Adam
- Não quero falar sobre isso agora. - Seus olhos desviam dos meus.
Na minha mente passa milhares de coisas que possam ter acontecido, mas me recuso em acreditar em qualquer uma delas.
- Vou tomar um banho.- Me abandona solitariamente como fiz com ela.
Não deveria ter feito.
Depois de alguns minutos decido conferir se está tudo bem.
- Aurora. - Abro uma fresta da porta, ela esfrega os braços que já estão avermelhados, como se quisesse limpar a alma. A água que cai do chuveiro se junta com as dos seus olhos. Sua respiração falha junto com meu coração.
Ela se assusta com meu toque, limpa as lágrimas rapidamente para que eu não perceba algo que está tão nítido.
- O que você fez? - Pergunta passando a mão pela ferida em minha testa que nem me lembrava mais.
- Nada de mais, só me alterei um pouco. - Lembro da quantidade considerável de sangue que caiu sobre o tapete, quando me tiraram de cima dele.
Ela me abraça escorando a cabeça em meio peito, seu cabelo gruda no pano encharcado da minha blusa.
- Eu juro que não queria. - Sussurra me apertando.- Eu não queria.
Meu cérebro se recusa aceitar a interpretação que tenho desta frase.
- Aurora ele tocou em você? O que ele fez ? - Preciso confirmar. Preciso escutar dela.
Ela acena com a cabeça positivamente.
Me arrependo por não ter matado ele .
Não sei oque fazer.
- Eu não sabia que era tão curto, eu tentei sair, ele me segurou, me puxou, apertou. Eu tentei- Sua voz falha, ela cora envergonha.- Me perdoa ?
Minha cabeça doi, não sei como alguém pode ter tamanha impossibilidade de ser humano.
Ela é tão pequena .
- A culpa não é sua. - Eu te deixei sozinha. - Você não queria ir, eu insisti. A culpa não é sua ok?!
Não sei oque dizer. Queria poder voltar no tempo. Não ter insistido, não tê-la deixado sozinha.
Se eu pudesse retirar toda sua dor e colocar em mim eu faria. Queria deixar ela segura.
- A gente tem que ir ao um hospital e depois a uma delegacia.
- Eu não quero. - Caminha para o quarto enrolada em uma toalha.
- Mas a gente tem que ir pra saber se está tudo bem.
- Não está tudo bem Adam. Eu não vou. - Sua expressão muda ela parece nervosa.
- Aurora...
- Respeita meu NÃO !
Me sinto um idiota por insistir.
Mas é pro seu bem.
- Eu só quero ficar quietinha, por favor.
- Tudo bem.
- Adam, me promete que não vai fazer nada.
- Princesa, eu não posso...
- Por favor. Não quero que faça nada. Isso não é uma escolha sua. - Se deita sumindo entre as cobertas.
**
- Me fala onde ele mora.
- pra você pedir desculpa pela palhaçada que fez ? - André pergunta, sua voz é abafada pelo telefone.
- Ele machucou ela porra .
- Olha Adam eu conheço ele a mais de 5 anos e conheço ela a menos de 8 horas então... Se ele realmente fez algo porque ela não chamou a polícia sei lá?!
- O que você teria feito? - Perco a paciência.
- Um escândalo provavelmente. Sinto muito mais talvez ela tenha feito algo tá, ela não é santa.
Quero arremessar o aparelho longe.
- Só me passa a porra do endereço.
- Sinto muito. - Encerra a ligação. Meu sangue ferve, as mãos tremem , sinto raiva de tudo, de todos. De mim, do meu irmão, da Aurora por não querer ir ao hospital.
Mas sinto ódio por ele ter tocado nela, preciso encontrá-lo.
Passo a noite em claro, não consigo para de imaginar o desespero dela.
Eu devia ter esperado ela.
O grito, o choro são nítidos em minha mente.
Eu deveria ter esperado ela.
Tenho que achar ele.
O despertador toca anunciando a chegada do sol que invade o ambiente lentamente.
Tenho que achar ele.
Está claro oque tenho que fazer. Me levanto, pego as chaves do carro...
- Adam. - Quebra o silêncio.
- Oi.
- Você esta indo trabalhar? - Seu rosto está inchado a marca que estava vermelha próxima a seu olho se torna aroxiada.
- Sim. - Minto.
- Não vai. Fica comigo, não quero ficar sozinha. - Sua voz é melancólica.
Não vou deixá-la novamente.
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Desejos proibidos
ChickLit(+18) Sem revisão / livro 1 Princesa , se eu pudesse iria te marcar pra sempre , assim você nunca se esqueceria de mim nem se quisesse .
