A sombra da morte.

22 4 3
                                        

Karen sentiu as fibras de seu rosto se partir com a bofetada. O sangue escorreu pelo canto da sua boca, sua bochecha estava dormente, ainda assim ela ergueu o rosto com petulância e sorriu zombeteira.

O autor da bofetada alertou.

— Peixe morre pela boca, sabia? Você fala demais.

Era exatamente o que ela pretendia. Sabia que estava ali pra morrer, mas também sabia que aqueles homens queriam tirar proveito antes. Talvez, se ela continuasse ofendendo, eles a matariam simplesmente.

Dois homens imobilizaram Karen, cada um segurando um de seus braços. O terceiro homem se aproximou de Karen e puxou os cabelos dela para trás, deixando-a ainda mais vulnerável do que já estava.

— Seria um desperdício matar uma vadia dessa sem tirar nenhum proveito.

Um dos homens resolveu alertar.

— Cuidado chefe! Essa vadia é valente! Deu uma joelhada bem no saco do pereba.

O homem olhou com desprezo para o outro e zombou.

— Vadia valente? Vocês é que são tudo uns frouxos!

Dizendo isso, ele puxou os cabelos de Karen com mais força e beijou-lhe a boca. Karen nunca se sentiu tão enojada e humilhada em toda sua vida.

Ao sentir aquela boca nojenta sobre a sua, Karen cravou os dentes nela, de uma forma tão violenta que sentiu o sangue do malfeitor encher sua boca.

O homem se afastou aflito, e enquanto se refazia do susto, Karen cuspiu no rosto dele o sangue que tinha na boca.

Furioso, e cego de ódio, o homem desferiu vários socos nas costelas de Karen. Ele esbravejava, ofendendo Karen com todas as palavras obscenas que conhecia, mas apesar da dor insana que sentia, Karen ainda sorria.

Preferia ser espancada até a morte do que permitir que abusassem sexualmente dela. Enquanto conseguisse distraí-los, estava tudo bem.

Indignado, o homem apontou o cano da arma de calibre 38 bem entre as pernas de Karen e ameaçou.

— Já que vai regular essa mixaria, vou acabar logo com essa história. Vá pro inferno, sua vadia!

Karen fechou os olhos e esperou pelo impacto. Finalmente chegou a hora... então escutou uma voz familiar:

— Se eu fosse você, não faria isso! Largue a arma e se afaste dela!

Karen abriu os olhos com surpresa. Felipe tinha aparecido com uma arma em punho, e com muita firmeza e determinação, apontou direto na cabeça do bandido. O homem ergueu as mãos e se virou lentamente.

Tudo aconteceu rápido demais. Parecia muito simples. Foi só sacar a arma que Carlos lhe deu, e colocar na cabeça do bandido.


Antes porém que Karen pudesse alertar, dois homens apareceram por trás de Felipe e o derrubaram com uma coronhada na cabeça.

***

Quando Felipe abriu os olhos, ainda atordoado, percebeu que estava de joelhos sendo imobilizado por dois homens. O bandido que antes espancava Karen, agora estava com o rosto bem próximo do seu ameaçando-o.

— Aí padreco! Perdeu a noção do perigo? Valeu a tentativa, mas não vai ser um padre metido a Chuck Norrys que vai me intimidar.

O bandido rodeou Felipe, examinando-o enquanto os outros dois seguravam ele. Então o bandido continuou o discurso.

— É o seguinte. Não queremos fazer nada com você. Então vou te dar duas opções: primeira você vai embora, finge que não viu nada e a gente deixa você viver. Segunda você reage, a gente come essa vadia na sua frente, e depois a gente mata vocês dois. E aí? O que vai ser?

Caleidoscópio Onde histórias criam vida. Descubra agora