Quando entrei em casa, certa de que o sorriso estampado em meu rosto era permanente, meus pais estavam sentados na mesa numa conversa séria — como vi pelas expressões e posturas - que foi interrompida ao colocarem os olhos em mim. Meu pai deu batidinhas na cadeira ao seu lado e eu quase choraminguei ao me encaminhar para lá. Já sabia o que diriam antes de abrirem a boca:
— E então... O que está acontecendo entre vocês dois?
Apertei os lábios, com milhares de imagens dançando em minhas memórias. A forma como não conseguíamos nos soltar naquela noite; sua sugestão de experimentarmos um macarrão como no desenho "A Dama e o Vagabundo" que nos rendeu várias risadas e tentativas para emendar um beijo com gosto de massa e queijo; nosso dueto da música "Believe" que me fez debulhar em lágrimas no refrão — eu bem que tentei conter, seu sorriso de aprovação para minha voz derretendo meu coração no primeiro verso da canção e o modo como insistiu que eu poderia tentar uma carreira de cantora se eu quisesse também — ele pareceu muito empolgado ao sugerir me apresentar para vários empresários, e eu tive um ataque de nervos só de imaginar isso, firmemente defendendo minha carreira de me esconder atrás dos meus livros.
— Bom, filha... A gente te conhece desde que você nasceu, então é claro que podemos ver nos seus olhos, mas seria bom se nos contasse quão séria está sendo essa pequena aventura — minha mãe disse, franzindo o cenho em resposta a cara de besta que eu com certeza estava fazendo.
Pigarrei e dei de ombros, corando.
— Não sei o que posso dizer. A gente meio que... — geada na barriga — Ele... Vocês sabem, é que... Simplesmente aconteceu. — Finalizei e cocei a cabeça, como se isso pudesse desfazer os nós mentais.
Eles se entreolharam e meu pai mordeu a boca.
— Vocês têm um nome para o que "aconteceu"? Acha que está "acontecendo" com ele também? — Minha mãe incentivou.
Pendi a cabeça para os dois lados, olhando para cima, resistindo a usar a palavra que demonstraria a seriedade daquela "aventura".
— Bom... Ele... Eu... A gente... Acabou que... Talvez não seja... — ele tinha mesmo me pedido para segurar certas revelações por um tempo, mas com os olhos atentos e conhecedores dos meus pais estudando minha alma, não tinha como esconder o óbvio e eu cedi a pressão no peito — Namoro.
Apesar disso, os olhos dos dois se arregalaram.
— Talvez não seja namoro? Ou é namoro? — Meu pai perguntou rápido.
Pigarrei de novo e esmoreci na cadeira.
— Não é tão sério assim. O namoro de hoje não é como o da época de vocês — falei a meia voz. Bom, não sei para o Justin, mas para mim, na verdade, era tão grave quanto assinar minha sentença de morte.
O olhar da minha mãe pra mim denunciava que ela tinha captado isso.
Os dois suspiraram.
— E vocês já conversaram sobre distância? Eu e Lara vamos já voltamos para o Brasil na segunda-feira, e, embora ainda não tenha fechado a passagem da volta de vocês, você e sua mãe não vão demorar muito mais para voltar também — meu pai disse, sensato.
Franzi o cenho, sentindo a ansiedade crescer pela boca do meu estômago.
Distância. Como uma palavra poderia ser tão assustadora?
— Ainda não.
Ele meneou a cabeça com um aviso não-verbal de "é bom conversaram".
Expirei.
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Litigious Love
FanfictionComo uma escritora Júlia tinha a imaginação bastante fértil, a qual conseguiu levá-la a publicação de sua história - inicialmente fanfic - nos Estados Unidos. O que ninguém havia pensado era o que a inspiração para o galã do enredo pensaria sobre...
