Jade Mendes
— Dá pra você parar de ser louco por cinco minutos? — resmunguei, virando o rosto pra Arthur, que mantinha o maxilar travado e a carranca firme no rosto como se estivesse prestes a explodir.
Ele não disse uma palavra.
Continuava ali, calado, rígido, com aquele olhar escuro cravado em algum ponto entre mim e o nada — mas sua mão ainda repousava na minha coxa.
Não com força, mas com presença.
Um toque que parecia involuntário… mas não era.
Nem ele percebia que me tocava mesmo enquanto me ignorava.
E isso dizia tudo.
— Tá legal, então... — suspirei.
Me dei conta de que estava falando sozinha.
Nada de novo.
Preferi me calar.
Não queria brigar.
Pelo menos, não hoje.
Virei o rosto, irritada com o jeito infantil com que ele agia.
Essa imaturidade me irritava mais do que ele jamais imaginaria.
E se soubesse o quanto, com certeza pararia com essa merda.
Peguei o celular dentro da bolsa, começando a responder algumas mensagens do grupo.
Anna e Nicolas tinham se resolvido — aparentemente. Todo mundo viu os dois tomando café juntos antes do resto acordar. Mas, claro, fingiram indiferença.
Adam e Violeta seguiam normais. Brigavam, sim, mas sempre voltavam como se nada tivesse acontecido.
Às vezes eu queria ter a maturidade deles.
Por mais caóticos que parecessem, eram os que mais sabiam voltar, pedir desculpas, reconhecer.
Não repetiam os mesmos erros em looping infinito.
Sorri sozinha ao ler a mensagem de Alice:
"Suspeito que a Jade esteja em um motel dando pro Arthur. Mais de cinco horas em um restaurante? Que porra é essa?"
Mal terminei de rir quando senti o aperto forte da mão dele em minha coxa.
Assustada, me afastei sutilmente, encarando-o.
— Tá falando com quem? — ele perguntou, com a voz baixa e seca, as sobrancelhas unidas.
O tom não era casual.
Era duro. Ríspido.
Direto.
— Agora você resolve falar comigo? Sério, Arthur? — revirei os olhos, o peito já ardendo com o peso de tudo que eu engolia pra não explodir.
Afastei a mão dele com um tapa leve.
Mas, em vez de soltar, ele apertou mais.
O gesto não foi violento.
Foi possessivo.
Um aviso silencioso de que ele estava presente — mesmo mudo, mesmo distante.
E isso me deixou ainda mais incomodada.
— A gente veio aqui pra almoçar juntos e você simplesmente surta porque um cara sorriu pra mim?
— Você sorriu de volta — ele me cortou, a voz afiada. — Pareciam íntimos. Você conhece ele de algum lugar?
Senti meus dedos ficando brancos de tanta força que fazia neles. Que porra era essa? Será que ele bateu a cabeça ontem quando saiu com os amigos? Porque hoje… tudo parece estar fazendo ele perder a cabeça.
— Arthur, você não pode estar falando sério. — Me afastei um passo, olhando bem nos olhos dele. Ele sustentou o olhar. Calado. Frio.
— Ok — respirei fundo. — Eu vou chamar um Uber e ir embora. Você decide o que vai fazer daqui pra frente, não me importo. — Apoiei as mãos com força na mesa antes de me levantar e sair, sem nem encará-lo.
Meu corpo inteiro tremia, de raiva. Os dedos doíam de tanto que os apertava um contra o outro. Quando empurrei a porta do restaurante e pisei lá fora, o ar frio bateu no meu rosto e me forçou a respirar fundo.
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Meu Melhor Amigo
RomanceEste livro conta a história de dois melhores amigos que se conhecem desde a infância e são extramente próximos e unidos. Ambos vivem de festa e farra é estão sempre em rolê com os amigos, os dois também nunca tiverem relacionamento sério com ninguém...
