- Como assim, ele terminou com você?-Alejandro perguntou, incrédulo e irritado, enquanto avançava pelo saguão do hotel.
-Terminou. Com todas as letras. Ia voltar pra mulher.-Amanda afirmou.
-Ela fugiu antes que ele voltasse. -Amanda ergueu uma sobrancelha, surpresa.-Ele está destruindo Moscou por ela. E você, porque não voltou antes?
-Por Deus, Alejandro. Eu estava em Londres.-Revirou os olhos.
-E agora, o que vai fazer?
-Serviço de quarto pro quarto da srta. Cannavaro, um café da manhã básico.-Um atendente disse a outro, que levou o pedido pra cozinha. Mas foi o suficiente. Os ouvidos de Amanda eram aguçados. Laís estava ali.
A noite caiu, calma e serena. O dia seguinte amanheceu igual. Laís estava entrando em depressão. Isadora já não sorria. Christopher estava vegetando.
-O que você vai fazer?-Alejandro perguntou, andando com ela no corredor. Ele já se informara sobre o andar e o numero do quarto de Laís.
-Resolver nosso problema. -Amanda respondeu, levando uma caixa consigo.-A morte matou o amor dele por mim, então matará por ela também.-Disse, tranqüila e sorridente, enquanto parava na porta do quarto.
Laís tinha acabado de dar banho em Isadora. A menina estava com um vestidinho de renda branca, perfumadinha. Agora Laís penteava os cabelos louros e finos da filha. Foi quando bateram na porta.
-Quem é?-Perguntou estranhando.
-Serviço de quarto.-Alejandro disse, sorrindo. Laís não conhecia sua voz.
-Estranho, eu não pedi o almoço ainda.-Murmurou pra si mesma.-Já vou!
Laís colocou Isadora em seu berço. Enquanto isso, Alejandro saiu do corredor. A loura abriu a porta tranquilamente. Sua tranquilidade fugiu ao ver dois olhos verdes, dissimulados, olhando-a.
-Olá, Laís.-Amanda disse, sorrindo de canto.
-O que você quer?-Perguntou, sem paciência. A ruína de seu casamento estava ali, parada na sua frente.
-Posso entrar?-Perguntou sínica.
-Hum...-Laís fingiu-se de pensativa.-Por suposto que não.-Sorriu, e ia fechar a porta.
Laís foi fechar a porta, mas Amanda pôs o pé antes. A loura se desequilibrou no gesso, e o tempo que lhe foi gasto pra se equilibrar, foi suficiente pra outra entrar.
-O que você quer?-Laís repetiu, agora raivosa.
-Vim conversar.-Sorriu, pondo a caixa de papelão que trazia em cima de uma cadeira.
-Não tenho nada pra falar com você. Saia daqui.-Continuou com a porta aberta.
-Vamos, você não está sendo educada.-Repreendeu, como uma mãe que repreende o filho.
-Finalmente acordou.-Amanda comentou.-Já estava criando esperanças de que você já tivesse morrido, me pouparia trabalho.
-Isadora.-Disse engasgada, havia um pano a amordaçando. Ela olhou pro lado, e a menina a olhava do berço, apreensiva. Laís suspirou de alivio. Sua cabeça doía absurdamente.-Como você me achou?-Perguntou, por fim.
-Alejandro está instalado aqui. Esse hotel é famoso por ser ótimo pra guardar quem não deve ser visto.-Explicou.-Engraçado. Você caiu do mesmo jeito que o Christopher caiu. -Comentou. Laís percebeu que a tampa da caixa estava aberta, e que Amanda tinha um pedaço de madeira na mão, e estava atiçando algo dentro da caixa.
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A Nobreza
RomanceA Nobreza Antoni por inconsequência havia cometido um erro. No nascimento de Laís sem que a mulher soubesse havia prometido a filha em casamento. Cinco anos se passaram e foi então que ele contou a esposa que a pequena filha do casal seria entregue...
