Karen volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
Como de costume, Karen chegou ao serviço antes do nascer do sol, e ficou alguns minutos ali, apreciando aquele belo espetáculo.
Naquela manhã, o mar estava bastante agitado, mas ainda não era o momento de colocar placas de alerta.
Os banhistas foram chegando, um a um, e curtiam o dia na praia com toda a tranquilidade, mas Karen estava apreensiva. Sua intuição dizia que algo diferente estava pra acontecer.
Karen estava no posto de observação, e não conseguia desgrudar os olhos do movimento do mar pelo binóculo. Carlos e Silvana estavam com ela.
Karen estava preocupada de ver as ondas encapeladas que se formava ao longe, mas elas estavam perdendo a força muito antes de atingir a área segura da praia.
O dia estava esplendoroso, e a praia estava assustadoramente tranquila, apesar do movimento intenso de visitantes.
Karen estava muito apreensiva, e tinha a impressão de que toda essa tranquilidade era a calmaria antes da tempestade.
***
Perto dali existia um comércio que alugava barcos para os turistas passearem com suas famílias. Eles sempre se mantinham a uma distância segura da zona de rebentação, mas de repente, num descuido, toda aquela tranquilidade foi quebrada.
No campo de visão do binóculo de Karen, ela percebeu que uma das embarcações estava muito além da zona de segurança, e bem próximo da zona de rebentação daquelas grandes ondas.
A embarcação levava entre 8 e 10 pessoas, a maioria delas eram crianças.
Karen assistiu perplexa o exato momento em que a embarcação sumiu no meio de uma das grandes ondas, reaparecendo segundos depois, já emborcada.
Uma descarga de adrenalina atingiu Karen, e num átimo de segundo já estava no rádio, pedindo reforços e passando as coordenadas do acidente. Depois pegou Carlos e Silvana, e saiu pilotando a lancha salva-vidas que nunca tinha pilotado antes.
Chegaram ao local ao mesmo tempo que outra lancha de apoio e dois jet skis. O barco da guarda costeira chegou em seguida. Karen gritou para os amigos que um deles deveria descer com ela, enquanto o outro deveria se encarregar da lancha.
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Karen pulou rumo à criança mais próxima. Silvana e Carlos ficaram se olhando, bestificados, um para o outro, sem saber o que fazer.
Percebendo que Carlos estava em choque, Silvana pulou e foi ajudar a amiga.
Karen e Silvana levaram as crianças ao barco de apoio, que era maior.
Alguns adultos nadaram até lá sozinhos, outros com a ajuda da equipe... uma mulher, ao ver apenas quatro criancas embarcar, começou a gritar desesperada, procurando por uma quinta que não estava a vista e nem na superfície.
- Ela estava de colete? - Karen gritou acima do barulho das ondas.
- Sim! - respondeu o capitão - Todos estavam.
- Olha Karen! Lá na frente! - Silvana apontou, já pulando na água em seguida.
Karen olhou a poucos metros da lancha, um objeto amarelo flutuando à deriva, e deduziu instantaneamente que era um colete vazio.
Em poucos segundos estava ao lado de Silvana, e ambas mergulharam freneticamente em busca da garotinha, mas as ondas estavam muito fortes, arrancando areia do fundo do mar e turvando a água, atrapalhando assim a visibilidade.
Karen sentiu algo grande vir rolando até suas pernas, e seguindo a intuição, mergulhou imediatamente, retornando com um embrulhinho flácido nos braços.