Transformações

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Jane

Dizer que fui pega de surpresa por Robert ao me dar o anel de noivado que pertenceu a sua mãe, é um grande eufemismo!
Confesso que naquele instante, em que ele falava, um filme passou por minha mente.
Revisitei memórias dolorosas...
Meu pai depressivo após a morte da minha mãe, sua tentativa falha de não deixar transparecer e, como isso me moldou.

Confesso, que por muito tempo, acreditei que amar era estar vulnerável, exposta ao sofrimento. Ter vivenciado a luta do meu pai e vê-lo se render à tristeza e desistir de viver, quando acreditou que eu estava pronta e apta para cuidar de mim mesma, calejou minha mente e espírito.

Sendo assim, prometi a mim mesma, que jamais deixaria o amor me dominar ou ditar minhas ações. Muito menos definir a minha vida.
Tentei racionalizar, algo que não tem explicação!
Lutei contra minha natureza e minha vontade e, perdi.
O amor venceu... e ainda bem!

Contudo, a menina ferida que ainda existe em mim, resiste!
Luta com medo de se ferir.
E não consigo dar o salto de fé que Robert quer de mim.
Portanto, morarmos juntos e usar o anel, são as concessões que posso fazer no momento, sem me sentir invadida, violentada em minhas crenças.
Mesmo entendendo que as mesmas são limitantes.

É a razão, contaminada pela mágoa e feridas do passado numa batalha contra os sentimentos mais puros e fortes que já tive por alguém.
Assim sendo, tentei explicar a ele como me sinto e pedi que tenha  paciência.
E aparentemente, fui compreendida...

Só preciso ir mais devagar e curar de uma vez por todas, essa menina traumatizada que ainda vive em mim e, que tem me impedido de entregar completamente

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Só preciso ir mais devagar e curar de uma vez por todas, essa menina traumatizada que ainda vive em mim e, que tem me impedido de entregar completamente.
Mas como Anne disse, o amor de Robert e a terapia, assim como meu desejo de me curar das feridas do passado, farão com que a menina e a mulher que me tornei encontrem um consenso, entrando em acordo e atingindo equilíbrio.

Assim espero...

Para provar a Robert que realmente estou empenhada em construir uma vida ao lado dele, cedi a sugestão que ele fez de comprar um apartamento para morarmos.
Engoli meu orgulho e como Allie disse,  deixei de ser boba.
Juntos pedimos ajuda a Fábio, que logo encontrou alguns imóveis à venda e nos passou os contatos.

Confesso que ao visitar os dois primeiros, me assustei com o tamanho dos imóveis que Robert tinha em mente e, principalmente os valores pedidos por eles.
Mas como tinha prometido a ele que o deixaria livre para escolher, me abstive de comentários.
Porém, não conseguia parar de pensar que nem que economizasse por anos seguidos, conseguiria comprar um imóvel nesse padrão.

E isso me fez cair na real: Robert é rico e, apesar de não ostentar, está acostumado a um alto padrão.
Comecei a pensar no impacto que nossa união terá no senhor Dallinger, afinal pessoas da classe social deles vêm o casamento como mais um negócio, uma maneira de ampliar patrimônio e conseguir mais poder.
Além disso, acredito que ele esperava unir o sobrenome Dallinger a um outro do mesmo patamar.

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