Capítulo 15

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Assim que eu entrei todos os olhares se voltaram para mim e eu estava chocada porque meu outro eu se levantou e me encarou.

Ela era ruiva, olhos azuis e completamente igual a mim. Tinha um belo corpo e expressão angelical. Me olhava surpresa e as lágrimas logo começaram a cair.

Todos murmuravam um " Oh! " e eu fui levada ate uma cadeira ao lado de um homem cabeludo que vestia um terno preto.

Me sentei, um pouco confusa. Ninguém falava nada, a única em que podia se ouvir era is soluços do meu outro eu. A mulher estava ao lado do rei então ela tinha que ser a rainha. Usava um vestido rosa com mangas curtas e seu cabelo estava preso em coque elegante.

- A aparência é notada com facilidade.

Disse um homem de terno azul, quebrando o silêncio.

- Qual o seu nome minha jovem? - Perguntou uma mulher de idade, sentada a minha frente.

- Ca.. Catherine. - Limpei a garganta. - Catherine Alonzo.

Eles não estavam pensando em me despedir pois eu já estaria na rua, usando trapos em vez desta roupa.

- Não é nome dela... - Murmuravam.

Eu estava cada vez mais confusa. Meu paeito batia como uma martelada abafada com um pano. Todos me olhavam como se eu fosse uma celebridade.

- Alguém pode me explicar o que está havendo? - Resolvi falar alguma coisa.

Alguns murmuravam e outros ficaram calados, logo o rei se levantou.

- Catherine Alonzo. Uma jovem desconhecida, vista poucas vezes na região. Morava com a mãe Anelize Johnson em uma fazenda no surbubio de Roulx. Isso é verdade?

- S-sim. - Respondi.

Eu estava nervosa e não conseguia me conter.

- Algumas semanas atrás, Anelize Johnson foi encontrada morta na sua propria casa e havia indícios de brigas dentro da residência. Dois guardas do palácio foram mortos e havia sangue dentro da casa. O DNA do sangue revelou a identidade de outra pessoa que não foi identificada. Suspeitaram que fosse da filha : Catherine Alonzo, que sumiu logo após a morte da sua mãe.

O rei olhou para mim e eu fiquei calada, as lágrimas queriam vir, mas eu me contive. Não iria chorar ali, eu tinha que superar a morte da minha mãe.

- Onde esteve todo esse tempo?

- Eu... - Comecei.

Eles estariam me interrogando? O que estava acontecendo?

Limpei a garganta.

- Fui sequestrada. - Susurrei.

- Lhe bateram? Conte tudo . - Disse o homem de terno preto.

- Pra quê querem saber? Minha mãe já morreu e provavelmente os assassinos fugiram.

Eu sabia que não era verdade, mas eu não queria que fizessem alguma coisa com o Malton. E como eu iria provar que era ele?

- Conte tudo! - Gritou o rei.

Todos levaram um susto, inclusive eu.

- Eu não sei... Eu estava inconsciente. Só lembro de alguém me acordar e me ajudar. Logo depois eu acordei no deserto com um homem que me ajudou e me trouxe para a cidade.

- Que homem que te trouxe para a cidade ?

- Tommy.

- O carteiro? - Debochou o homem de terno azul.

- Sim - Respondi, com raiva. - Ele mesmo.

A rainha me olhava e chorava em silêncio. Era totalmente estranho tê-la ali, uma mulher que era a minha cópia.

- Chamem- no ! - Ordenou o rei.

Depois que o guarda foi atrás do Tommy eu me senti mais segura. Ele estaria ali comigo, me ajudaria a sair dessa. O rei começou a cochichar com a esposa e alguns homens ficaram em silêncio, outros me encaravam.

Me levantei quando uma mulher me deu um copo de água. Tomei um gole e descansei o copo na mesa.

Quando Tommy entrou na sala nossos olhos se encontraram e os deles brilharam ao me ver tão bonita. Corri para os seus braços e o abracei com toda a força que eu tinha, mas um guarda nos separou e me colocou de volta a cadeira .

- Me conte quando e como a encontrou. - Disse o rei.

Suspirei. Onde eles queria chegar com aquilo?
- Eu.. Encontrei ela há alguns dias no deserto, ela estava desacordada e eu.. Ajudei.

- O que ela disse ao acordar? - Perguntou o homem de terno preto.

Eles eram os únicos a falar dentro da sala, o homem de terno preto e o de azul. Parecia que os outros não tinham permissão para dizer nada.

Oh não.

- Ela só balbulciou algumas coisas. Procurou por um homem que havia a ajudado. Um Malton.

Droga.

- Esse nome não me é estranho. - Balbuciou o rei.

Um guarda se aproximou.

- Perdoe-me interromper, mas Malton é um dos nossos.

- O quê?! Ele trabalha aqui?

- Sim, senhor. Um ótimo guarda.

- Ótimo guarda?! - Gritou o rei. - Diga pra ele me esperar na biblioteca.

- Sim, senhor.

E o guarda se retirou. Tommy estava espantado e eu também. O rei parecia disposto a descobrir o que houve. Uma parte de mim queria saber o que aconteceu, mas outra pedia para deixar tudo como estava.

- Mostrem-na o seu quarto. - Ordenou o rei para o guarda que estava na porta.

- Sim, senhor. - O guarda se voltou para mim e estendeu a mão. - Alteza.

- O quê?

Me levantei.

- O que esta havendo aqui? Alguém pode por favor me explicar?

- Você é a Herdeira Perdida de Roulx. Seu nome não é Catherine Alonzo e sim Sophia Catarina Roulx.

'-'


A Herdeira PerdidaOnde histórias criam vida. Descubra agora