Anywhere I Go

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Robert Lewandowski

Na quarta hora de voo, dou meu primeiro gole da terceira taça de champagne; já o suficiente para me distanciar da própria mente perturbada, mas não o bastante para me embriagar.

A esse ponto, o avião sobrevoava o Atlântico. O oceano se estendia até o horizonte brilhando como um azul indiferente. Sinto como se uma parte de mim houvesse ficado para trás.

O restante da tripulação já havia se acomodado.

Lukasz estava algumas fileiras atrás. Os outros agentes ocupavam seus lugares em silêncio. A cabine encontrava-se estranhamente tranquila a tirar pelo breve ruído de cartas de baralho sendo jogadas sobre a mesa.

— Sei que deve estar profundamente 'chateado' pelos atos de Milik, mas nem isso explica essa cara, filho.

Um breve riso escapa pelo meu nariz.

— Chateado... — Pressionando levemente os dedos sobre a superfície do vidro da taça.

— Lembro que seu pai mantinha um rosto desconcertado quando sentia que algo não estava sob seu controle, vejo esse mesmo rosto em ti agora.

Viro um pouco o rosto na direção dela, encontrando seus olhos esverdeados.

— Então me diga. O que mais aconteceu? Quem esteve envolvido? — Ela me encara como se seus olhos pudessem atravessar diretamente até minha alma.

Levo a taça aos lábios, demorando alguns segundos antes de responder.

— Todos temos assuntos em particular, o meu não poderia fazer menos diferença agora.

Ela não responde de imediato. Apenas observa como se soubesse que isso não fosse acabar bem.

— Não acho que esteja sendo honesto comigo, Lewy. Nada que não se preocupa deixaria alguém com a aparência de um fantasma.

Dessa vez, penso em algo para desviar o assunto, mas não encontro nada realmente plausível. Minha mãe percebeu meu desdém sobre o assunto.

— Estava com ela há quanto tempo? Quis ser pai de novo? — Tranco o rosto.

— Não é nem um nem outro. — Seus olhos me estranham por um breve momento.

— Estive com alguém... Um rapaz, nesses últimos tempos ou acho que estávamos juntos.

— O que quis dizer com 'estávamos'?

— Não sei se ele ainda está vivo ou prestes a morrer a essa hora. Ele era inteligente, astuto e inato de conseguir dar o seu melhor a cada segundo; nunca encontrei alguém tão teimoso. Esquece, você não o conhece...

— Lamento pelo que aconteceu... Filho, desde pequeno você sempre soube escolher o que era melhor para ti.

— Eu sei. — Suspiro, já virando o rosto para a janela.

Se Marco morrer, o sangue dele estará tanto nas minhas mãos quanto nas de Milik; se sobreviver, me odiará profundamente, dessa vez de verdade.

Ao longo dos minutos longos, chega um determinado momento que inconscientemente sou tomado pelo cansaço e apago no assento.

Minha consciência desperta sutilmente ao sentir uma leve vibração atravessar a fuselagem da aeronave, talvez horas depois. Ainda levo alguns segundos para abrir por completo os olhos, ainda afetado sob o torpor do cansaço.

A cabine permanece mergulhada em uma penumbra confortável, iluminada apenas pelas discretas luzes noturnas espalhadas pelo corredor.

Por alguns segundos fico imóvel, tentando afastar o torpor do sono. Sinto um tecido estranho sobre meus ombros. Um cobertor escuro.

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⏰ Última atualização: Jun 09 ⏰

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Leweus - Fica ComigoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora