Karen volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
— Ainda não acredito que você pulou!! - Karen esbravejou enquanto ajudava Felipe se livrar das vestes de ofício - E agora? O que vamos fazer???
Felipe tossia convulsivamente, expelindo a água salgada que engoliu, e quando finalmente a voz voltou, ele respondeu magoado.
— Pulei pra te salvar!!!! O que queria que eu fizesse? Eu também não acredito que você pulou!
Felipe tirou a batina, ficando apenas de calça e camiseta, e jogou a pesada beca pra longe. Karen a apanhou de volta, estava juntando tudo o que podia, pois poderiam precisar mais tarde.
— Não era mais fácil comunicar as autoridades do navio? Eles teriam parado, e tentado me resgatar sem colocar mais ninguém em apuros. A essa altura, ninguém nos viu, e o navio já vai longe. Temos que pensar num jeito agora de sair dessa.
Karen já começava a sentir dor no braço ferido, ainda assim nadou até a boia. Felipe estava magoado com a repreensão, pois tinha feito tudo pelo impulso do amor que sentia por ela, mas agora estava se sentindo um imbecil por não pensar num detalhe tão óbvio.
— Me desculpe por não pensar tão rápido quanto você... não sei ser criativo sob pressão. Mas e você? Por que pulou?
— Por que eu queria morrer, é óbvio! — Karen foi sarcástica, mas sabia que estava sendo dura demais com Felipe — Mas eu fiz o juramento de Hipócrates, e agora que você pulou também, os planos mudaram. Você está em condições de nadar? Vamos ter que nadar... e muito, pra tentar chegar a algum lugar.
— E se a gente esperar o navio voltar?
Karen queria rir da ingenuidade de Felipe, mas já o tinha magoado demais.
— Não quero te desanimar, mas eles já estão longe, e ninguém sabe a que horas vão sentir a nossa falta. O caminho até a ilha tem muitos quilômetros, e a previsão é de voltarem só amanhã. Seria como procurar uma agulha no palheiro. O pior é que estamos muito longe da praia também, e não estamos no auge da nossa força física.
Felipe estava realmente se sentindo um imbecil.
— Por favor, Karen! Me diz que você tem um plano!
Karen olhava em volta, atônita, tentando encontrar uma solução.
— Eu bem que tenho, mas não sei por onde começar... estudei um pouco a rota do navio... chegar até a ilha a nado é impossível, levaríamos muitos dias... mas ouvi dizer que no caminho, a noroeste da Costa, tem uma pequena ilha. Dizem que os pescadores usam ela como parada de descanso durante a temporada de pesca. Carlos, certa vez, nadou da praia até ela, como forma de arrecadar fundos pra um projeto... parecia perto, mas ele nadou um dia inteiro. Talvez tenhamos sorte e não esteja tão longe... se ao menos tivesse uma bússola!
Felipe sorriu triunfante! Dessa vez tinha feito algo de que talvez Karen se orgulhasse. Esticou o braço e mostrou seu relógio.
— Veja! Ganhei do irmão Josué no dia do meu aniversário! É a prova d'água! Nem sei se a bússola funciona de verdade... espero que sim.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.