Karen volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
Karen andava de um lado pro outro, tentando achar uma solução. Todos os seus amigos estavam indisponíveis, e o único que poderia ajudar era Felipe, mas ela já sabia que não podia contar com isso.
Estava muito cansada e dolorida, e apesar de não ter comido nada o dia inteiro, não sentia fome alguma.
Fechou os olhos, mas sabia que não poderia dormir enquanto não arrumasse um jeito de fugir dali. Como por encanto o telefone tocou.
– Olá, ma chère! Você volta do além túmulo e nem me comunica?
Karen sentiu-se feliz de escutar o sotaque francês de seu boticário Jean Pierre. Sabia que não podia fugir dos seus problemas, mas pelo menos poderia se distrair um pouco.
– Ah, Jean Pierre! Que saudade, mon'ami! Desculpe por não ter avisado antes... meu dia tem sido infernal. Parece até que tem 48 horas! Aliás, como soube?
– Soube pela television. Fizeron uma rápida matéria, contando que vocês foram resgatados depois de tanto tempo. Mas você parrece aflita. Aconteceu algo?
– Aí Pierre... minha vida está uma bagunça... mas deixa isso pra lá! Não quero te encher com meus problemas.
Jean Pierre gargalhou, e depois falou com um tom que recusava desculpas.
– Problemas é meu sobrenome! Non ecxiste problemas que Jean Pierre non resolva! Agora acalme seu corraçonzinho e me conte tudo, desde o começo!
Karen resolveu contar pra ele, afinal, mesmo que não pudesse fazer nada, ele estava disposto a escutar.
– É uma história tão longa... tudo começou a três meses, quando pulei do navio... Felipe também pulou pra tentar me salvar. Felizmente encontramos uma ilha, e lá, sozinhos todo esse tempo, mesmo sabendo que ele era padre, caímos em tentação, e acabei grávida. Acontece que o pai dele e minha tia, não se conformam com a história, e amanhã estou com hora marcada pra tirar o bebê.
Pierre ouvia tudo em silêncio, e opinou.
– Bem, chère... se é isso que você quer... acredito que vai ser melhor assim.
– Não Pierre! De jeito nenhum! – Karen falou decidida – Mas minha tia conseguiu um atestado de insanidade e vão me levar à força. Pensei em fugir para longe, mas não tenho ninguém pra me ajudar. Se eu perder meu bebê, Pierre, não vou suportar... ele é tudo o que está me mantendo viva.
Pierre pensava rápido em como achar uma solução.
– Por favor, mon'amour! Non faça nada até que tudo esteja consumado! Talvez eu já tenha um plano pra te ajudar. Você me avisou muito em cima da horra, mas verrei o que posso fazer. Me passa o nome e o enderreço do hospital.
– De que adianta, Pierre? Você é apenas um boticário, e minha tia tem muita influência... você corre risco, se enfrentá-la.
– Mademoisele, non me subestime! Tenho muitos contatos também. Mas non fale nada, apenas me passe o que te pedi, e aguarde. Prrometo que non vai se decepcionar.
Karen obedeceu, e passou o endereço. Jean desligou apressado, e deixou Karen com seus problemas.
***
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Depois de muito penar, Karen acabou pegando no sono, e acordou na manhã seguinte com uma assustadora movimentação. Quando pensou em fugir, foi agarrada por dois brutamontes que lhe aplicaram um sedativo e a colocaram numa camisa de forças.
Karen lutava contra o efeito do sedativo, pois não podia dormir, mas apesar de não estar desacordada, não conseguia reagir.