Adam
- Peguei pra você. - Estendo uma xícara na qual uma fumaça escapa aromatizando o escritório, ela desenrola os braços do casulo que criou com uma manta na poltrona de couro marrom de frente pra minha mesa.
Mando alguns e-mails avisando que não irei até a empresa por alguns dias, adianto tudo que posso, Aurora observa cada movimento do meu corpo com atenção.
O clima frio arrepia minha pele com as correntes de vento que passeam no ambiente, abro três novas abas de pesquisa, entro em todas redes sociais que meu irmão possui.
Kennedy.
Procuro o nome com atenção por toda sua lista de amigos.
Kennedy.
- Para. - Me assusto com sua voz.
- O que ?
- Eu pedi pra você não fazer nada.
- Por que você acha que eu estou fazendo algo. - A olho por cima do monitor.
- Eu conheço você. Eu não sei exatamente oque está fazendo mas eu quero que pare.
- Eu não posso, não vou deixar pra trás oque ele fez com você.
- E oque ele fez comigo ? - Inclina a cabeça.
- Não faz isso.
- Isso oque ?
- Fingir que não aconteceu.
- Você tem alguma prova?
- Seu olho roxo.
- E se eu tivesse caido ?! Adam eu quero esquecer ok ?! Não preciso de você pra ficar me lembrando.
Oque ?????
- Eu esqueço se você for ao hospital e depois ao psicólogo. - Minto de forma tão convincente que até eu acreditaria.
Ela revira os olhos. É uma das raras vezes que ela aparenta ter a idade que tem.
- Promete?
- Prometo. - Me sinto mal por dizer uma coisa que nos dois sabemos que não é verdade.
***
- Eu estou bem a gente já pode transar. - Me entrega os papéis dos exames batendo a porta do carro.
Não sei oque aconteceu com ela. Na verdade eu sei mas não entendo porque essas reações.
Quero minha Aurora de volta.
Seguimos o caminho até em silêncio, decido por dar um tempo pra ela. Tudo ainda é muito recente.
- Eu posso marcar pra outro dia se você preferir ?
- Pra você uma brecha pra caça ele feito um bicho?! - Sai do carro as pressas entrando no pequeno consultório.
Sento na cadeira de estofado verde na recepção, tamborilo os pés no chão, depois de determinado tempo a garota que digita atrás do balcão começa a me encarar enrigecendo a expressão. Agora o único barrulho que ecoa é o som dos ponteiros se movendo.
Aurora sai pela porta e segue até o banheiro no fim do corredor.
- Adam. - Fernanda me chama. Faz anos que não a vejo.
- Obrigado por encaixa um horario. - Me aproximo dela. - Como ela esta?
- Eu não posso dizer muita coisa. De forma geral ela criou um bloqueio psicológico, provalvemente vai tentar agir normalmente, isso é bem normal. As vezes ele pode ter um choque de realidade gerando mudanças no comportamento, ansiedade ou crises de choro... O ideal seria ela continuar vindo.
- Vou fazer o possível.
- Podemos ir?!- É bom ver seu sorriso novamente.
- Claro princesa.
*****
O mês que se passa é bem complicado, não lembro-me qual foi a última vez que dormir por mais de quatro horas seguidas, sempre acordo pra conferir se ela está bem, o que é muito relativo. As primeiras semanas foram as piores cheias de :
" Me deixa sozinha."
" Por que você não quer ficar perto de mim ? "
" Meu corpo é nojento, não toca em mim"
" Você ainda me ama ? ainda sente prazer em mim ? "
"Por que você não quer transar mais comigo?"
" Desculpa eu ainda não estou pronta."
Eu realmente tentei o máximo pra compreende-la, tentei dar espaço mas sentia que não era isso que ela realmente precisava.
Exceto por ontem.
Nos ficamos juntos. Juntos de verdade. Ela chorou o dia todo, já havia tempo que ela não derramava uma lágrima se quer.
Mas ontem não. Ela acordou de madrugada e chorou em meus braços até anoitecer , eu não tentei impedila ou conforta-la. Apenas escutei oque ela tinha a dizer e a segurei com toda força que tinha.
E então ela simplesmente parou e sorriu pra mim, da mesma forma que fez quando nos conhecemos naquela boate. Como se tivéssemos começado do zero.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Desejos proibidos
Literatura Feminina(+18) Sem revisão / livro 1 Princesa , se eu pudesse iria te marcar pra sempre , assim você nunca se esqueceria de mim nem se quisesse .
