(cinquenta e cinco) frutas

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Aurora

Sua mãos quentes passeiam por minha pele, meu corpo se resume na sensação do seu toque e  um punhado de pelos arrepiados.

Consigo escutar sua respiração se descontrolando, ele beija meu pescoço me puxando pra mais perto de si.

- Bom dia ! - digo sorrindo.

- Ainda é noite, eu não consegui esperar.

- Você vai trabalhar hoje? - já sei a resposta, ele sempre trabalha o dia todo. Só de imaginar o tempo que vou ficar sem ele eu sinto uma pontada no peito.

- Poxa, eu não quero conversar sobre isso. Não agora. - Impulsiona o corpo para cima do meu se encaixando perfeitamente entre minhas pernas. É como se fôssemos feitos pra ficar nessa posição.- Porque tá triste ? - Ajeita meu cabelo atrás da orelha com uma das mãos.

- Não gosto de ficar longe de você. - Desvio o olhar.

- Você não faz idéia de como me sinto quando você não está comigo, em como é difícil de parar de pensar em você por um segundo se quer, trabalhar  se tornou impossível agora porque em vez de prestar atenção no que tenho que fazer eu fico calculando quantos minutos faltam pra eu poder te ver. Você realmente não tem noção  de como eu fico torcendo que cada barulho que escuto seja você entrando pela porta pra me arrancar de lá... Bom eu não queria falar sobre isso agora.- Meus olhos lacrimejam, não consigo evitar.- Não, eu não quero te deixar molhada aqui. - Aponta o dedo para meu rosto.- quero te deixar molhada aqui.- Desliza até o ponto mais quente do meu corpo. - Mas eu quero que você queira também.

Puxo seu corpo o obrigando a fazer quase uma flexão apertando o mais forte que consigo.

- Você quer dormir mais um pouco? - Não respondo, não quero desaponta-lo nem nada do tipo. - Ta tudo bem, eu entendo. - Beija rapidamente meu pescoço e se aconchega em mim.

Seu corpo pesa sobre o meu, desço os dedos acariciando suas costas, escuto sua respiração diminuído o cheiro do seu cabelo me faz relaxar.

Não preciso de mais nada.

- Ei ! - retira o cabelo do meu rosto. - Já são onze horas.- Ajeita um pano de prato sobre o ombro.

- Que cheiro é esse ?- O aroma faz meu estômago roncar. Me estico espreguiçando a claridade incomoda meus olhos.

- Vem. - Me puxa criando impulso para que eu me levante.

A bancada está cheia com algumas travessas e frutas. Me sento rodando na  cadeira.

- Vinho no café da manhã?- Pergunto enquanto ele derrama o líquido escuro em uma taça  e  me entrega.

- Não é tão manhã assim. - sorri brindando sua taça ainda vazia na minha.

- O que estamos comemorando ?

- Então... quero te pedir uma coisa. - Se inclina na minha frente seus olhos estão mais claros doque nunca.- Mas eu não sei qual vai ser sua resposta, e isso está me incomodando porque normalmente posso prever oque você vai dizer... mas  dessa vez não.

Minhas mãos soam, consigo escutar meu coração batendo.

- Você tem que pedir pra saber a resposta. - Minha voz sai mais baixa doque eu pretendia. Ele me encara por uma eternidade.

- Melhor não. - Vira as costas e começa a mexer na gaveta de talheres.

- Adam, poxa. Me pergunta logo. - Ele me olha por cima dos ombros.

- Você vai dizer "sim" ?

Vou .

- Não sei, provavelmente... - Passo a mão sobre as pernas arrepiadas.

- Ok. - Direciona um prato vazio na minha direção com um garfo no meio. - Então Aurora. - Concordo com a cabeça, ele parece tão nervoso quanto eu. - Eu... quero que você... saia do emprego.

Não ?! Mentira, é só pode ser mentira.

- Diz alguma coisa. - Quebra o silêncio que se estendeu por alguns minutos.

- Sério?! Sério mesmo Adam?! Essa foi a coisa mais broxante que me disse até hoje.

- Sério. - Ele parece coagido com minha reação.

- Adam eu nem começei, por que diachos eu iria sair ? - Coloco as mãos na cintura dando ênfase a minha pergunta.

- Porque você recebeu uma proposta melhor !

- Que seria...?

A sensação do coração explodindo no peito volta em segundos.

- Viajar comigo.

- Humm.

- O que ? Você prefere realmente trabalhar ?

Acho que transpareci mais decepção com a pergunta que ele fez doque eu queria.

- Não, não é isso. - É que eu me iludi.

- É porque então? - Sua voz sai magoada, acho que ele também se decepcionou.

- Poxa amor, não tá fácil arrumar emprego. - Minto. Tomara que ele não perceba.

- Eu consigo outro pra você, não estava te enrolando... Só queria tirar férias  com você pra gente passar um tempo juntos. Só nós dois, sem trabalho.

- Eu realmente quero ficar com você, ia ser ótimo...

- Ia ?! - Me interrompe.

- Não... Eu não sei... posso pensar ? - Coloco a mão sobre a dele. - Juro que dou a resposta hoje ainda.

- Claro. - Dá um sorriso forçado que não se sustenta por muito tempo. - Eu vou estar no escritório... trabalhando. - Puxa a mão deixando a minha sobre o mármore frio.

- Adam !- Ele da quatro passos largos se afastando.

- O que ?

- Não faz isso.

- Isso oque Aurora? Trabalhar ?

- Não, você sabe doque estou falando... não fica com raiva de mim.

- Não estou.

- Esta sim.

- Não. É só que a gente meio que sempre queria a mesma coisa, sei lá, achei que você iria ficar feliz, só isso. Tá  tudo bem ok ?! Não estou com raiva de você  - Fecha a porta antes que eu possa pensar em uma resposta adequada e me deixa com as frutas.

Malditas frutas que ficam me julgando.

Desejos  proibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora