Divisor de águas

133 10 14
                                    

Alicia

Exultante!
É assim que me sinto.
O amor me faz sentir assim... feliz e realizada com o sucesso de Lucca.
Hoje é a coroação de cinco anos de esforços e muita dedicação. E tem um gosto especial para mim, pois acompanhei de perto essa trajetória.
Enfrentei junto os percalços do caminho, o vi amadurecer e aprendi muito também.

Nós nos completamos. Ele é a minha luz e surgiu na minha vida quando eu estava imersa e perdida em total escuridão.

Aos treze anos, perdi meus pais em um trágico acidente de carro. Vi a minha vida certinha e organizada, virar de ponta cabeça.
Tive que vir morar com meus avós maternos, meus únicos familiares vivos. Perdi minha base, mudei de cidade, escola e deixei meus amigos para trás.

Vovó Célie e vovô Ben, foram maravilhosos! Me acolheram amorosamente e com total entrega.
Contudo a dor que eu sentia me sufocava, me fazia sentir anestesiada... nada fazia mais sentido.
Me fechei em meu mundo, onde fantasiava que a minha nova triste realidade, não passava de um pesadelo. Eu não falava, mal comia ou dormia... agia no automático, rezando para que a morte, viesse e me levasse para junto dos meus pais.

Entretanto, havia um plano diferente para a minha vida. E a mudança para Lansing, capital de Michigan foi um divisor de águas.
Por conta do trabalho do meu avô, tivemos que nos mudar e mesmo apática, senti uma pontinha de medo misturada com certa expectativa.

A nova cidade, tinha o clima diametralmente oposto ao de Los Angeles. As pessoas também se comportavam de uma maneira mais acolhedora e gentil.
E foi um ato de gentileza que mudou a minha vida...

Flashback On

Havíamos chegado há três dias e, finalmente, estava tudo devidamente arrumado.
Meu avô tinha ido trabalhar e ficamos eu e vovó, na grande e clara casa silenciosa.

O toque inesperado da campanhia me assustou e me fez dar um pequeno pulo.
- Allie, por favor, atenda! Já estou indo.- minha vó pediu enquanto vinha da cozinha.
Obedeci.
Abri a porta e me deparei com um casal sorridente e dois garotos, claramente, envergonhados parados à porta.
- Olá, meu nome é Marina e esses são meu esposo Gian Carlo, meus filhos Fábio e Lucca. Nós somos seus vizinhos e viemos dar as boas vindas.- a mulher sorridente e muito bonita disse, me olhando com simpatia.

Assenti, observando a travessa que ela carregava e que exalava um aroma maravilhoso.
Fui salva por minha avó, que ouviu o final da fala dela.
- Oh, que gentileza! Por favor, entrem. - disse, me afastando com delicadeza da frente da porta - Eu sou Cecília e essa é minha neta Alicia. Sejam bem-vindos à nossa casa.

Eu observei, enquanto entravam e quando Marina ofereceu a travessa para minha avó.
- É uma lasanha, minha especialidade.- disse ainda sorrindo e me perguntei se em algum momento ela fica séria.
- Muito obrigada, senhora ...
- Landucci. Mas por favor, me chame de Marina.
- Ah, sim... Marina. Nós adoramos lasanha, não é Allie?
Senti os olhares voltando -se para mim, desejei que um buraco se abrisse e me engolisse.
Concordei com um gesto de cabeça e baixei o olhar.
- Bem, sentem-se por favor, enquanto coloco a travessa na cozinha e pego um refresco...
- Desculpe, senhora...- o senhor Landucci interrompeu delicadamente minha avó.
- Smith.
- Senhora Smith, eu preciso ir, tenho uma reunião. vim dar as boas-vindas.- concluiu.
- Muito obrigada. Eu entendo, volte para um café. E por favor, me chame de Célie. - minha avó sorria abertamente como há muito eu não via - Mas vocês ficam, não é? Eu acabei de assar uma torta de maçã.
- Ah, Célie diante desse argumento, nós ficamos.- Marina respondeu, provocando risadas- Vá meu bem, bom trabalho.
- Célie, mais uma vez sejam bem-vindos e conte conosco para o que precisar. - apertou a mão que minha avó estendeu e beijou a fronte da esposa. - Garotos cuidem da mamãe. Até logo.
Corri até a porta e abri, encantada com a beleza e gentileza daquele homem. Ao sair ele sorriu para mim e maneou a cabeça.

Rise UPOnde histórias criam vida. Descubra agora