Fui pegar o celular pra ver a hora e vi que Maya estava me ligando . Olhei a hora e já era 16:30. Elias com certeza estava com ela, então preferi não atender. Quando a ligação acabou, vi diversas chamadas perdidas dela e dele.
— Estou aqui faz cinco horas.. nunca passei tanto tempo em uma lanchonete!
— Nunca choveu assim. Pelo menos não no tempo que estou aqui. Nunca vi chuva prender alguém aqui dentro por tanto tempo.
— Eu vou tentar chamar outro carro.
Tentei, mas ainda estavam cancelando.
— Com essa chuva, eles vão cancelar sempre. Quando eles demoram muito pra chegar, cancelam, e aí quem se fode é a gente! Nessa chuva, o trânsito deve estar parado.
Mais uma hora se passou. O céu estava começando a escurecer.
Eu e Alex trocamos número de telefone e continuamos a conversa enquanto ela limpava as mesas em volta.
— Você tem marido? Esposa? Namora?
— Eu namoro e moro junto com ele.— Respondi.
— Ele não pode vir te buscar?— perguntou.
— Estamos brigados! Não quero nem atender as ligações.
Na TV do estabelecimento, apareceu a notícia de um acidente de carro aqui perto. Nenhum ferido, mas agora a pista que me levaria rapidamente pra casa, estava fechada.
Percebi que a chuva parou um pouco e decidi tentar chamar um carro mais uma vez. Esse estava próximo.
— Eu acho que agora consigo ir pra casa! O carro está perto daqui.
Em poucos minutos ele me esperava lá fora.
Me despedi da Alex, me comprometendo a chamá-la pra um passeio outro dia.
Entrei no carro e ele foi me levando ao destino.
O trajeto que de carro levaria cerca de 40 minutos, acabou levando muito mais tempo por conta da chuva e do acidente, que nos fez desviar a rota.
Pelo caminho eu comecei a pensar... santo Deus eu andei por horas por essa cidade. O quão longe eu estou de casa?
Cheguei quase 19h.
Logo ao abrir a porta da sala, vi Maya, Elias e Ellie na sala, todos com semblante preocupado.
Quando me viram, seus rostos se amenizaram, mas Elias logo ficou furioso.
— Onde você estava?— Se levantou sério e veio até mim.
— Eu fiquei presa numa lanchonete por causa da chuva. Estava terrível, não pude sair.— Respondi tentando parecer calma.
— Com esse tempo, você não deveria ter saído de casa!— Aumentou o tom.
— Ellie, vai pro seu quarto..— Maya pediu à filha.
— Eu só queria andar por aí, acabei ficando presa lá..— Mostrei estar indiferente.
— Maya disse que você estaria aqui por volta das quatro. Olha a hora que você chegou!— Estava furioso.
— Ao menos não cheguei com cheiro de homem.— Rebati.
— Clarice, não é hora pra isso! Estávamos preocupados! Desde as 9 e pouca você não deu sinal de vida! Era pra estar de volta às quatro e chegou três horas depois! Nós três estávamos com medo e imaginando mil e uma coisas que poderiam ter acontecido com você!
— Pois eu estou muito bem!— Os deixei na sala e subi as escadas.
— Elias, deixa ela descansar um pouco. Ela tá esperando um bebê... já conversamos sobre como a gravidez afeta as emoções. Não vá brigar mais agora!— Maya falou.
— Ela nos da esse susto e eu tenho que deixar ela descansar?
— Obrigada, Maya.— Ignorei Elias.
Fui pro nosso quarto e tomei um banho demorado. Quando saí, Elias estava sentado na cama.
— Eu juro que não to aqui pra brigar!— Começou a falar.— Quero te explicar o que aconteceu ontem!
— Pode começar.
— Ontem eu fui sim pra reunião, nós resolvemos nossos assuntos e ao final nós bebemos uísque, ainda na sala de reunião. Depois de resolver tudo nós conversamos sobre as nossas vidas enquanto bebíamos.
— E o cheiro de perfume junto com a marca de batom?— Cruzei os braços.
— Então... depois disso, eu fui pra minha sala e fiquei lá esperando o efeito passar pra eu poder vir em bora, e aí a Julie...
— A Julie, eu sabia que tinha ela no meio!— Falei estressada, o interrompendo.
— Ela tentou subir em cima de mim, me beijar, ficou tentando se esfregar em mim pra conseguir sexo..
— Elias!— Repreendi incrédula.
— Ela tentou, mas não conseguiu! Eu deixei ela lá e vim pra casa! Por isso cheguei daquele jeito. Estava com raiva...
— E você fez eu dormir sem uma explicação? Se tivesse sido só isso, teria me explicado ontem mesmo!
— Eu não estava com cabeça ontem porque sabia que você não iria acreditar em mim, iria surtar e ficar com raiva dela e a gente ia acabar se desentendendo do mesmo jeito...
— Eu preferiria dormir aborrecida com você do que ter dormido achando que fui traída de novo!— Falei com raiva.
— Me perdoa por isso! Eu tentei amenizar a confusão, mas não havia pensado em como você ficaria... — Se levantou e me abraçou.
— Se fizer isso de novo, eu vou em bora! E você já sabe o que tem que fazer com a Julie!
— Sei! Mas agora me prometa que nunca mais vai me dar esse susto! Eu pensei tanta coisa que só de lembrar me dá calafrio.
— Tá...
Coloquei minha roupa de dormir e desci pra comer alguma coisa.
Não queria jantar, preferi comer besteira.
Doritos, coca cola, bolo de chocolate.. tudo perfeito.
— Você sabe que tem que comer direito!— Elias falou descendo as escadas.
— Mas eu to com água na boca de comer besteira!— Falei com a boca cheia de bolo.
— Almoçou o que?
— Rosbife e fritas.... de sobremesa e lanche comi donuts.— Falei já pressentindo a bronca.
— Tudo de ruim! Podendo ter comido direito em casa, foi pra rua se encher de besteira! Agora chega em casa e se entope de mais merda!— Falou.
— Já estão resolvidos?— Maya apareceu na cozinha.
— Já.— Ele respondeu.
— Talvez... não decidi se engoli seu papinho ainda!
— Lá vem...— Ele disse.
— E que janta é essa, menina?— Ela perguntou.
— Hoje eu quis comer tudo que tinha vontade porque eu acho uma crueldade fazer uma grávida ficar só desejando coisa gostosa.
— Ela sabe fazer a gente amolecer...— Ela falou para Elias, que concordou.
Depois de comer tudo, fui pro quarto e esperei ele subir.
Quando chegou, se deitou do meu lado e me agarrou.
— Eu te amo muito! Não quero ficar brigando com você. Quero uma vida perfeita pra gente viver junto!
— Me desculpa por essas coisas.. Eu também não quero brigar.
— Estamos resolvidos então?
— Não.
Ele me olhou sem entender e logo falei:
— Você sabe como eu gosto de resolver as coisas...
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Tudo para Clarice
RandomApós ser deserdada, Clarice decide que é a hora de pedir ajuda a seu pai, preso pelo estupro que gerou a mesma. A menina sempre soube a verdade sobre seu nascimento, o que de alguma forma a tornou uma mulher fria. Para ela, toda a vida girava...
