Capítulo 19- Memória: Luana narrando

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Minha cabeça doía demais. Era uma dor quase insuportável que quase não me deixavam abrir os olhos. Eu parecia estar dormindo, mas já me cansava de estar daquele jeito. Meu corpo parecia estar leve, como se eu estivesse flutuando. Eu queria abrir os olhos, mas doía. Comecei, lentamente, a me mexer lutando contra a minha própria dor. Mas enfim, aquela agonia foi passando e eu consegui despertar.

Eu estava deitada em uma cama em um quarto todo branco, via espalhado por todo o meu corpo aparelhos grudados em minha pele. Eu não tinha ideia do que tinha acontecido, nem de onde estava. Tinha a sensação de que eu não sabia nem mesmo quem eu era.

Quando virei para o lado havia uma pessoa sentada no sofá. Sua cabeça estava baixa, com uma das mãos na testa. Eu não sabia se ele estava acordado ou se apenas refletia sozinho. Quis falar algo para ver se ele me olhava, mas senti dificuldade na garganta, porém, antes mesmo de eu tentar falar novamente ele me olhou e abriu um grande sorriso:

Luan: Luana. Você acordou! – falou sorrindo – Nossa, graças a Deus! – percebi que seus olhos se enchiam de lágrimas, enquanto ele se levantava e chegava até a mim, deu-me um beijo na testa e ficou me olhando durante rápidos segundos – Seus pais precisam saber logo. Eles só não estão aqui agora porque eu cheguei há poucas horas e falei que eles podiam ir para casa descansar um pouco, porque eu ficaria aqui com você. Eu não sei, mas parece que algo me avisava para eu não sair do quarto, parecia que eu sabia que finalmente acordaria. Como se sente?

Luana: Eu... Eu... – a minha voz saía meio falhada e engasgada, respirei fundo, busquei força no fundo do peito para continuar falando – Eu não sei direito, pareço meio estranha... O que houve comigo?

Luan: Oh, meu amor, você deve estar ainda um pouco confusa. Mas acho que posso te explicar e te situar um pouco. Bom, há quase cinco semanas você sofreu um acidente. Um carro te atropelou, e você bateu a cabeça com muita força no chão. Você sofreu muitas lesões pelo corpo, mas acho que o mais grave mesmo foi na cabeça, porque isso te levou a ficar em coma durante esse tempo.

Luana: Nossa – eu não imaginava nada daquilo. Para mim, eu apenas tinha dormido uma noite e acordado no outro dia, naquele hospital – Eu não me lembro do acidente, de nada.

Luan: Não se preocupe Lu, isso é normal mesmo. Geralmente as pessoas têm dificuldades para se lembrar como exatamente tudo aconteceu na hora do acidente.

Luana: Você pode chamar meus pais?

Luan: Claro. Vou fazer isso agora, eles precisam saber, aliás, os médicos também. Tenho que avisá-los – pegou o celular e rapidamente avisou meus pais que disseram vir logo – Agora eu preciso avisar logo os médicos, ou enfermeiras – ele abriu a porta olhou de um lado para o outro – Não há ninguém por aqui.

Luana: Espera. Não me deixe sozinha aqui. – ele tinha ameaçado sair do quarto.

Luan: Ah, sim, Lulu. Eu fico aqui com você então. Quando seus pais chegarem então eles trazem os médicos. É que na verdade estou um pouco nervoso aqui, porque você acordou, isso é muito bom. A gente ficou muito preocupado com você, meu amor. Não sabíamos quando iria acordar. Todo meu diazinho de folga eu dei um jeito de vir para cá. Você não sabe a falta que me fez.

Luana: Ham.

Luan: Lulu, você está bem mesmo?

Luana: Sim – tentei me sentar na cama – Ah – gemi, minha cabeça ainda doía muito, não consegui me mexer muito, resolvi então permanecer deitada.

Luan: Precisa de algo Lu? Está sentindo alguma coisa?

Luana: Não, só minha cabeça que dói um pouco – senti vontade de chorar naquele momento, eu me sentia muito perdida em minhas recordações.

A Namorada do Luan SantanaOnde histórias criam vida. Descubra agora