O primeiro grito

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Dor. Saudade. São essas coisas que me compõem agora.
Não consigo pensar em mais nada, apenas na lembrança de minha mãe me segurando em seu colo e sorrindo, um sorriso que sempre brilhará toda vez que eu colocar a cabeça no travesseiro. Por que isso foi acontecer? Por que agora? Justamente quando eu estava mais feliz. Lembro-me de quando Louis me contrariou dizendo que o sobrenatural não era uma praga. Bem, agora posso discordar.

Estou posta de pé ao lado do meu pai, e a frente de meus amigos e familiares. Olho fixamente para a rosa que meu pai deixou sobre o caixão escuro e novo. Ela é vermelha como sangue.
Não consigo enxergar, pois meus olhos estão afogados em lágrimas. Volto a ver normalmente quando a primeira lágrima desce pelo meu rosto se juntando às gotículas da chuva que caem do céu.
Sinto uma mão áspera e molhada pegar na minha, é meu pai. Olho para ele e o vejo chorando, mas me encorajando a ir em frente, então caminho até o caixão e deixo minha rosa por cima da de meu pai criando um X sobre o caixão.
-Adeus, mãe. -Sussurro.
Volto para o lado de meu pai e vejo Louis, Matt, Jennifer e Selena me olhando.
O olhar de Louis diz: "sinto muito". Mas não consigo olhar muito para ele, pois vê-lo com pena de mim me entristece ainda mais.
Meu pai volta a segurar minha mão e vemos juntos minha mãe descer na cova. Tudo parece demorar uma eternidade, talvez seja porquê é a última vez que a veremos.

Um pouco depois, eu e meu pai esperamos o táxi.
-Luna. -Louis puxa meu braço.
-Louis, agora não! -Diz meu pai a ele.
-Eu preciso falar com...
-Louis, obrigada pela preocupação, mas agora não é uma boa hora. -Digo entrando no táxi junto de meu pai, Sally e Selena.
-Depois você fala com ela, cara. -Diz Matt dando dois tapinhas no ombro de Louis.

Olho o céu chuvoso pela janela quando sinto Selena segurando minha mão. Olho e ela sorri, mas sinto sua preocupação. Volto a olhar para fora.

Chegamos em casa e corro para o quarto que divido com Selena, me jogo na cama e enfio meu rosto no travesseiro, chorando.
-Luna... -começa Selena.
-Saia daqui! -Grito, mas baixo meu tom de voz rapidamente. -Preciso ficar sozinha.
Selena hesita, mas fecha a porta do quarto deixando-me só com minhas lágrimas.

Selena desce as escadas e anda até a cozinha encontrando meu pai sentado na cadeira da mesa de jantar com Sally o consolando.
-Mãe. -Ela diz. -Vou sair, preciso pegar ar.
Sally permite balançando a cabeça em concordância.

Na casa de Matt

Matt e Jennifer entram e Nina aparece de repente.
-Como foi? -Ela pergunta.
-Luna está bastante abalada. -Matt tira seu blazer.
-Sei muito bem pelo que ela está passando. -Jennifer tira os sapatos chateada. Matt a abraça e beija sua testa.
-Eu devia ter ido. -Nina parece brava. -Ela também é minha amiga, Matt. -Nina sobe as escadas batendo o pé.
-Ela tem razão. -Diz Jennifer. -Não pode prende-la, você não é o pai dela.
-Mas sou o mais próximo disso. -Diz Matt.

Na rua

Selena e Allan caminham juntos na calçada passando por lojas. Selena está com uma calça vermelha e uma regata branca, com os cabelos soltos. Allan está com uma bermuda jeans e uma regata preta, seu cabelo preto voa ao vento. Ambos com uma casquinha de sorvete a mão.
-Deve estar sendo difícil para a Luna. -Ele diz.
-Está sendo, mas temos que superar um dia. Tadinha, já perdeu tanta gente. -Diz Selena.
-É, fico pensando nas pessoas que morreram com os ataques de sobrenaturais por aí. -Diz Allan se referindo a Selena. -Eles matam pessoas por aí, sabia? Só queria saber o que eles pensam, o que passa pela cabeça deles depois que fazem essa atrocidade. -Ele olha pra Selena com um olhar maldoso.
Selena engole a seco e sua cabeça se torna uma bagunça com todas as lembranças dos homens que matou. Uma lágrima escorre de seu olho, mas Selena enxuga e respira fundo.
Ela olha pra ele e Allan continua encarando-a com o olhar maldoso.
-Quer saber, eu tenho que ir. -Selena diz dando a casquinha de sorvete para Allan e indo embora.
-Selena! -Ele joga as casquinhas no lixo e vai atrás dela. -Ei, eu disse alguma coisa errada?
-Sim! Quer dizer, não. Mas... esquece! -Selena continua andando.
-Selena, dá pra parar! -Ele segura o braço dela.
-O que você quer?! -Selena pergunta brava.
De repente, Allan segura seu rosto e a beija.
Selena se assusta arregalando os olhos e o empurrando para trás.
-Ficou louco?! -Ela grita.
-Por você. -Ele diz rindo alegremente.
-Babaca. -Selena vai embora.

Na casa de Louis

Martha e Louis entram em casa e fecham a porta.
Louis despenca no sofá.
-Ela não quis falar comigo, mãe. -Ele diz.
-Ela precisa de um tempo, Louis. -Martha se senta ao lado dele. -Entenda isso.
-Sinto falta de quando éramos próximos. -Louis diz e solta um leve sorriso.
-Sinto falta do Kal. -Ela diz.
-Também. -Diz Louis.
-Tá legal, vamos parar de lamentar, vou fazer o almoço. -Ela se levanta e se dirige a cozinha.
-Eu te ajudo. -Louis a segue.

No asilo

Os idosos caminham pelo jardim e pelos corredores, alguns fazem hidroginástica na piscina e outros se divertem no salão de jogos.
-Sally. -Uma senhorinha chama, mas ela não responde. -Vem dançar conosco. -Ela se refere a três casais de senhores dançando lentamente.
Sally é a antiga amiga de Selena que teve sua juventude perdida quando foi vítima dos poderes de Malena.
Ela lê uma revista de moda, usa uma saia branca e uma camisa rosa especial para praticar tênis. Mesmo agora sendo senhora ela se cuida, pinta o cabelo frequentemente e usa maquiagem para esconder as rugas, mas não adianta muito.
-Sally! -A senhorinha se esforça para gritar mais alto.
-Deixe-me em paz! -Sally grita o mais alto que pode nesta idade e se levanta indo ao seu dormitório trancando-se lá dentro.
Batem na porta.
-Eu já disse para... -Ela atende a porta e se assusta recuando e esbarrando em jarros e fotos de quando ainda era nova.
-Olá. -A mulher que bateu na porta entra e tranca a porta.
Ela é alta, magra, usa a roupa de enfermeira do asilo, tem a pele pálida realçando seus lábios com um batom  vermelho forte e seu cabelo completamente branco. É Malena.
-Saia daqui! -A senhora se encolhe no canto da parede desesperada.
-É assim que se trata velhas amigas? -A mulher diz.
-Vá embora daqui, Malena! -Grita a senhora.
-Só quando eu conseguir o que eu quero. -Ela diz.
-E o que seria?
-Hum, simples: o primeiro grito.

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