Eu estava desenhando um coração na palma de sua mão. Mais clichê impossível, mas aquilo era tudo o que eu via. Corações. Amor. Era mais do que óbvio o que aquilo queria dizer. Era o meu coração na palma da sua mão. Meu coração era seu. E eu não tinha mais medo.
Na teoria.
Levantei os olhos e vi que ele me olhava, daquele jeito terno que eu tanto conhecia e amava. E constatei o fato mais histórico do que os homens das cavernas: o coração em meu peito já não era meu há muito tempo. Era seu por direito.
Como se lesse meus pensamentos, o cantinho da sua boca se repuxou num sorriso.
— Achei que tendo você pra mim seria um pouco mais fácil de me despedir.
O motorista particular — Samuel, que pelo que eu entendi já o conhecia e mantinha a discrição — já estava fazendo a curva da minha rua, e eu entendia bem o que ele dizia. A eminência da separação já pairava como uma nuvem deprimente sobre mim, mas suas palavras geraram um calor na região do meu peito.
— Alguma chance de ser esfolado se eu for na entrevista com você? Ou seria melhor nos vermos após a entrevista?
— Hm... — por mim ele entraria em casa comigo, dormiria ao meu lado e ficaríamos grudados para todo o sempre, mas.. — Não sei bem como explicaria isso aos meus pais e a empresária, e ah, para os paparazzis e os entrevistadores...
Ele torceu o lábio e meneou a cabeça.
— Acho que tem razão, seria bom não estamparmos nenhuma polêmica na semana do lançamento do seu livro, mas eu gostaria de te ver ao menos após, em um lugar mais reservado — ele sugeriu e eu quase podia ver sua mente trabalhando nas possibilidades.
A animação borbulhou em meu estômago até ser abafada pela lembrança.
— Talvez seja um pouco complicado. Volto só no dia seguinte para San Diego. Vamos aproveitar para dar uma olhada em Nova York e talvez Washington pelo que entendi, já que fica perto.
Eu tinha ficado animada com os planos que fizemos em família, mas sentia apenas 1/3 dessa animação ao pensar que ficaria dois dias sem ele. Diagnóstico: dependência das bravas. Justin abriu um sorriso.
— Fico feliz por você, Lia, aproveite — e então formou um beicinho quase imperceptível que eu me segurei para não beijar — Mas sentirei sua falta — ele colocou a mão em minha cintura, como se pudesse me segurar para sempre ali. E, ah, ele poderia.
— Podemos dar um jeito na quinta feira a noite — sugeri, quase inclinada a desmarcar tudo e me isolar em seu estúdio.
— Esperarei — eu não estava esperando o selinho que veio como um pouco final e fiquei tonta — Quanto à sua família e demais pessoas, provavelmente é melhor guardarmos certas declarações para depois do lançamento do livro, também — concluiu, acariciando minha nuca com a mão direita que não vi ter ido parar ali.
— De acordo — assenti. Um relacionamento praticamente secreto.
Senti um friozinho na barriga ao pensar no "depois do lançamento do livro". Se eu fosse cogitar aquilo, poderia querer que esse segredo permanecesse nosso por um período maior.
O carro já estava parado em frente de casa, mas eu não fiz movimento algum para sair, e ele também não parecia estar com pressa. Voltou o corpo completamente em minha direção e acariciou minha bochecha com as costas da mão. Aquilo era mais do que suficiente para provocar a agitação das minhas células. Eu não precisava mais ficar tão preocupada com a adoração que sentia vazar pelos meus olhos, mas não deixava de ser constrangedor.
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Litigious Love
FanfictionComo uma escritora Júlia tinha a imaginação bastante fértil, a qual conseguiu levá-la a publicação de sua história - inicialmente fanfic - nos Estados Unidos. O que ninguém havia pensado era o que a inspiração para o galã do enredo pensaria sobre...
