Ao pisar na grama molhada senti meus pés flutuarem por cima da lama, estou nervosa. Parece que o mundo em sua volta para e seu coração quer sair do seu corpo, sua barriga começava a formigar e você se sente tão ansiosa ou pessimista em relação a tudo, assim como em meu primeiro beijo. Tudo tão normal e na hora do beijo, Pan! Empaquei. Bem #CatherineBurra, meu estilo.
O pessimismo está habitando em mim neste momento.
Tenho impressão que vai dar tudo errado, que vamos morrer, que vou ficar sem família novamente - isso se eu sobreviver -, eu não sei o que há em mim. É como se eu nunca tivesse comparecido á uma guerra antes - na verdade, nunca comparecimento mesmo. -, mas sei lá.
- Sei lá... - Susurrei para mim mesma.
Costumo falar sozinha enquanto estou nervosa ou escrever meus problemas em papéis, mas na minha situação, neste momento, é impossível ir atrás de um papel e uma caneta.
E lá estava ele, todo vestido de preto. Com sua armadura ele parecia tão diferente, talvez um adulto responsável, mas todos sabemos que por trás da armadura havia um moleque. Um menino que cresceu em tamanho e não em maturidade.
Ele deu seu maior sorriso sinico e se aproximou de nós com as mãos levantadas em sinal de redenção, indicando que estava sem armas.
Papai se posicionou na sua frente.
- Ora ora, titio. Como está bonito nesta armadura, é mesmo um pedaço de mau caminho. - Brincou.
- Dante pare com isso, cresça.
Ele Riu e se voltou para mim, congelei.
- E você, querida prima? Está feliz de ter voltado?
- Onde está o Tommy? - Perguntei.
Ele se afastou e andou em círculos em meio da multidão. Eu tinha de admitir, essa batalha ia ser difícil.
- Então, povo de Roulx! Como vocês se sentem em relação a família real? Eles são mesmo uma boa família? Eu podia revelar todos os segredos deste homem! - Gritou enquanto apontava para o meu pai - Eu sei de tudo! Vou fazer a diferença se juntarem-se a mim!
- Dante! - Gritei e me aproximei. - Eu sinto muito se fui um estorvo para você mas você realmente acha que vai conseguir a confiança desta sociedade deste jeito?
Ele se virou para mim com um olhar mortal e soltou uma risada sarcástica que preencheu o ar, as notas agudas penetrando nos ouvidos. Senti medo. Minhas pernas ficaram bambas. Eu tinha que fazer alguma coisa. Sua cabeça se voltou para o meio da multidão, de onde saiu Malton, segurando Tommy. Levei minha mão a boca ao ver a cena, ele estava todo inchado e sangrando, seu belo rosto banhado de sangue e gritei quando Malton o virou de costas e revelou marcas de chicotadas que quase abriram sua pele.
As lagrimas saiam com facilidade enquanto eu não conseguia puxar o ar, ver o Tommy todo estraçalhado e com a cabeça baixa ao ser jogado como um lixo podre no chão foi demais. Gemidos roucos saiam da minha garganta e eu corri para cima dele.
- Tommy... - Murmurei ao segurar seu rosto com as duas mãos, ignorando o sangue.
Seus olhos encontraram os meus e era como se ele estivesse se despedindo, como se fosse morrer bem ali na minha frente, nos meus braços. As lagrimas escorreram ainda mais e eu quis morrer ali com ele, ser levada para sempre junto a ele.
- Tommy... O que fizeram com você? Ah, meu Deus. - Murmurei, chorando.
- Eu... sempre te ama-ma-rei. - Gaguejou e cuspiu sangue.
Chorei e escutei a risada de Dante, Malton não dirigia seu olhar a mim e tentava ignorar tudo.
- Quem fez isso com ele? - perguntei ao Dante.
- Isso estava fora dos planos, minha querida. Mas Malton estava com sede de sangue e o dexei brincar um pouco. - Respondeu.
Encarei Malton com as lagrimas escorrendo, ele nem olhou para mim.
- É o seguinte: Um duelo e está tudo certo. Eu e você, titio. Se perder, eu ficarei com o trono e seu eu perder, o que não irá acontecer, você ficará com tudo e eu irei embora. - Diz Dante. - É pegar ou largar, estou te polpando de um banho de sangue e você sabe que eu tenho reforços para que isso aconteça. - Disse Dante.
Malton me segurou e me jogou para cima do meu pai, chutou Tommy e o arrastou para dentro de uma jaula.
- Se você liberar o Tommy, eu luto com você. - Disse papai.
- Você sabe que não tem opção, não vou negociar.
- Por favor. Por favor, Dante. Libere-o, ele não vai fazer diferença alguma para você. - Falei.
Ele riu.
- Mas pra você irá fazer e eu gosto de jogar com as minhas próprias armas, não as vendo. E então tito, vai aceitar ou não, acho melhor dizer logo.
- Tudo bem.
Não! Papai não está na idade de lutar em um duelo, ele vai perder, todos sabemos, tanto que seus homens murmuraram um sonoro "não" quando ele aceitou a proposta. Ambos combinaram de se prepararem e se encontrar em uma hora no mesmo lugar. Todos acompanharam meu pai, mas eu fiquei ali, deitada na grama, chorando, suplicando a Deus que me ajudasse, que não levasse meu querido pai, um pai que eu mal tinha conhecido e o mundo já estava querendo me tirar... Ao levantar a cabeça eu não consegui conter ainda mais o choro quando vi Tommy ir deitado dentro da ajula para longe de mim.
- Não... - Lamentei. - Não... Droga!
- Saia logo daqui. - Disse alguém que passou por mim.
A pessoa passou na minha frente e vi que era Malton. Avancei em cima dele, me joguei em seu pescoço e tentei enfiar minhas unhas em seus olhos, suas mãos me seguraram mas eu lutei bravamente até ele me jogar no chão e cair em cima de mim quando lhe dei uma rasteira. Como no labirinto, seus braços seguraram os meus e ambos estávamos ofegantes, mas a diferença é que naquele tempo eu o amava, o que é diferente de agora.
- Como você pode? - Chorei.
- Desculpe, mas... Ah, que droga. Não chore.
- Se não quisesse que eu chorasse não teria feito aquilo com o homem que eu amava.
- Eu...
- Não importa se era se sua familia ou não, eles não estão aqui, viva o presente. Mas agora não dá pra concertar sua burrice.
- Está tudo bem aí, senhor Malton? - Perguntou algum guarda que não pude ver os olhos deles pois os meus se voltavam apenas para o Malton, o homem que amei.
- Sim. - Murmurou para o homem sem tirar os olhos de mim. Ambos escutamos o guarda ir embora e sabiamos que havia uma plateia sentada bem longe de nós, mas perto o bastante para assistir. - Não posso abrir mão de quem me ama de verdade.
- Eu te amei de verdade. - Murmurei com lagrimas nos olhos. - Te amei... Mas você não merece o meu amor, Tommy merece. Terminei com ele por sua culpa, tudo por você.
- Eu sinto muito, ok. - Disse, chorando. Mas eu não acreditava nas suas lagrimas. - Eu não posso suportar isso, não posso. Eu sei que o que estou fazendo é errado, mas eu...
De repente, sua boca a minha. Ele tentou, mas eu não o deixei beijar-me, fiquei parada e ele ali, sugando meus lábios.
- Beije-me Cath.
- Não consigo.... Eu tenho nojo de você.
Com isso, ele se levantou e nem se despediu, apenas foi embora, me deixando deitada, chorando, pensando em como ajudar meu pai, como ajudar meu povo, Tommy... Entrei com relutância e me deparei com minha mãe chorando ao pé do meu pai, me juntei á ela e me entreguei a um pranto sem fim.
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A Herdeira Perdida
Storie d'amoreA vida de Catherine Alonzo muda no dia em que matam sua mãe e fica entre a vida e a morte. Jogada no deserto sem ajuda alguma ela tenta sobreviver e com a ajuda de um homem ela consegue chegar a cidade e percebe que é a herdeira de uma fortuna que...
