Para ser muito sincera, eu tinha esquecido que era aniversário do Caio. Foi um longo dia de trabalho e a ideia do show de talentos ficou latejando na minha cabeça, me impedindo de pensar em qualquer outra coisa que não se relacionasse com os dois mil reais. Ou com a parede de Igor cheia de posters do Alex.
Por isso, fiquei surpresa quando entrei na nossa vila e percebi que, mesmo do portão que separava a vila da rua, eu conseguia ouvir o som ensurdecedor e ver as luzes que brilhavam pela janela da casa dos meus vizinhos. Para quem não estava empolgado com o aniversário, aquela era uma senhora festa
Arrastei-me sorrateiramente para minha própria casa, abrindo o portão de ferro e a porta da cozinha sem ser percebida por nenhum dos convidados festeiros do outro lado do muro. Então continuei me arrastando até meu quarto, escada acima, onde larguei minha mochila, peguei uma roupa qualquer no armário e fui tomar banho.
Tentei acordar e me empolgar com a festa iminente, mas a verdade é que minha vontade era de colocar meu lindo pijama e deitar na minha confortável cama. Porém, eu não podia fazer isso. Era aniversário do Caio. Irmão da minha melhor amiga. Meu melhor amigo. E meu peguete nas horas vagas? É, e meu sabe lá Deus mais o quê.
Enfiei-me em um vestido vermelho e calcei minhas sapatilhas douradas. Nem sequer passei uma escova no cabelo, pensando que quanto mais rápido eu fosse, mais cedo poderia voltar. Peguei o embrulho do presente que tinha comprado pra ele na semana anterior e desci de volta para vila, andando na direção de sua casa.
Até conseguir chegar à porta da sala, tive que me espremer muitas vezes. Havia uma infinidade de pessoas do portão de ferro da casa até a porta, apertadas em um pequeno corredor. Isso era só um prelúdio do que estava acontecendo lá dentro. A sala dos Lopez estava irreconhecível com a quantidade de pessoas, cerveja e bagunça. Eu estava me preparando para correr para fora quando Mariana apareceu na minha frente, em um dos seus vestidos esvoaçantes.
— Ah, aí está você! — disse ela sorrindo ao me estender uma lata aberta de cerveja.
— Oi — respondi meio intimidada, empurrando a cerveja de volta. — Quanta gente, hein.
— Eu sei! — ela suspirou. — Deu um trabalhão para conseguir falar com todos esses amigos perdidos do meu irmão, mas acho que valeu a pena, né? Todo mundo veio.
Ah! Foi Mari quem chamou todas essas pessoas! Agora faz mais sentido. É bem típico dela. Eu levantei os olhos de novo, tentando reconhecer algum amigo de Caio que eu conhecesse. A verdade é que eu não conhecia muitos. Ok, talvez a verdade verdadeira fosse que ele não fizesse questão de apresentar muitos amigos. Mesmo assim, quando levantei os olhos para encarar todas aquelas pessoas dançando e conversando, só vi pessoas que eu conhecia. Ou seja, só vi amigos de MARIANA.
— Onde está ele? — perguntei, levantando meu presente.
— Da última vez que o vi, estava na sinuca. — respondeu rapidinho, olhando para alguma coisa atrás de mim. Eu olhei por cima do ombro e vi Igor passando pela porta, parecendo tão assustado com a quantidade de pessoas quanto eu. — Já volto!
— Não sabia que vocês tinham uma sinuca.
— Nós não temos! — ela ainda gritou atrás de mim, antes de eu perdê-la na multidão.
Eu ainda fiquei alguns minutos parada no meio daquela confusão, tentando digerir o que era tudo aquilo. Uma festa de aniversário para Caio onde só estão amigos da Mariana e uma sinuca que alguém trouxe? É possível trazer uma sinuca? Será que isso foi uma espécie de presente? Quem é que tem dinheiro para comprar a droga de uma SINUCA de aniversário para alguém?
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Tiete!
Teen Fiction"Mariana é minha melhor amiga desde sempre. Provavelmente quando nós duas estávamos na barriga de nossas mães já tínhamos um dialeto próprio e passávamos horas conversando. - Então a fofoca é que Alex está cotado para fazer um filme novo que vai ser...
