— Afinal, doutor, o que tem minha sobrinha?
Madame Esmeralda estava tão chocada que só ali, no hospital, percebeu que ainda estava de pijama.
— Ainda é cedo para tirar conclusões, mas foi encontrada no sangue da sua sobrinha, uma grande quantidade de um tipo de anfetamina, uma substância alucinógena, com efeito rápido e muito forte, popularmente chamada de ecstasy. Esse tipo de droga causa uma desidratação rápida, o que pode até causar a morte. É uma droga sintética em formato de comprimido, que está sendo muito difundida nas festinhas de adolescente. Felizmente sua sobrinha foi socorrida a tempo e já está fora de perigo. Se essa rapaziada soubesse o perigo que uma simples bolinha dessa pode causar...
— Você está querendo dizer que minha sobrinha usou drogas, doutor? É impossível! Minha sobrinha não usaria drogas!
— Bem, ainda é cedo para saber o que aconteceu. Só sabemos que a substância foi encontrada em seu sangue. Mas ela já está medicada, e fora de perigo. Quando ela acordar, poderá esclarecer as coisas.
Karen recobrou os sentidos aos poucos. Sentia dores pelo corpo todo, e sua cabeça parecia que ia estourar. Tentou abrir os olhos, mas a luz era tão intensa que quase a cegou.
— Onde estou? Porque não consigo abrir os olhos?
— Está num hospital, suas pupilas ainda estão dilatadas por causa do efeito das drogas.
Karen tranquilizou-se pois era enfermeira e estava acostumada a associar o termo droga a medicamento. Mas então reconheceu que era a voz de Silvana e caiu em si.
— Mas de que droga você está falando?
Infelizmente as memórias estavam voltando e conseguia se lembrar de tudo o que aconteceu. Mas não se lembrava, de jeito nenhum de ter usado drogas! Estava limpa, nem sequer tinha bebido!
— Das que quase fritaram seus miolos! – Silvana a acusou.
— Mas eu não tomei droga nenhuma! Paulo e Kelly estiveram comigo o tempo todo! Nem álcool eu tomei, pq estava dirigindo. A única coisa que tomei foi um suco de laranja!
Silvana sorriu triunfante.
— Eu sabia! Bem que desconfiei. Já ouviu falar do golpe "Boa noite Cinderela"?
— Claro que já! Mas o que isso tem a ver comigo?
Silvana continuou seu raciocínio.
— Acredito que uma certa pessoa "batizou" seu suco e ficou por perto pra ver o efeito.
Karen ficou perplexa. Que interesse esse alguém teria em fazer isso? Era totalmente absurdo pensar nisso, mas Silvana era esperta demais, e parecia que já tinha descoberto mais coisas.
— Mas quem poderia ter interesse em me prejudicar assim? Não consigo imaginar ninguém que... – Karen parou de repente. Não queria acreditar realmente nisso.
Silvana completou com sua suspeita.
— Daniel Vila Real! Amiga, vai me desculpar, mas todas as provas apontam pra ele. Foi ele quem te afastou do grupo, ele que te ofereceu o suco, e assim que conseguiu deu um jeito de te levar com ele.
Karen não podia acreditar que Daniel fosse capaz de uma atitude tão imatura e mesquinha mas confiava no faro de Silvana.
— Mas que interesse teria Daniel em fazer isso comigo?
Kelly, que até então estava quieta, se pronunciou timidamente.
— Vocês podem achar que estou viajando na maionese, mas acho que ele está tentando dar o golpe da barriga ao avesso... certa vez, numa conversa, ele comentou que a fortuna da madame Esmeralda era exorbitante e a herdeira universal é você. Ele comentou de brincadeira, que um filho seu seria um verdadeiro bilhete de loteria!
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Caleidoscópio
Roman d'amourKaren volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
