Fábio
Observando todos reunidos à mesa, sinto um contentamento sem igual.
Robert e Jane,Sam e Lou, assim como Lucca e Allie que voltaram finalmente as boas, parecem ter encontrado seu caminho.
Portanto, até que enfim paz!
Que para mim, só não está completa porque não entendo o que impede Carol de me apresentar aos seus pais.
Já nos desentendemos por conta disso e na última discussão que tivemos, de tão irritado, acabei me excedendo e sendo ríspido.
Flashback On
Estávamos tomando café da manhã,
fazendo planos para a viagem ao
chalé de inverno dos meus pais, eu queria muito que ela conhecesse meu lugar especial , preferido do mundo.
Seria como uma mini lua de mel e poderíamos aproveitar para fortalecer ainda mais nosso vínculo emocional.
Aproveitei o momento e o fato de ela estar descontraída para tocar no assunto que sempre a fazia ficar esquiva e reticente:
- Você vai para a casa dos seus pais no
feriado de Ação de Graças?
questionei tranquilo.
Tentando parecer despretensioso e esconder minha expectativa.
-Não sei ... ainda não pensei sobre
isso. Por que ?- respondeu ficando séria.
⁃ Ah, porque eu pensei em convidarmos
seus pais e nos reunirmos todos lá em
casa,no almoço que meus pais
oferecem todos os anos. - disse
rapidamente, como quem anuncia uma promoção imperdível. - Assim, já faremos o serviço completo, eu, meu irmão, meus pais e seus pais, todos juntos e misturados.0 que você acha?
Obviamente minha ideia não a agradou, ficou nítido em sua expressão e a demora em responder só cimentou minha conclusão.
Finalmente, quando respondeu foi em um tom hesitante:
-Ah, eu tenho que ver quais são os
planos deles e...
-Ótimo! Ligue para eles agora e
pergunte.- interrompi incisivo e sorrindo para disfarçar meu mal-estar face a sua postura relutante.
Porém ela não retribui o sorriso. E ao
contrário, fecha a expressão.
- 0lha,eu não vou ligar agora. Estou
atrasada para o trabalho.- diz seca.
-Mas é rápido. - insisto- Cinco minutos
a mais ou menos, não vão fazer
diferença. E eu garanto a
segurança do seu emprego .- digo numa tentativa de brincar para aliviar a tensão.
-Não.
Sua resposta fria e monossilábica me surpreende.
- Por que não?- questiono ficando
sério.
-Porque não quero ter que falar com
pressa ...
-Eu não estou te entendendo Carolina!- digo impaciente.
-Não há o que entender, Fábio! Só não
quero falar correndo e...
A encaro e a bombardeio com questionamentos que há tempos queria fazer:
- Por que você não quer realmente
ligar?! Você já falou com eles sobre
nós, não é ?
- Eu... na verdade...
- Você o quê?! Sim ou não ? Simples assim!
A impaciência e a raiva me dominaram.
- Não é tão simples...
Sua tentativa falha de argumentar me fez perder as estribeiras:
- Eu não acredito Carolina! Nós
estamos juntos há meses e você não
falou com seus pais ainda! E porquê?!
Senti uma mágoa ácida nublar meu julgamento. Decepção e raiva, passaram a comandar meus pensamentos e minhas ações.
E a fala dela que se seguiu foi a gota d'agua:
-Eu estou esperando um momento
mais propício..
-Momento propício ?! Eu achei que
estava falando com a minha
namorada, mas parece que me
enganei. Era Henry o nome daquele
imbecil não é ?- perguntei em um tom
falsamente calmo.
-Sim. Mas por que está me
perguntando isso agora?- questionou
sem entender.
⁃ Ah, porque ou estou falando com o
espírito dele e não havia percebido , ou
você aprendeu direitinho com ele como
agir como uma imbecil que não tem a
mínima consideração com os
sentimentos das outras pessoas.
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Rise UP
RomanceUm amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências? Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação? Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
