Arquejei e pisquei, sem ter certeza de que havia escutado direito.
— O quê? Você...?
Tentei conectar as palavras e dar um sentido ao nosso contexto. Ele não se compadeceu do meu estado e passou meu cabelo para trás da orelha, todo o corpo curvado em minha direção, inescapável e influente.
— Eu não planejava fazer isso aqui – riu sem graça, gesticulou com a cabeça ao nosso redor, o cenho franzido – Mas você insiste em fugir de mim, e não posso suportar a ideia de que escape entre meus dedos – Ele segurou minhas mãos geladas com firmeza e engoliu em seco, impulsionando as palavras para fora – Lia, eu sei que há muitas incertezas que nos cercam desde o princípio, mas se tem uma coisa da qual estou certo é do meu sentimento por você. E eu não quero que mais nada me impeça de te entregar integralmente meu coração. Eu já sou seu, mas quero desfrutar da exultação de saber que é minha também. Por favor, namora comigo?
Seus olhos brilhavam com a intensidade do pedido. Ele me olhava como se clamasse misericórdia, como se eu fosse a juíza de sua sentença mortal, como se eu realmente tivesse a escolha de não pertencer aos seus braços, como se meu sonho fosse mais seu. Ele já devia saber que eu era sua desde o momento que soube de sua existência.
— Você está falando sério? — Perguntei baixinho. Temia que a qualquer momento câmeras saíssem escondidas de algum canto anunciando que aquela havia sido a piada do ano.
Paranoica, olhei para os lados, dando-me conta de que nossa bolha permanecia intacta no jardim, a festa acontecia normalmente a vários passos de nós. Ele tomou meu queixo com firmeza, voltando meu rosto para o seu. As sobrancelhas franzidas reforçavam sua seriedade:
— Tão sério quanto meu coração bate – puxou minha mão em direção ao seu peito, onde pude sentir seu coração acelerado – e eu respiro e posso ouvir. Não duvide que você é mais do que eu sonharia encontrar. Não posso e nem vou perder essa chance. Seja minha, Lia. — Suas palavras soaram como incinerador.
Minha pulsação foi forte o suficiente para se sobressair a qualquer fato alheio a nós dois e aquele momento. Naquele instante não importava o que seria de nós na hora seguinte, não importava a incompatibilidade do sol e da lua, do fogo e da água. Eu inventaria um eclipse imprevisto por astrônomos e um novo elemento por nós dois. Seríamos a solução de qualquer equação impossível.
Todo medo que se acumulava na boca do meu estômago foi encobertado pela possibilidade do inimaginável. Passado, futuro e presente não importavam naquela fissura do tempo. O tempo e a realidade nos pertenciam, assim como a verdade de que eu pertencia a ele.
— Nós fazemos perguntas quando temos dúvidas quanto a resposta. Não imagino a razão pela qual você pensaria algo diferente do meu sim. Eu já sou sua — sussurrei, como uma confissão dolorosa de ser feita.
Ele deu uma risadinha exultante, daquelas que emitimos mais por alívio após momentos de tensão do que por achar algo engraçado. E quando percebi seus lábios já tocavam os meus, inventando melodias tão refinadas que violinos não seriam capazes de reproduzir. Eu não me lembrava de algum momento que havia explodido de tanta felicidade como aquele, com exceção das minhas intimidades com Deus.
Demoramos algum tempo para conseguir nos soltar, entre carícias e olhares ressignificados, na liberdade do toque e de sentimentos. As amarras do meu coração haviam caído, e ele batia desimpedido e em novo ritmo.
— Vamos sair daqui, Lia?
Sentia-me atordoada, flutuando em uma realidade paralela. Acho que assenti com a cabeça. Ele sorriu. O mais singelo e significativo dos sorrisos. E como se fosse o mais natural a se fazer, selou as palavras em nossos lábios unidos, depois tomou minha mão e me levou.
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Litigious Love
FanfictionComo uma escritora Júlia tinha a imaginação bastante fértil, a qual conseguiu levá-la a publicação de sua história - inicialmente fanfic - nos Estados Unidos. O que ninguém havia pensado era o que a inspiração para o galã do enredo pensaria sobre...
