Bianca sempre teve o sonho de se tornar uma modelo famosa, mas a vida pode mudar em um piscar de olhos. Aos 17 anos, seus planos são desfeitos por um inesperado e assustador reviravolta. Agora, ela precisa enfrentar os próprios medos e segredos que...
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O café da manhã deveria ser o momento mais calmo do dia. Um intervalo curto entre as preocupações da noite anterior e os problemas que inevitavelmente viriam. Mas, como de costume, Bianca tinha o dom de transformar qualquer coisa em uma provocação ao meu controle.
Ela chegou atrasada, como sempre. A cadeira foi arrastada de forma quase desleixada, e ela se sentou sem nem olhar para mim. Bill já estava lá, folheando o jornal como se o mundo fosse perfeito, enquanto Georg e Gustav trocavam informações sobre uma entrega futura.
Eu a observei por cima da minha xícara de café, esperando por qualquer deslize. Bianca era como uma bomba-relógio: pequena, aparentemente inofensiva, mas capaz de destruir tudo ao seu redor se não fosse controlada.
Bianca — Eu queria saber... — A voz dela quebrou o silêncio, e imediatamente meu corpo ficou tenso. Ela nunca começava uma frase assim sem causar um problema depois. — Quando vou poder falar com os meus pais?
Eu coloquei a xícara sobre a mesa com mais força do que deveria, o som ecoando pelo ambiente. Bill ergueu os olhos do jornal, já prevendo o que estava por vir.
Tom — Bianca — comecei, a voz firme, mas sem elevar o tom. — Você sabe que isso não é possível.
Ela franziu a testa, como se não entendesse algo que eu já havia explicado mil vezes.
Bianca — Mas já faz semanas, Tom. Eles devem estar preocupados. Eu só quero...
Tom — Não. — Cortei, seco, olhando diretamente para ela. — Isso não vai acontecer.
Ela abriu a boca para argumentar, mas antes que pudesse, Bill interveio, como sempre.
Bill — Tom, talvez você pudesse... sei lá, considerar. Só uma ligação curta, sob supervisão...
Eu virei para Bill, sentindo a irritação ferver. Ele sempre fazia isso. Sempre dava a ela uma falsa esperança, uma brecha para desafiar minhas regras.
Tom — Não. — Minha voz agora estava mais firme, com o tom deixando claro que o assunto estava encerrado. — É por causa de você, Bill, que ela pensa que pode fazer o que quiser. Você sempre a defende. Sempre.
Bill deu de ombros, um pequeno sorriso desafiador no rosto.
Bill — Eu só estou tentando manter a paz, Tom.
Tom — A paz? — Ri, sem humor. — É por causa da sua "paz" que ela quase nos colocou em perigo antes. Você acha que está ajudando, mas está apenas piorando as coisas.
Bianca ficou em silêncio, os olhos baixos enquanto eu falava. Mas eu sabia que ela estava absorvendo cada palavra, esperando o momento certo para se colocar como a vítima.
Tom — Bianca, você tem sorte de ainda estar viva e aqui, sentada, comendo na nossa mesa. Eu já disse antes: sua segurança depende de mim. E eu decido o que é melhor para você. Seus pais não fazem parte desse mundo. Não agora, e talvez nunca.
Bianca — Talvez nunca? — Ela finalmente levantou a cabeça, os olhos cheios de incredulidade. — Você não pode estar falando sério!
Tom — Estou. — Respondi, encarando-a. — Porque este é o único jeito de garantir que eles continuem seguros.
Ela balançou a cabeça, como se estivesse tentando entender algo impossível.
Bill, mais uma vez, tentou intervir.
Bill — Tom, você não acha que está sendo...
Tom — Chega, Bill. — Levantei-me, jogando o guardanapo sobre a mesa. — Se você quer tanto defendê-la, faça isso quando ela estiver cometendo mais uma idiotice. Mas aqui, nessa casa, nessa mesa, ela segue as minhas regras!
Caminhei até a porta, parando por um momento antes de sair.
Tom — E Bianca, essa foi a última vez que você perguntou sobre os seus pais. Não vou repetir.
Saí antes que ela ou Bill pudessem responder, meus passos ecoando pelo corredor.
Eu entrei no escritório e fechei a porta com força, o som reverberando pelas paredes. Respirei fundo, tentando controlar a raiva. Eu sabia que Bill tinha boas intenções, mas ele não entendia que Bianca não era apenas uma garota indefesa. Ela era um problema constante, e problemas no meu mundo podiam custar vidas.
Parei em frente à janela, olhando para a cidade distante lá fora. Eu não podia ceder, não podia ser mole. Cada regra que eu colocava existia por um motivo. Mas, ao mesmo tempo, havia algo em Bianca que sempre me fazia hesitar — um impulso estranho de protegê-la, mesmo quando ela fazia questão de me desafiar.
Ela não entendia o que eu estava fazendo por ela. E talvez nunca entendesse.
•Quebra de tempo•
Quando voltei para o quarto a noite, Bianca estava sentada na beira da cama, con os olhos fixos em algo invisível. Ela não olhou para mim quando entrei, e por um instante, pensei em simplesmente ignorá-la. Mas então, algo me fez parar.
Tom — Você ainda está pensando nisso, não está? — Perguntei, com a minha voz mais controlada desta vez.
Ela não respondeu de imediato, mas finalmente ergueu o olhar para mim.
Bianca — Eles são meus pais, Tom. Você sabe o que isso significa?
Cruzei os braços, mantendo-me firme.
Tom — Significa que eles estarão seguros se ficarem longe de você.
Ela mordeu o lábio, claramente segurando algo que queria dizer. Mas, dessa vez, ela ficou quieta.
Tom — Boa noite, Bianca. — digo, tirando a jaqueta e indo para o sofá.
Eu sabia que ela não ia esquecer. Mas, por enquanto, isso era o máximo que ela conseguiria de mim. E talvez, no fundo, ela começasse a entender que, por mais frio que eu sou, tudo o que eu fazia era para mantê-la viva.