Karen volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
Os dias que se seguiram foram um tormento para Karen. O mais difícil de tudo, era saber que Felipe estava tão perto, e não poder vê-lo.
Karen tinha o tronco todo enfaixado, com seu braço preso ao corpo numa posição extremamente incômoda, mas necessária para a rápida recuperação de sua clavícula e cicatrização de suas costelas.
Naquela tarde, os pontos da cirurgia foram retirados, e após examinar a lesão da omoplata, e apalpar as costelas, o doutor chegou à conclusão de que já poderia colocar o braço numa tipoia comum.
— Com isso, a senhorita vai poder se movimentar melhor, e até levantar pra fazer pequenas caminhadas, ir ao banheiro... mas tudo com muita cautela e muito lentamente. Não vá abusar. Infelizmente não tem como enfaixar costelas, então elas estão cicatrizando bem devagar.
Às dez horas da noite, a enfermeira veio lhe dar as medicações, em seguida apagou as luzes e desligou a TV.
Karen estava cronometrando tudo mentalmente, e resolveu se arriscar, levantando pela primeira vez.
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Suas pernas estavam moles, e quando tentou caminhar, sentiu uma vertigem. Esperou mais um pouco, até o mundo parar de girar, então tentou mais um passo.
A vertigem passou, e Karen caminhou a passos trôpegos até o banheiro. Sua aparência estava horrível, os cabelos desgrenhados e o rosto extremamente pálido, com olheiras profundas.
Karen lavou o rosto, e tentou pentear o cabelo como deu, com apenas uma só mão, e se sentiu um pouco mais apresentável.
As suas forças pareciam estar voltando ao normal, e sentia-se cheia de vida. Queria saltar e correr, mas sabia que teria que se conformar com um passo de cada vez.
Tentou voltar para a cama e dormir, mas não suportava ficar mais nem um minuto presa àquela cama... precisava se mover, sentir-se viva.
Tirou o acesso do soro do braço, apanhou um avental limpo no armário da enfermagem, e se preparou para explorar o ambiente.
Caminhou até a porta, e olhou para o corredor a tempo de ver uma única enfermeira entrar num dos quartos.
Respirou fundo e arriscou sua primeira carreira depois de tantos dias deitada, e quando entrou no quarto, sentiu uma pequena vertigem, mas se recuperou logo.
***
Felipe acordou sobressaltado com aquela invasão, e já ia chamar a enfermagem, quando reconheceu Karen. Ela estava fazendo sinal e suplicando para que ele se calasse.
— Karen!! É você mesma!? O que faz aqui, sua maluca!?
— Também estou feliz em te ver — Karen respondeu sarcástica pela bronca — hoje cedo me tiraram do castigo, e me deram um pouquinho de liberdade. Mas fale baixo, senão me encontram e me prendem na cama novamente.