-Laís, eu vou viajar. -Ian anunciou, em uma das tardes em que Christopher trabalhava e eles ficavam no chalé.
Laís e Ian não haviam se tocado mais, desde a reconciliação dela com o marido. Eram os melhores amigos, desde então.
-Porque?
-Eu quero ver a minha Felippa. -Disse, simplesmente. E Laís franziu a sobrancelha, desconfiada. -Saudade. -Admitiu sincero.
-Porque você não traz ela? -Sugeriu só pra ser agradável. Sabia que sentiria ciúme de Felippa. Mas se era por Ian, ela estava disposta.
-Ainda não. Mas trarei. -Prometeu.
-Quando você vai?
-Hum... -Ele consultou o relógio em seu braço. -Daqui a 2 horas. -Sorriu torto, provocando ela.
-Ian, como pôde? -Reclamou, vendo ele se levantar.
-Surpresas são sempre tão agradáveis. -Brincou com a irritação dela. -Preciso ir. Ainda há algumas coisas pra por na mala.
-Quanto tempo você demora? -Perguntou, acompanhando-o até a porta.
-Não sei ao certo. Eu deixei a Felippa sozinha muito tempo. Eu preciso dela. Mas voltarei, prometo. -Sorriu novamente.
Laís assentiu, pensativa. Não queria fazer, mas se sentia culpada por estar desprezando-o. Sabia que ia se sentir suja, imunda quando voltasse pra Christopher, mas era necessário. Ela engoliu em seco e se aproximou dele, erguendo-se pra beijá-lo, mas ele desviou o rosto.
-Desse jeito não. -Disse, antes de acariciar o rosto dela. Laís sorriu. Ian era perfeito. Ele a entendia. -Até a volta, minha Laís. -Ele beijou a testa dela, e então tinha sumido, deixando apenas seu perfume.
Ian foi embora. Laís voltou andando pra casa. Jantou, normalmente. Depois, pediu licença e foi pro quarto. Vestiu sua camisola e ficou lá, olhando a chuva pela janela, perdida em seus pensamentos. Estava sendo injusta com Ian. Entretanto, não tinha coragem de abortar seu casamento, agora que parecia estar funcionando. Era um sonho que virava realidade.
Você sente falta dele. -Christopher afirmou tempos depois, antes de se postar atrás dela, segurando-a levemente pelos ombros.
-Não é só isso. Porém, sinto falta sim. Ian é um grande amigo. -Disse se aconchegando no peito dele.
-Só um amigo? -Perguntou, acariciando os braços dela, enquanto lhe olhava.
-Apenas um amigo. -Confirmou. E não era mentira. Há tempos ela não desejava Ian como homem. -Parece que não vai parar de nevar nunca. -Observou, olhando a neve que caia formando um tapete branco do lado de fora. Nesse instante uma rajada de vento se jogou contra a janela. Christopher riu.
-Desde que eu me entendo por gente faz frio. -Concluiu, com uma careta. Laís riu, e ele sorriu pra ela.
O azul do olhar de Laís encontrou o azul do olhar dele, e então ela não se lembrava do que estava rindo.
Ele sorriu de canto enquanto aproximava os lábios dos da esposa, lentamente. Ela lhe agarrou os cabelos com certa força. Christopher riu e segurou o rosto dela, apossando-se de sua boca docemente. Os dois estavam começando a curtir o beijo, quando o choro do pequeno Diego cortou o silêncio predominante. Eles deixaram pra lá, mas como ninguém foi ver o menino, se separaram.
-Eu vou ver ele. Me espera. -Ela ia saindo, quando a voz de Diego veio do outro lado.
-Não precisa, eu estou indo. - Dispensou. Laís se virou de volta, sorrindo.
-Eu nunca disse, mas você estava linda quando Dieguinho nasceu. Tinha algo diferente no seu rosto. -Ele disse, enquanto ela voltava pra ele, recebendo-a em seu abraço e acariciando lhe a maçã do rosto.
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A Nobreza
RomansaA Nobreza Antoni por inconsequência havia cometido um erro. No nascimento de Laís sem que a mulher soubesse havia prometido a filha em casamento. Cinco anos se passaram e foi então que ele contou a esposa que a pequena filha do casal seria entregue...
