira.

Depois de mais alguns minutos, finalmente chegamos à mansão. Assim que Gudan estacionou, eu saí do carro e peguei minha mãe nos braços, carregando-a com todo o cuidado do mundo.

A porta da mansão já estava aberta quando entrei.

Bianca e Ana estavam na sala, esperando por nós.

Assim que Bianca viu minha mãe, ela levou uma das mãos à boca, os olhos arregalados de preocupação.

Bianca — Meu Deus, Tom...

Ana, mesmo grávida, se levantou de imediato.

Ana — Ela está bem?

Tom — Agora está. — respondi, minha voz firme.

Bianca — Vou preparar um quarto para ela. — Bianca disse, já subindo as escadas apressada.

Eu segui para um dos quartos de hóspedes e a deitei na cama com todo o cuidado. Minha mãe abriu os olhos lentamente e sorriu para mim.

Simone — Você sempre foi tão protetor...

Tom — Você que me ensinou a ser assim.

Ela tentou levantar a mão para tocar meu rosto, mas estava fraca demais. Peguei sua mão com delicadeza e a segurei entre as minhas.

Pouco depois, Bianca voltou com um kit de primeiros socorros e algumas toalhas úmidas.

Bianca — Aqui, meu anjo. — ela disse baixinho, me entregando tudo.

Me sentei ao lado da cama e, com todo o carinho do mundo, comecei a limpar os ferimentos dela.

Era estranho estar no lugar oposto dessa vez.

Minha vida inteira, foi minha mãe quem cuidou de mim. Quem limpou meus joelhos ralados quando eu caía, quem passou noites em claro quando eu ficava doente, quem enxugou minhas lágrimas quando eu sofria.

E agora, era minha vez.

Respirei fundo antes de começar a limpar os ferimentos.

Olhando para minha mãe, machucada e frágil, um peso enorme caiu sobre meu peito.

Eu nunca me perdoaria por isso.

Ela sempre me protegeu, minha vida inteira. Cuidou de mim e do Bill sozinha, fez tudo para nos manter longe dos perigos do mundo. E agora, por minha causa, ela tinha passado por isso.

Passei um pano úmido no rosto dela, removendo o sangue seco. A cada machucado que via, sentia meu sangue ferver.

Ela nunca deveria ter passado por isso.

Passei uma pomada nos cortes do rosto dela com delicadeza, tentando ignorar a raiva que ainda queimava dentro de mim.

Simone — Você sempre foi tão bom nisso... — ela sussurrou.

Tom — Nisso o quê?

Simone — Em cuidar de quem ama.

Engoli em seco, tentando conter a emoção.

Tom — Eu só tô retribuindo tudo o que você já fez por mim, mãe.

Ela sorriu suavemente e ergueu a mão para tocar meu rosto.

Simone — Você cresceu tão bem, meu filho. Você sempre teve mãos gentis... — ela murmurou, observando enquanto eu cuidava dela.

Tom — Aprendi com você.

Continuei limpando os cortes, passando pomada nos ferimentos e checando cada detalhe.

Me lembrei de quando eu era criança e caía enquanto brincava. Ela sempre estava lá, limpando meus machucados, assoprando para diminuir a dor.

Agora era minha vez de cuidar dela.

Bianca se sentou ao meu lado e segurou minha mão livre.

Bianca — Ela vai ficar bem, meu amor.

Tom — Ela nunca devia ter se machucado. — minha voz saiu mais rouca do que eu gostaria.

Minha mãe apertou minha mão fracamente.

Simone — Meu filho, você sempre quis carregar o mundo nas costas...

Fechei os olhos por um segundo, tentando conter a emoção.

Tom — Você é o meu mundo, mãe.

Ela sorriu suavemente, e vi seus olhos começarem a se fechar.

Tom — Agora dorme. Eu vou estar aqui quando você acordar.

Ela não discutiu. Apenas fechou os olhos, respirando de forma mais tranquila.

Fiquei ali, observando-a dormir.

Bianca passou os braços ao redor dos meus ombros e me puxou para um abraço.

Bianca — Ela está segura agora, Tom. Você a trouxe de volta.

Abracei Bianca com força, finalmente sentindo um pouco da tensão sair do meu corpo.

Minha mãe estava segura.

E enquanto eu estivesse vivo, ninguém jamais tocaria nela de novo.

◇Diferenças◇Histórias para pegar e não largar. Descubra agora