Capitulo 23 A Traição

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Christopher não voltou. A dor sufocava Laís a cada segundo que passava. Ele não ia voltar. Ela não jantou. Tomou um banho demorado, e quando saiu, a chuva açoitava o telhado.
A madrugada caiu, dura e impiedosa. Ele não veio. Ela se ajoelhou nos pés da cama e chorou. Chorou até não conseguir . Seu coração estava comprimido em sua dor. Como era possível, você ter uma vida feliz, sadia, e tudo isso desmoronar de um minuto pro outro? Quando a dor foi cedendo, outro sentimento se apossou dela. Ódio. Um ódio talvez mais forte que o amor que ela sentia por ele. Ela sorriu, irônica. Sabia que aparência teria quando se olhasse no espelho. Estaria parecendo uma morta. Mas ela estava morta, não é? Estava tudo perdido. O motivo, a razão, a vida, o sentido tudo estava perdido. Então ela não conseguia mais chorar. Não por falta de vontade, mas seus olhos se negavam. Ela já havia chorado demais. Passou a noite toda ali. De manhã, ainda estava ali, quando alguém lhe tocou. Não era Christopher, ela teria sentido se fosse ele. Mas quando se virou, até se esqueceu de sua dor.

-Ian. -Murmurou, se levantando rapidamente. Ele sorriu com a animação dela. -Ah, Ian!-Ela se atirou no pescoço dele, que a abraçou fervorosamente.

-Está tudo bem, eu estou aqui. -Ele deu um beijo de leve no rosto dela.

Laís sorriu. Ian era a promessa de oxigênio quando se estava prestes a morrer afogado. Mas ele estava ali. Ela não morreria. Christopher voltou em casa no fim da tarde, apenas pra trocar de roupa. Laís o ignorou. Não precisava perguntar. Seu Chris se fora, e ali estava o demônio, mais uma vez. Desse jeito, os dias foram se passando. Todos sabiam da volta de Amanda, e do caso de Christopher com ela. Ele quase não vinha em casa, e tecnicamente não via Laís. Laís nunca recuperou sua cor normal, mas o azul de seus olhos tinha se derretido enquanto estava bem com ele. Mas agora estavam empedrados de novo.

Dois pedaços de gelo. Sua pele estava mais pálida que nunca, e agora fria. Só uma coisa mudou. Laís passou a vestir preto. Sempre preto.

-Por quê? -Mariah perguntou, certa tarde. -Está de luto?

-Estou. -Disse erguendo o rosto pra amiga. Luto é uma boa palavra.

-Por quem?

-Pelo meu coração. Está morto. -Mariah, se tocando do que era, não pressionou. -Tem uma pedra de gelo no lugar. Ian me mantém viva, caso contrário já teria morrido.

-E aquela história de não lamentar por um sonho? -Perguntou, tentando descontrair o ambiente.

-Não foi um sonho. Era real. Se deve lamentar quando uma realidade declina. - Disse simples, e seu olhar pousou em sua aliança.

Laís subiu pra se trocar pro jantar. Jantar com Ian, Mariah e Diego era agradável. Tinha terminado de se vestir, quando Christopher entrou no quarto.

-Não vai perguntar onde eu estava? -Perguntou debochado.

-Porque deveria? -Rebateu fria, enquanto terminava de pentear o cabelo.

-É minha mulher. É isso que as mulheres fazem. -Ridicularizou.

-Eu sou? -Perguntou, com um sorriso irônico, enquanto prendia os cabelos em um coque apertado. -Então, me perdoe. Não tenho interesse pelo que você faz. -Ela verificou o cabelo no espelho da penteadeira. Não havia nenhum fio solto.

-Estava com ela. -Disse malévolo. -Não que te importe, é claro. Mas creio que deva satisfações. -Laís riu.

-Meu querido, Moscou inteira sabe que você está com ela, não é segredo pra ninguém. - Disse sorrindo, enquanto se levantava. - Agora, se não se importa, Ian está me esperando pra jantar. -Ela se pôs a sair.

-E se eu não der licença? -Perguntou, puxando-a bruscamente pelo braço. Odiava o pouco caso que ela fazia dele.

-Por favor, eu não quero ter que tomar outro banho agora. -Disse fria, referindo-se a mão dele que segurava seu braço

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